Seja bem vindo(a)!!!





Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

SEU AURÉLIO É ELEITA A MELHOR BANDA DE ROCK DE CAPELINHA MAIS UMA VEZ

Por Tadeu Oliveira


O Seu Aurélio surgiu na cidade de Capelinha no ano de 2012, através do reencontro de alguns amigos que na infância e adolescência dividiram bancos escolares, aventuras em quintais de moradores locais onde furtavam frutas e jogos eletrônicos no fliperama Sub-Zero, cujo proprietário inspirou o nome da banda.

Antes de se tornar o Seu Aurélio, os meninos lapidaram seus talentos na banda “Especial Charlie Brown Jr.”, cover das versões acústicas dessa banda. O sucesso e o reconhecimento foram tão grandes que eles resolveram alçar voos mais altos. Partiram para um novo formato que juntava à pegada do rock a oralidade que marca a cultura da região ao compor canções cujas letras remetem aos causos regionais do Vale do Jequitinhonha, principalmente da cidade de Capelinha. Isso fica evidente nas composições autorais “O Chico”, “Zub-zero” e no próprio nome do conjunto.

A banda possui pouco tempo de estrada, mas muitos shows na bagagem e foi eleita nos anos de 2014 e 2015 como a melhor banda de rock da cidade de Capelinha através de pesquisa de opinião pública realizada pela REVISTA SOU MAIS MINAS.

Atualmente a banda é formada por Jonh Luiz, Lucas Neves, Carlos Geovane (o Dudu), Matheus Mozelli, Flávio Henrique, Jésus Alecrim e Fernando Cordeiro.

E o que faz o Seu Aurélio brilhar cada vez mais é o fato de seus integrantes manterem acesa a chama da amizade construída na convivência da adolescência e fortalecida na consonância de acordes enlaçados pela magia do rock quando eles se juntam no palco.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

MÚSICOS DE CAPELINHA ACOMPANHAM O CORAL VOZES DAS VEREDAS


Capelinha marcará presença no show AS ONHAS DO JEQUI 30 ANOS, oferecendo os seus excelentes músicos para acompanhar o Coral Vozes das Veredas. Estarão conosco no palco Carlos Geovane, Jonh Luiz e César Loredo.

Carlos Geovane, conhecido como Dudu, é integrante da Banda Números onde comanda as guitarras. O Jonh Luiz, conhecido por Jony, é um dos líderes e fundadores da Banca de rock Seu Aurélio. Dudu e Jony comandam os violões. César Loredo se encarrega da percussão e acompanha o Coral desde os primeiros shows.

Ainda faz parte desse time o veredinhense Vitor Oliveira no contra-baixo. Vitor é músico da Corporação Musical Manoel Alecrim, a banda de música de Veredinha, e toca violão para os corais que abrilhantam as missas da paróquia daquela cidade.

Dudu

Jonh

Vitor


César Loredo

terça-feira, 25 de março de 2014

CORAL DE VEREDINHA É CONVIDADO ESPECIAL DO SHOW "AS ONHAS DO JEQUI"



No dia 23 de fevereiro, quando se realizou o Seminário "Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural" na cidade de Araçuaí, o diretor executivo do ValeMais - Instituto Sociocultural do Jequitinhonha, Guilardo Veloso e o poeta e compositor Gonzaga Medeiros oficializaram convite para o Coral Vozes das Veredas participar do show "As Onhas do Jequi - 30 anos", dentro do projeto "Quando o Jequitinhonha Canta e Dança". 

Segundo Guilardo Veloso, o Coral de Veredinha foi escolhido "por ser um trabalho considerado pela crítica especializada muito importante de cultura e inclusão social, envolvendo jovens do Jequitinhonha, mas também pela dedicação, competência e seriedade da pessoa do coordenador e regente, Professor Tadeu Oliveira."

Criado em agosto de 2001 pela Associação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente de Veredinha – ADECAVE, o Coral Vozes das Veredas foi o primeiro trabalho de conto coral realizado por mim. Além do coral de Veredinha, trabalhei com o Coral Mali Martin na cidade de Itamarandiba, com o Coral Zabelê na cidade de Turmalina e com o Coral Plantar na cidade de Curvelo.

Depois de se apresentar nas cidades de Capelinha, Turmalina, Minas Novas, arbonita, Francisco Badaró, Berilo, Itamarandiba, Diamantina, Couto Magalhães de Minas, Angelândia e Araçuaí,  todas no Vale do Jequitinhonha, e nas cidades de Corinto e Itabira, em 2004 o Coral participou do 2.º Festival de Corais de Belo Horizonte, atualmente conhecido como FIC – Festival Internacional de Corais,  evento que faz parte do calendário cultural oficial do estado e que homenageou o Clube da Esquina, cantando para um público estimado em mais de 10 mil, tornando-se a grande atração do evento. A partir daí, o Coral sempre se fez presente nas edições seguintes do FIC – Festival Internacional de Corais de Belo Horizonte.

Em 2005, o Coral gravou o seu primeiro CD, intitulado “Um Canto Novo Num Cantinho do Vale” através de recursos subsidiados pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas.

Em 2006, participou do show Vozes do Vale, dentro do projeto Vale: Vozes e Visões, A Arte Universal do Jequitinhonha realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, junto com Rubinho do Vale, Pereira da Viola, Dea Trancoso, Josino Medina,  Zé Padre, Coral da Lavadeiras de Almenara e Coral Araras Grandes.

Em 2007, o coral participou do projeto Quatro Cantos – Coral na Praça, realizado pelo BDMG Cultural, se apresentando na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e em 2008, juntamente com Rubinho do Vale, cantou em solenidade do Programa de Combate à Pobreza Rural – PCPR, no Palácio da Liberdade. Antes, participou em 2006 do show Vozes do Vale, dentro do projeto Vale: Vozes e Visões, A Arte Universal do Jequitinhonha realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais.

Dentre várias publicações na imprensa, há de se destacar a crônica escrita por Fernando Brant no caderno de Cultura do Jornal Estado de Minas, datado de 1.º de dezembro de 2004 e republicada no livro Casa Aberta (Editora Dubolsinho, 2012) onde o poeta e compositor reuniu várias de suas crônicas originalmente publicadas no jornal mineiro.

A partir de 2006, o Coral inicia sua emancipação da ADECAVE e passa, no inicio de 2007, a contar com a colaboração de um grupo de pessoas de Belo Horizonte simpáticas ao trabalho ao meu trabalho. Na tentativa de buscar sobrevivência para o Coral, já considerado importante referência para a comunidade local, os pais fundam em 2008 a Associação Coral Vozes das Veredas e desde então vem buscando apoios diversos para sua manutenção.

Atualmente o Coral é formado por 23 integrantes com idade entre 12 e 23 anos, oriundos em sua maioria, de famílias carentes. O Coral Vozes das Veredas tem como premissa básica a coleta e registro de cânticos regionais do Vale subsidiados através da pesquisa junto a familiares e comunidades rurais.

Por onde o Coral Vozes das Veredas passa o público se emociona diante de sua Simplicidade e singeleza despertando a atenção de artistas como Rubinho do Vale, Fernando Brant e Tavinho Moura pelo belo trabalho desenvolvido pelo regente Tadeu Oliveira. O repertório é composto de músicas da MPB, folclóricas e regionais com uma pitada lírica, fundamentando a personalidade sonora do coral por toda a região do Vale do Jequitinhonha.

Clique nos links abaixo para ler artigo de Fernando Brant sobre a música mineira, onde cita o Coral Vozes das Veredas como uma das gratas surpresas do canto de Minas:

http://cantaminas.blogspot.com.br/2012/10/artigo-musica-e-mineiridade-1-parte.html

http://cantaminas.blogspot.com.br/2012/10/artigo-musica-e-mineiridade-2-parte.html (O autor cita o coral ao final do artigo)

segunda-feira, 24 de março de 2014

A MÚSICA DO VALE DO JEQUITINHONHA COMEMORA 30 ANOS DE ESTRADA


Em 1984 o Jequitinhonha desembarcava na capital mineira com a cultura popular, seus artistas grupos e agentes culturais. Aí se vão 30 anos e a capital mineira tornara-se uma parte do território cultural do Vale do Jequitinhonha. Hoje não há mineiro que não conheça as expressões culturais desta região são conhecidas mundo afora.

Para comemorar estes 30 anos, o Valemais – Instituto Sociocultural Jequitinhonha lançou o projeto “Quando o Jequitinhonha Canta e Dança”, que aconteceu em fevereiro com o seminário “Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural”, na cidade de Araçuaí. Este seminário reuniu mais de 50 cidades e quase uma centena de agentes culturais do Jequitinhonha, Mucuri, Belo Horizonte e várias partes de Minas.

A segunda parte deste projeto começará no dia 12 de abril de 2014, com a reedição do “As Onhas do Jequi” no Minascentro, com a gravação de um DVD. Esta será uma oportunidade imperdível de festejar a cultura popular. O show terá a participação de Paulinho Pedra Azul, Saulo Laranjeira, Rubinho do Vale, Frei Chico, Lira Marques, Coral Vozes das Veredas, Tadeu Franco, Gonzaga Medeiros e Tadeu Martins.

Já no dia 13, o encerramento terá outro grande show com outra comemoração, os 20 anos da carreira de Pereira da Viola com o show “Incelente Maravilha” convidando Titane, Wilson Dias, Josino Medina e Célio Sene.

É mesmo uma Incelente Maravilha, quando todos cantamos e dançamos com o Jequitinhonha!
SERVIÇO

Evento: Quando o Jequitinhonha Canta e Dança

Data: 12 de abril de 2014 – “As Onhas do Jequi”

Hora: 20h

Data: 13 de abril de 2014 – “Incelente Maravilha”

Hora: 20h

Local: Minascentro

Endereço: Avenida Augusto de Lima, 785 – Centro – Belo Horizonte

Informações: 31-9952-3054 - www.facebook.com/InstitutoValemais

Ingressos: www.sympla.com.br/valemais


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

QUANDO O JEQUITINHONHA CANTA E DANÇA

Em 1984, eu morava em BH e tive o privilégio de assistir ao show “AS ONHAS DO JEQUI” no dia 26 ou 27 de março, no Palácio das Artes. Naquele dia, a força e a energia das canções emanadas do mais profundo do Vale do Jequitinhonha mexeram muito comigo. Me senti arrebatado de tal forma a ponto de prenunciar àqueles que me acompanhavam que um dia haveria de morar nesse lugar encantador. 

Passado algum tempo, após viver os desígnios comuns a qualquer pessoa que sonha ser feliz, eis que a vida resolveu me tanger para o Vale do Jequitinhonha. Não demorou e logo me vi entranhado junto ao povo desse lugar. Colecionei amizades, realizei sonhos e dividi esperanças. 

Para minha grande alegria, acabo de receber um presente maravilhoso. Eu e o Coral Vozes das Veredas fomos convidados para participar do projeto “Quando o Jequitinhonha Canta e Dança” como convidados especiais do show “As Onhas do Jequi”, a se realizar no dia 12 de abril/2014, no Minascentro, em BH. O show contará com a participação de Saulo Laranjeira, Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, Gonzaga Medeiros, Frei Chico e Lira Marques. Em breve deverá ser oficializado pela Vale Mais que inclusive divulgará as informações com maiores detalhes. O convite foi oficializado pela VALE MAIS - Instituto Sociocultural do Jequitinhonha no Seminário “Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural”, realizado nesse fim de semana, em Araçuaí. 

Participar desse show, além de emblemático será também uma honra. Afinal, poder dividir o palco com esses artistas, principalmente com Rubinho Do Vale e Gonzaga Medeiros, pessoas que estreitei laços e construí amizades, é um regozijo. Porque mudar da condição de espectador, fã e admirador para a condição de coadjuvante só pode ser mesmo um presente de Deus. 

Muito obrigado à Vale Mais, Carlinhos Ferreira, Gonzaga Medeiros e Guilardo Veloso.

sábado, 3 de agosto de 2013

CONHEÇA A HISTÓRIA DO EXTINTO CABARÉ MINEIRO

Casa de shows aberta na Rua Gonçalves Dias, na capital, em 1985 fez parte 
da cena cultural mineira e foi palco para consagrar artistas como 
Marisa Monte, Ed Motta e Cássia Eller 


Felipe Canêdo


Turma de Wagner Tiso foi responsável por levantar a casa e levar para lá 
os agitos mais quentes de BH


Entre 1985 e 1992, na Rua Gonçalves Dias, número 54, uma casa de shows e espetáculos fervilhava como um dos pontos nevrálgicos da borbulhante cena cultural mineira e brasileira do período de abertura democrática: o Cabaré Mineiro. Pouca gente que passa hoje pela região do Bairro Funcionários, povoada de lojas e edifícios comerciais, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, imagina que o local onde há um prédio residencial foi palco de shows ontológicos de artistas que depois se consagraram no cenário nacional, como Marisa Monte, Ed Motta e Cássia Eller, e de medalhões do jazz internacional, como Wayne Shorter, Wynton Marsalis e Joe Pass.

“O Cabaré Mineiro marcou época pela sua pluralidade. Não só por causa dos artistas que se apresentavam lá, mas porque ele tinha atividades das mais variadas matrizes artísticas de segunda a segunda”, avalia Cláudio Rocha, um dos sócios fundadores do empreendimento. Com capacidade para 600 pessoas, 400 sentadas, o espaço foi especialmente projetado para receber os agitos mais quentes da capital mineira. “Era um prédio muito bonito. Ele era especial. O levantamos do chão.

Tinha um terreno baldio ali, a gente alugou e levantou o Cabaré, foi um negócio muito bonito, a gente tinha muita vontade”, conta o músico Wagner Tiso, que além de ter sido sócio da casa também se apresentava lá com frequência.

O projeto arquitetônico, assinado por Milton Reis, era inspirado no Teatro Municipal de Sabará, tinha palco italiano e mezanino e foi ornamentado pelos artistas Marcelo Xavier e Mário Valle. As garçonetes universitárias do Cabaré também chamavam atenção e atraíam clientela. “Foi um lugar extremamente pitoresco, a gente tinha uma programação variada com shows, teatro, cinema, literatura e discussões. Acho que o Brasil não tem hoje uma casa como o Cabaré”, afirma Tiso, com um tom de nostalgia na voz.

“Tinha leilão de quadros, muita coisa interessante, tinha um movimento político legal, acompanhando esse momento do país renascendo. Tenho uma lembrança de uma casa muito boa. Sinto saudades”, diz a produtora cultural Nely Rosa, que frequentava assiduamente o Cabaré Mineiro. O projeto Sempre um Papo, que até hoje promove discussões e palestras com personalidades da cena cultural brasileira em Belo Horizonte, também passou por lá.

Música

“A gente não tinha nenhuma experiência nessa área de casas noturnas, eu (Cláudio Rocha) e Wagner Tiso. O Tadeu Rodrigues (posteriormente substituído por Ramon Fiúza) entrou para nos ajudar. Talvez por isso tenha dado certo, nós tínhamos um olhar muito cultural, claro que um olhar financeiro também, mas muito cultural”, lembra Rocha. Segundo ele, um dos primeiros shows da carreira de Marisa Monte aconteceu no Cabaré Mineiro. “Ela tinha tocado em um lugar pequeno no Rio de Janeiro, nós ficávamos muito atentos à cena cultural brasileira, então fizemos um show dela aqui e foi um sucesso, lotou. Foram três noites”, conta. Rocha cita também Ed Motta “Ele era desconhecido quando tocou no Cabaré”, diz. As
bandas Veludo Cotelê e Ouro de Tolo também marcaram época no palco do casa.

A ideia do Cabaré Mineiro surgiu da necessidade de haver um palco onde alunos da Música de Minas Escola Livre pudessem se apresentar. O empreendimento tinha como sócios Wagner Tiso, Cláudio Rocha e Milton Nascimento e funcionou entre 1980 e 1986. “Foi a primeira escola de música livre de BH e formou uma geração de músicos”, afirma Cláudio. Samuel Rosa, do Skank, Maurício Tizumba e Flávio Henrique foram alunos. Entre os professores estão Juarez Moreira, Gilvan de Oliveira e Babaya. Segundo Rocha, mais de
50% dos alunos da escola eram carentes e muitos deles eram bolsistas.

O Cabaré Mineiro fechou as portas em 31 de março de 1992 pois o dono do terreno onde ficava a casa não quis renovar o contrato de aluguel. Entre os vários artistas que se apresentaram estava Paulinho Pedra Azul, que lançou um livro de sua autoria naquela noite.
Atrações de renome Muitos artistas de renome se apresentaram no Cabaré Mineiro, como Adriana Calcanhotto, Leila Pinheiro, Nara Leão, Nana Caymmi, Cauby Peixoto, Luiz Melodia, Eduardo Dusek, João Bosco, Cida Moreira, Belchior, Jorge Ben e Banda Zé Pretinho, Jane Duboc, Lúcio Alves, Amelinha, Ednardo, Sivuca, Taiguara, Dominguinhos, Grupo Rumo, Ná Ozzetti, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Eliete Negreiros, Boca Livre, Olívia Byington, Paulo Moura. Pratas da casa, agitaram o palco do Cabaré Milton Nascimento, Wagner Tiso, Toninho Horta, Tavinho Moura, Beto Guedes, Lô Borges, Marco Antônio Araújo, Grupo Uakti, Paula Santoro, Titane e Sylvia Klein. Entre as atrações internacionais que passaram por lá, além de Wayne Shorter, Wynton Marsalis e Joe Pass, também se apresentaram Toots Thielmans e Al Di Meola.

Linha do tempo

1980
Wagner Tiso, Cláudio Rocha e Milton Nascimento abrem a Música de Minas Escola Livre

1985
Abertura do Cabaré Mineiro com programação inusitada e intensa

1986
Show de Sérgio Sampaio lota a casa

1987
A então desconhecida Marisa Monte é um sucesso e faz três apresentações no Cabaré

1990
Bandas Ouro de Tolo, Veludo Cotelê e Hocus Pocus se tornam frequentes, assim como a Banda Buick 90, que tocava todas as quintas-feiras

1992

Contrato de aluguel termina e o Cabaré Mineiro é fechado com grande festa


Fonte: Portal Uai: EM.COM.BR Publicação: 03/08/2013 06:00 - Atualização: 03/08/2013 07:06

domingo, 30 de junho de 2013

IDENTIDADE EM SEIS CORDAS

Da origem seresteira popular à riqueza harmônica com toques do barroco e do jazz, Minas Gerais criou uma escola própria de violão, que se destaca no cenário nacional

Geraldo Viana (*)

Toninho Horta, Chiquito Braga e Juarez Moreira: 
a música mineira sempre esteve em boas mãos 
Foto: Fernando Fiúza/Divulgação
O violão representa, em nosso país, um pouco da alma brasileira. A origem exata dessa  popularidade não se sabe. O que podemos afirmar é que ilustres músicos se renderam a esse e instrumento e que Minas Gerais tem hoje uma escola definida no cenário nacional e internacional.

Há várias vertentes que cultivam linguagens diferentes nesse instrumento. Desde o paulista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), com uma linguagem refinada e desafiadora unindo técnica e bom gosto, com propostas harmônicas arrojadas, até Baden Powell, um estilista que criou e eternizou os afros-sambas juntamente com Vinicius de Moraes.

Por sua vez, a escola erudita também nos presenteou com grandes violonistas do porte de Sérgio e Eduardo Abreu e o duo Assad (Sérgio e Odair), que representaram e representam o virtuosismo e a musicalidade brasileiros nos mais importantes teatros do mundo todo, com o glamour de estrelas.

Da escola popular, herdeira da tradição seresteira, com suas raízes na modinha e no fado, temos ainda Américo Jacomino (Canhoto), que compôs a célebre valsa Abismo de rosas, João Pernambuco, violonista vigoroso e compositor profícuo, autor de pérolas como Sons de carrilhões e Jongo (Interrogando), até chegar ao maior representante dessa escola, Dilermando Reis, que frequentou e abrilhantou as famosas serestas de Juscelino Kubitschek, em Diamantina. Nesse cenário, surge, em princípio timidamente, a escola mineira.

Mozart Bicalho se destacou por suas composições. Entre elas, a célebre valsa Gotas de lágrimas. Gravada e popularizada por Dilermando Reis, essa valsa já aponta para uma escola voltada para o apuro técnico, virtuosístico e para o sentimentalismo melódico no violão mineiro. Dessa linhagem fazem parte Nélson Piló, importante arranjador e professor de violão, e músicos violonistas como Sebastião Ildefonso e José Vieira, que iriam exercer importante papel na divulgação do violão com seus programas de rádio e gravações em LP.

Enquanto isso, já estava formado o embrião que culminaria no que hoje chamamos de harmonia mineira. Também de origem incerta, dando margem para muita especulação, a música composta em Minas Gerais assumiria um papel fundamental na chamada música elaborada, com ares de “impressionismo tardio”.

Segundo relatos do violonista José Pascoal Guimarães, colecionador e dono de um grande acervo do violão, conclui-se que a origem e o desenvolvimento desse nosso talento remonta à primeira metade do século 20. Naquela época, frequentavam Minas Gerais o músico Garoto e Radamés Gnatalli, em visitas a Pedro Quintão, casado com uma irmã de Chico Xavier.

José Pascoal conta que eram comuns as idas desse grupo de amigos à cidade de Pedro Leopoldo visitar Chico Xavier. Segundo ele, o violonista Garoto não abandonava seu amigo violão em hipótese alguma e mesmo durante a viagem, por estradas de terra em péssimas condições, o violonista exercitava suas habilidades de instrumentista e compositor.

Nos fins de semana, hospedado na casa de Pedro Quintão, em Belo Horizonte, nas tardes de domingo, Garoto, com seu violão modelo Dinâmico e com o auxílio de alto-falantes montados na porta da casa do amigo, lotava uma rua do Bairro Sagrada Família com crianças, adultos, idosos e casais de namorados, além de estudiosos do violão, que assistiam e aplaudiam o virtuoso instrumentista. Daí a suposição do êxtase experimentado pelo público ao ouvir peças tão modernas como Jorge do Fusa e Tristezas de um violão entre as hoje populares Gente humilde e Naqueles velhos tempos.

Influência do jazz Coincidência ou não, alguns anos depois, um grupo formado por jovens músicos, nas  horas dançantes de fins de semana, no Bairro Horto, experimentava os acordes do jazz, sob a influência da audição de grandes orquestras e da música de Debussy e Ravel. Segundo Chiquito Braga, um dos frequentadores, eram comuns as idas à casa do contrabaixista Paulo Horta, onde tocavam e ouviam discos dos grandes músicos da época.

Nessas reuniões já havia um “garoto” que com olhar tímido e ouvido atento se ligava nas modernidades e riscos que os verdadeiros criadores buscam. Seu nome era Toninho Horta. Chiquito Braga lembra que Toninho, ainda garoto, talvez somente observando, já tenha delineado ou vislumbrado um caminho para a estilística que iria desenvolver, por meio de muito estudo e dedicação, nos próximos anos.

Nessa vertente, a fusão da religiosidade do barroco mineiro com a sofisticação harmônica produziu músicos do quilate de Juarez Moreira, que, fiel à tradição violonística, desenvolve importante trabalho de composição na música instrumental, sendo considerado um dos mais importantes estilistas de nosso tempo. Seguidores dessa tradição, violonistas como Gilvan de Oliveira, Weber Lopes, os irmãos Beto e Wilson Lopes, entre outros, dão continuidade a essa corrente, que a cada instante ganha novos adeptos. Todos voltados para a criação e continuação da música que se notabilizou pelo apuro técnico a serviço da sofisticação.

No campo didático, tivemos importantes violonistas professores, como José Lucena, responsável pela primeira cadeira de violão em uma universidade (UFMG), hoje muito bem representada pelo violonista Fernando Araújo, e violonistas experimentadores, como Teodomiro Goulart. que, com grande arrojo, desenvolveu um importante sistema de ensino do instrumento e da música, tornando-se, também como compositor, uma referência para o repertório moderno do instrumento.

As influências foram se desdobrando e sendo passadas como herança de uns para os outros. Com isso foi cultivado em nosso meio uma espécie de inquietude que dá à música mineira uma qualidade ímpar embasada pela irreverência e, sobretudo, pelo alheamento aos modismos e à música de entretenimento praticada por gravadoras do eixo Rio – São Paulo.

Violonistas como Aliéksey Vianna, Tabajara Belo, Humberto Junqueira, Thiago Delegado, Lucas Telles, Frederico Hermann, Guilherme Koeppel, Ronaldo Cadeu, Guilherme Vincens, Sílvio Carlos e Carlos Walter, entre outros tantos, garantem um futuro produtivo e criativo para o violão em Minas Gerais.

De suas cordas e da fusão de estilos podemos ouvir e perpetuar os ecos do passado, quando se podia ouvir um violão com harmonias arrojadas que brotavam das ruas e janelas da Sagrada Família e do Horto, em Belo Horizonte, e encantavam as serestas mineiras.

(*)Geraldo Viana é violonista e compositor.

Fonte: Publicado no Caderno Pensar, Jornal Estado de Minas, do dia 29/06/2013.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

CAFÉ ARANÃS APRESENTA "JARDIM ESTAMPADO DE GENTE"

Empresa realiza em Capelinha exposição com o artista plástico Gildásio Jardim, mineiro de Padre Paraíso, com curadoria de Tadeu Oliveira


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O Café Aranãs é uma empresa que sempre valorizou a cultura do Vale do Jequitinhonha. E uma vez mais, esta empresa do setor da cafeicultura traz um grande artista do Vale do Jequitinhonha à cidade. 

Intitulada "Jardim estampado de gente", a exposição ficará durante 30 dias em Capelinha e será itinerante: a mesma passará por escolas, bancos, estabelecimentos comercias e institucionais.

A exposição será aberta na noite do dia 27 de junho na abertura oficial do JEQUISABOR - Festival Gastronômico e Cultural 2013, que acontecerá no Galpão Cultural Maria Odeth Sampaio, às 20 horas.

O CAFÉ ARANÃS
Fundado em 1992, o Café Aranãs tem o seu nome ligado tanto ao mito de fundação quanto à história da cafeicultura de Capelinha. Afinal, o termo indígena Aranãs vem significar justamente “aves provenientes do sul”. E o empresário Sérgio Meirelles Filho é um cafeicultor proveniente do sul de Minas!

A empresa há mais de 20 anos oferece produtos de qualidade desde as etapas do cultivo e torrefação, até chegar à sua mesa. E cabe a você, como todo bom brasileiro que se preza, apenas escolher o acompanhamento de sua preferência: seja pão-de-queijo, bolo de fubá, biscoito de polvilho, uma boa talhada de queijo ou, como dizem os mineiros, café com língua! Isto mesmo! Um cafezinho pra esquentar a prosa!

Desde que o Café Aranãs entrou no mercado, o consumidor elogia o seu padrão de qualidade, um dos maiores atributos da empresa. Afinal, o interesse do Café Aranãs não é o de ser o maior torrefador da região, mas sim o melhor ao produzir sempre um café de qualidade!

Recentemente, após investir em várias pesquisas, a EPAMIG desenvolveu uma nova variedade de café cujo nome é uma homenagem à cafeicultura desenvolvida em Capelinha e todo leste mineiro: Aranãs.

Se a arte e a cultura sempre tiveram um grande número de amantes do café como Johan Sebastian Bach (1685-1750), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Cândido Portinari (1903-1962) só para citar alguns, a empresa tem um compromisso de apoiar vários eventos e artísticos e culturais em Capelinha e região, dando-lhes o seu devido valor.


QUEM É GILDÁSIO JARDIM
Artista plástico e professor de Geografia, natural de Padre Paraíso - MG, cidade do médio Vale do Jequitinhonha, esse emergente artista pinta desde os 13 anos de idade quando ainda era morador da comunidade Abelha Brava, na zona rural de sua terra natal.
No início sua pintura era só decorativa: paisagens, flores e animais. Ao ingressar no curso de licenciatura em Geografia pela UNIMONTES, recebe influências acadêmicas que acabam por influenciar sua arte. E ao frequentar o FESTIVALE (Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha), cuja maior característica é o de ser um festival itinerante, lança um outro olhar sobre sua própria realidade.
Dono de uma técnica singular e inovadora, Gildásio Jardim produz pinturas em telas confeccionadas em tecido chita de variadas estampas que são lembranças que povoam seu imaginário desde a infância vivida no meio da gente do sertão do Vale do Jequitinhonha, provocando a fusão dos personagens e as cores de suas vestimentas com a própria tela. Assim, de cada estampa desabrocha um personagem ou uma experiência vivida e/ou sentida da cultura popular.

CURADORIA E MONITORIA: TADEU OLIVEIRA
Graduado em História, há mais de 10 anos Tadeu Oliveira apresenta o programa Canta Minas – O Som das Gerais na rádio Aranãs FM, de Capelinha.

Sempre antenado com as manifestações artísticas e culturais de Capelinha e do Vale do Jequitinhonha, há mais de 10 anos atua em parceira com o Café Aranãs organizando eventos artísticos e culturais.

COLABORAÇÃO: AMBA MUSICAL
A Amba Musical é um projeto artístico-cultural desenvolvido e mantido pela AMBA (Associação dos Moradores do Bairro Aparecida), da cidade de Capelinha. Alguns dos adolescentes e jovens que participam do projeto colaboram como monitores nesta exposição.


SERVIÇO:
EXPOSIÇÃO: “JARDIM ESTAMPADO DE GENTE”, do artista plástico Gildásio Jardim, de Padre Paraíso MG
Local: Exposição itinerante na cidade de Capelinha MG
Data: de 27 de junho a 27 de julho de 2013
Curadoria e Monitoria: Tadeu Oliveira
Apoio Cultural: Programa Canta Minas
Colaboração: Amba Musical
Realização: Café Aranãs

domingo, 9 de junho de 2013

FÉ NA VIDA

Frei Chico lança dicionário com 8,5 mil verbetes sobre a religiosidade popular
brasileira. Obra surgiu da relação do padre holandês com a gente simples do Vale
do Jequitinhonha
Sérgio Rodrigo Reis

Em 1967, quando frei Chico veio da Holanda para o Vale do Jequitinhonha, aquela região de Minas Gerais era considerada um dos três lugares mais pobres do mundo. Diante de tanta miséria, o holandês descobriu riqueza cultural sem precedentes. “Aquilo deu sentido à minha permanência no Brasil”, revela o frade franciscano. Em seus 10 anos como pároco da diocese de Araçuaí, ele contabilizou 15 mil folhas de registros da cultura do povo relacionada à fé e à experiência espiritual. Somado a pesquisas realizadas na Europa, esse vasto material foi a base de um ambicioso projeto, o Dicionário da religiosidade popular: cultura e religião no Brasil. Com 1.150 páginas, a obra de referência chega agora ao público, reunindo 8,5 mil verbetes, 6 mil notas de rodapé e 350 ilustrações.

Lançado pela Editora Nossa Cultura, o livro surgiu por acaso na vida de Francisco van der Poel, o popular frei Chico. “Para poder servir, havia de conhecer aquele povo”, resume ele. A inspiração veio do canto de Filó, a cozinheira da casa paroquial, em Araçuaí. Era algo belo e incomum. “Filó gostava de cantar e resolvi gravar as músicas em fitas cassete, as mesmas que serviram para o repertório do Coral dos Tangarás. Há 43 anos, tive a honra de fundar o grupo, que continua até hoje”, orgulha-se ele.

As viagens a municípios da região de Araçuaí – “em lombo de burro velho, nos fins de semana” – trouxeram novas descobertas. A amizade com a ceramista Maria Lira Marques está entre elas. “Lira abriu as portas da sabedoria popular para mim, o estrangeiro que acabara de chegar”, conta o religioso. Frei Chico viveu 10 anos naquela região. Nesse período, cuidou de registrar as peculiaridades do povo simples com olhar antropológico e visão humanista. “Quando cheguei a Araçuaí, tudo era tão diferente da minha terra, a língua, a cultura, a maneira de tratar as doenças... Ouvia aquela gente se referir a problemas de saúde como carne quebrada, vento virado, espinhela caída e mau-olhado. Comecei a ficar curioso”, diz frei Chico. Cada nova descoberta dava origem a uma anotação.

O Dicionário da religiosidade popular: cultura e religião no Brasil reúne essas descobertas. “Não tinha parâmetro para ele, não há outro livro parecido. Precisei inventar uma fórmula. Coloquei, por exemplo, todo o depoimento do povo – entrevistas, cantos e histórias – em itálico para o leitor perceber onde está a parte mais importante”, informa. À medida que o projeto ganhou consistência, o frade percebeu que em Minas não havia pesquisadores com interesse semelhante. A certeza do pioneirismo do dicionário se confirmou depois da aproximação de Chico com o folclorista Câmara Cascudo e com Carlos Rodrigues Brandão, antropólogo da Universidade de Campinas (Unicamp), responsável pela introdução do livro.

Inicialmente, frei Chico pensou em escrever um manual da religiosidade popular. Tentou esboçar algo nessa linha, mas concluiu que não seria possível sintetizar cultura tão vasta. Assim surgiu o dicionário. “A função do dicionarista não é resolver problemas, mas registrar. Aprendi que não é a lógica que manda, mas o bom senso e a busca de coerência. Preocupei-me não em fazer uma síntese, mas algo orgânico”, detalha. A intenção é conduzir o leitor por uma espécie de viagem rumo ao universo do povo. “As pessoas começam a ler e, de repente, já estão com os 10 dedos no dicionário, marcando links de interesses”, afirma.

Nos últimos 40 anos, frei Chico pesquisou dentro e fora do país assuntos ligados à cultura e fé popular. Chegou à Europa, vasculhou antigos arquivos de Portugal em busca de pistas que pudessem elucidar questões ligadas aos saberes do povo humilde do Vale do Jequitinhonha. “Consultei livros de história, de farmacopeia medieval e até de bruxaria. Reuni 2 mil volumes. Quando concluí o dicionário, doei esse material para a biblioteca da PUC Minas, em Belo Horizonte”, informa o frade.

A pesquisa demorou, mas o livro ficou do jeito que frei Chico sonhou. “Continuo dizendo: o resultado é apenas o começo do princípio de alguma coisa”, garante ele. “Passei por uma reciclagem de ideias. Deparei-me com saberes marcantes e eles mudaram a minha noção de historiografia, a maneira de me relacionar com Deus e com o próprio significado da palavra cultura.” Não é à toa que os verbetes preferidos dele explicam o significado de simples e de sabedoria.

DICIONÁRIO DA RELIGIOSIDADE POPULAR: CULTURA E RELIGIÃO NO BRASIL
De Francisco van der Poel (frei Chico)
Ilustrações: Lira Marques
Editora Nossa Cultura, 1.150 páginas, R$ 290
Informações: www.nossacultura.com.br

FRUTOS DA TERRA
Frei Chico convidou a ceramista Maria Lira Marques, sua mentora na viagem pelo imaginário popular do Vale do Jequitinhonha, para ilustrar o dicionário. Em 350 desenhos surgidos de pigmentos extraídos das diferentes tonalidades de terra da região, a artista imortalizou personagens populares, festas, emoções e curiosidades. “Os desenhos reforçam o caráter da obra. Lira desenha com terra. Se fosse simbolizar o livro, seria com algo como o chão. Aprendi uma coisa lá atrás com o Paulo Freire: para ajudar o povo, é preciso, em primeiro lugar, valorizar o que ele já tem – cultura, história, ideias, lideranças”, ensina frei Chico.

Saiba mais

O MISSIONÁRIO
Francisco Van der Poel nasceu na Holanda, na área rural de Zoeterwoude, e entrou para o convento em 1960. Dois anos depois, ingressou no internato diocesano. Naquela época, havia 1.234 frades holandeses e um terço trabalhava como missionário em países como Índia, Paquistão, Indonésia, Japão e Brasil. O jovem frade ouviu relatos da experiência dos colegas nas Américas. Francisco chegou ao Brasil em 1967. Em Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira, assistiu pela primeira vez a um desfile de carnaval. Em São João del-Rei, participou das celebrações da semana santa. Nomeado pároco de Araçuaí, morou 10 anos no Vale do Jequitinhonha.


Fonte: Jornal Estado de Minas, caderno Pensar, publicação: 08/06/2013.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

JEDERSON CORDEIRO FAZ BELA APRESENTAÇÃO NO 30° FESTIVALE


O Capelinhense Jederson Cordeiro canta a música Renascer, de sua autoria, e é forte concorrente no Festival de Música do 30° FESTIVALE, em Medina

Por Tadeu Oliveira



Ontem à noite, dia 24 de janeiro, debaixo de muita chuva aconteceu a primeira noite do Festival de Música "Luciano Camargo", evento realizado dentro do FESTIVALE.

O músico capelinhense Jederson Codeiro feliz belíssima apresentação da música Renascer, de sua autoria, e é forte concorrente a alguma premiação. Além dele, mais nove concorrentes apresentaram suas canções. Hoje acontecerá a segunda noite com a apresentação de mais 10 concorrentes. 

Amanhã, sábado (26), acontecerá a apresentação das 10 músicas selecionadas entre as 20 concorrentes para aí acontecer a premiação dos primeiros lugares.

A cidade de Capelinha se faz presente no 30° FESTIVALE através de representantes da Casa da Cultura, de setores culturais independentes como o Instituto CriaSom, da Rádio Aranãs FM e do programa Canta Minas.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

CORREIOS LANÇAM SELO EM HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE LUIZ GONZAGA



Os Correios lançam, nesta quinta-feira, um selo em homenagem ao centenário do nascimento do cantor e sanfoneiro Luiz Gonzaga, conhecido como o Rei do Baião, nas cidades de Juazeiro do Norte (CE), Recife e Exu (PE). Os selos terão tiragem de 300 mil exemplares, com valor facial de R$1,20 cada.

A arte é do pernambucano Jô Oliveira, que usou o desenho a nanquim e a pintura para produzi-la. Na imagem, o artista utilizou vários elementos retratando a vida sertaneja do cantor e a música Asa Branca, um de seus grandes sucessos. Em primeiro plano, a imagem do cantor vestido com a tradicional roupa de vaqueiro nordestino e chapéu de couro, segurando uma sanfona. Ao alto, no canto direito, a coroa representa a majestosa obra do cantor, batizado de Rei do Baião por seus fãs.

Os selos podem ser adquiridas na loja virtual, na Central de Vendas à Distância - centralvendas@correios.com.br - e nas agências dos Correios em todo o Brasil.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

RODA PIÃO, BAMBEIA PIÃO


Fernando Brant

Estou na cozinha da casa de Vera Brant, cercado, como é de hábito, por gente sensível, inteligente e criativa. Lá fora, na noite, o flamboyant impera. Tenho ao meu lado, no melhor lugar de todas as casas, o maestro Jobim e Gonzaguinha. Diante de quem tem o que dizer, e pensa com profundidade mesmo as coisas do cotidiano, prefiro falar pouco e ouvir.

A cerveja molha as gargantas e os bolinhos de feijão nos alimentam. A música, a poesia, as pessoas e o mundo eram nossos assuntos e o tempo parecia não existir. Mas estou agora ouvindo uma seresta à frente de nossa casa, em Caldas, Minas Gerais, na véspera do dia em que meu pai, juiz da comarca, se despedia da cidade para assumir o mesmo cargo em Diamantina. As imagens são nubladas quando me lembro do ocorrido. Não tinha completado 5 anos. Ficaram os sons da saudade dos que ficavam e da gratidão dos que partiam.

E agora estou, de calças curtas e mirando o presente, pisando nas pedras capistranas do Tijuco com minhas sandálias de sola de pneu, que nunca acabam. Vou comprar a revista O Cruzeiro para meus pais e aproveito e adquiro o primeiro exemplar brasileiro da Luluzinha e sua turma.

O Zé Aparecido me leva para jantar com ele no Palácio dos Buritis. Eu e o Hildebrando Pontes nos surpreendemos com a presença iluminada e bem-humorada do Oscar Niemeyer. Foi uma alegria sem precedentes, dessas que só o Zé tinha capacidade e generosidade de oferecer aos amigos.

No Bar Scotelaro, em Belo Horizonte, rompo a madrugada bebendo cerveja com Dedé, Caetano Veloso e minhas irmãs Vina e Ana. Ali mesmo iniciara, numa noite de novembro, a comemoração pelo nascimento de minha primeira filha e, mais tarde, da segunda.

Com paletó do Toninho Horta, calça preta minha e gravata borboleta de não sei quem, subo ao palco do Maracanãzinho entupido de gente para, a seu lado, assistir ao meu parceiro, Milton Bituca do Nascimento, cantar a nossa Travessia, que abria todos os horizontes para nós.

No meio de todo esse rodopio temporal e geográfico, a memória me leva e traz pelos caminhos de minha existência. Não me lembro como começou nem sei como se encerrará. Mas aprendi muito, disso tenho certeza. Quando olho para os que me cercam, a vontade que tenho é de gritar ao mundo que é com afeto, compreensão, carinho que seremos saudáveis parceiros na construção de um mundo mais justo.

A consciência de que podemos conviver em harmonia e a sede de beleza que só a amizade, o amor e a cultura podem nos ofertar me embala a fazer rodar o pião que vai encantar as crianças do mundo.

Fonte: EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 12/12/2012

SHOW NA IGREJA EM SANTA TEREZA


Gabriel Guedes lança o segundo disco de sua carreira
Foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press
O cantor, compositor e instrumentista Gabriel Guedes escolheu um local inusitado para lançar seu segundo disco, batizado com o próprio nome. Ele vai fazer show hoje à noite, na Igreja de Santa Tereza, que fica no coração do bairro mais musical de BH.

Gabriel explica que a opção tem motivo para lá de sagrado: a acústica. “A igreja é revestida com sonex, espuma que abafa o som. Quando visitei a Holanda, assisti a vários concertos dentro de igrejas e resolvi trazer essa ideia para BH. Espero que o primeiro projeto com a curadoria da Igreja de Santa Tereza abra espaço para outras apresentações”, informa Gabriel.

O show desta noite contará com vários convidados: Rodrigo Borges, Marina Machado, Vladimir Magalhães, Jasmin Godoy, Daniel Romano, Bárbara Barcellos, Eduardo Sangy e Arthur Pádua. O grupo que o acompanhará foi especialmente montado para o espetáculo. A Orquestra Estratossônica de Minas Gerais reunirá Chico Amaral (saxofone), Neném (bateria), Magno Alexandre, (guitarra), Bruno Malagutti (piano e teclados) e Adriano Campagnani.

O novo CD traz a faixa Estrela cadente (com participação do pai de Gabriel, Beto Guedes, além de Lô Borges, Milton Nascimento, Toninho Horta, Flávio Venturini e Tavinho Moura). O primeiro disco do artista foi dedicado ao cancioneiro de seu avô Godofredo Guedes.

GABRIEL GUEDES
Igreja de Santa Tereza. Praça Duque de Caxias, s/nº, Santa Tereza. Hoje, às 20h30. R$ 40. Informações: (31) 3483-6341 e (31) 9811-6193.

Fonte: EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 12/12/2012

MINAS UNIVERSAL


O cantor e compositor Rubinho do Vale comemora três décadas de carreira com o CD Estrada. As canções se inspiram tanto no Jequitinhonha quanto nas cosmopolitas Barcelona e Berlim

Por Eduardo Tristão Girão 


Cantor e compositor Rubinho do Vale
Foto: Élcio Paraíso/Divulgação

Estrada, novo disco do cantor e compositor mineiro Rubinho do Vale, serve não apenas de pretexto para a comemoração de seus 30 anos de carreira, mas também para marcar o retorno do artista ao repertório destinado ao público adulto, pois há 20 anos ele tem lançado álbuns autorais dedicados às crianças.

Há cinco anos Rubinho não lançava um trabalho para os maiores de 10 anos. Para gravar o novo disco, ele tirou da gaveta as composições que vinha guardando. A noite de autógrafos será hoje, no Boi Lourdes, em Belo Horizonte. O show está previsto para janeiro.

“Por causa dos 30 anos de carreira, pensei em fazer coletânea, mas acabei optando por gravar só inéditas”, conta Rubinho. São 13 faixas, quase todas assinadas pelo artista, que selecionou também parcerias com Gildes Bezerra (Percurso), Wesley Pioest (Conforme o vento), Geovane Figueiredo (Jequitinhonha), Paula Benevides (Prelúdio do interior) e João Evangelista (Galope).

Jequitinhonha

O repertório é aberto com BH, Barcelona e Berlim, canção na qual Rubinho exalta o caráter universal da música. O artista segue fiel a elementos estéticos que ajudam a identificar facilmente seu trabalho com o universo interiorano, seja na letra ou na melodia. “Não gosto muito da expressão música regional, pois quando canto a minha região, o Vale do Jequitinhonha, canto o mundo”, explica ele – nascido na cidade de Jacinto e criado em Rubim.

Essa impressão pode ser reforçada pela participação de quatro convidados especiais do disco: o violeiro Ivan Vilela, o cantor e violinista Antônio Nóbrega, a cantora Fernanda Takai e o filho de Rubinho, Davi Botelho, que canta em Conforme o vento.

“As participações deixaram meu disco mais rico e aberto. Quem ouvi-lo perceberá a evolução, mas sem sair dos trilhos”, comenta Rubinho. O álbum foi gravado entre maio e julho na capital mineira. Direção e arranjos ficaram a cargo dele e do violonista Fernando Rodrigues.

“No passado, sabia que minha música não agradava comercialmente a rádios e gravadoras. Muita gente achava que era um trabalho folclórico, mas essa é a característica de que mais gosto”, desabafa o compositor mineiro. Com o tempo, veio a certeza de que ele queria mesmo compor nessa linguagem. “O Antônio Nóbrega me ajudou a perceber, por meio de seus discos, que era possível construir uma obra cantando as coisas da minha região”, conta Rubinho.

Pequenos

Estrada não fará Rubinho deixar de lado sua produção voltada ao público infantil, iniciada em 1990 com Ser criança. O oitavo título do gênero já foi gravado e deve ser lançado em março. “Não procurei a música infantil; ela me procurou. De tanto ver a mesmice oferecida às crianças, resolvi fazer algo que refletisse a infância no interior, que era tão bonita”, explica.

Autoral, esse disco conta com cantigas de roda cujos versos registram experiências de Rubinho com números e letras. “Não fiz isso para ser pedagógico, mas porque acho engraçado mesmo”, completa. Seu álbum mais recente dedicado às crianças é Arraiá do Rubinho (2009), que contempla o universo das festas juninas. Por conta dessa discografia para baixinhos, o artista tem o prazer de receber cartas elogiosas do Brasil inteiro.

NOITE DE AUTÓGRAFOS
Lançamento do disco Estrada, de Rubinho do Vale. Hoje, às 19h, no Boi Lourdes (Avenida Getúlio Vargas, 1.238, Savassi). Entrada franca. O CD estará à venda por R$ 20. Informações: (31) 3077-9562.

Fonte: EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 12/12/2012.