quarta-feira, 16 de maio de 2012

COTIDIANO BRASILEIRO

Fernando Brant

A cada dia precisa-se acordar mais cedo para ir em direção ao trabalho. Mora-se mais longe, o transporte público é uma lástima e quem disse que se trabalha oito horas por dia? E o tempo que se gasta da casa para o trabalho e do trabalho para casa não conta? Se não influi no salário, prejudica muito a vida das famílias dos brasileiros.

Os passageiros circulam pelas ruas da cidade como se estivessem em latas de sardinha. Se essas pessoas pudessem abandonar seus empregos, o que não fazem pela necessidade de sobreviver, a cidade, o estado e o país parariam. E quero ver de onde viria o dinheiro para sustentar as mordomias e inutilidades encenadas pelos legisladores e administradores públicos.

 Recente pesquisa do Superior Tribunal Federal (STF) indicou que cerca de 90% do que é aprovado pelas câmaras municipais, estaduais e federais é anulado por ser inconstitucional. Isso deveria ser uma preocupação básica de qualquer servidor público: ler e aprender o que diz a nossa Constituição. Ela é a bíblia, a referência maior da cidadania. Nela estão inscritos os direitos e garantias do cidadão, que não podem ser negados nem violados. E também as obrigações nossas e dos que alcançam os cargos políticos.

 Mas canso de ler as propostas absurdas que são apresentadas às comissões e aos plenários. Perda de dinheiro que é nosso e não pode ser rasgado pela incompetência e má-fé dos que se elegem pelo voto popular. Cada projeto desses deveria ser punido com desconto nos salários de quem gasta o que não é seu com tamanho destemor e irresponsabilidade.

 O mais lamentável é que não se enxerga uma saída para essa situação. Os governos, em sua maioria, são medíocres, não conseguem vislumbrar um palmo além de seus narizes insensíveis. Qual é o projeto de Brasil que está sendo debatido neste momento, ou que foi discutido em tempos recentes ou remotos? Não há pensamento, reflexão, lucidez. Vivemos de remendos, de tapar os buracos surgidos depois da tempestade.

 E haja cachoeiras de escândalo e roubo descarado de dinheiro público para desanimar de vez o brasileiro trabalhador. Vestem máscara de honradez os vampiros da nacionalidade.

Há muito boas perspectivas para o país e para os brasileios. Mas será que dessa vez vamos mesmo romper as fronteiras que nos separam do verdadeiro desenvolvimento com justiça social, saúde, educação e cultura? Não basta desejar, torcer, fazer fé. Precisamos de ação lúcida e consequente, que raramente encontramos em nossos governantes. Não suportamos mais esperar o paraíso e permanecer no risco de nos transformar em um grande Maranhão.

P.S.: Para ter certeza de que a presidente deve vetar ou não o Código Florestal, precisaria conhecê-lo bem. Todos os que estão se manifestando, a favor ou contra, leram o catatau?

Fonte: Caderno EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 16/05/2012