Seja bem vindo(a)!!!





Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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domingo, 12 de junho de 2016

ESCRITOR DE TURMALINA LANÇA LIVRO NO SEMINÁRIO VISÕES DO VALE X

O multifacetado artista Gilmar Souza lançará do livro “Entre a arte e a peleja”  
em Belo Horizonte


Gilmar Souza e o seu livro
Mais um grande momento na vida de arte e de peleja de Gilmar Souza. A sua grande façanha dessa vez, será no Seminário Visões do Vale X, nos dias 13 e 14 de junho, cujo tema definido para o evento deste ano é “Vale do Jequitinhonha: Desafios da urbanização”, realização do Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha. 

Na oportunidade, o multifacetado artista Gilmar Souza lançará o livro "Entre a Arte e a Peleja". Esta sessão está prevista para o dia 14 de junho, às 11 horas, no auditório 1 da Faculdade de Ciências Econômicas (FACE), no Campus Pampulha.

Nascido em no Distrito de São Sebastião de Boa Vista, município de Chapada do Norte, esse trovador e contador de prosas e lorotas não falava nem andava até os cinco anos de idade. Diziam os curiosos que ele estava era inventando na surdina para soltar a língua mais tarde.

Professor de Ensino Religioso, Literatura E História, lecionou nas Escola Estadual Américo Antunes de Oliveira, CEART, EFAT e na Escola Municipal São João Batista.

Radialista, poeta cordelista, trovador, ator, estre de Folia de Reis, membro da Marujada de Nossa Senhora do Rosário Gilmar Souza é também apresentador de eventos e voluntário nos movimentos culturais e em várias instituições que prestam serviços socais.



Gilmar Souza com a lamparina na abertura das OlimPiadas
Espirituoso, Gilmar Souza tem passado a lamparina por algumas cidades do Vale do Jequitinhonha, uma vez que a tocha olímpica não alcançou alguns rincões. Ele diz que a cidade que quiser receber as "OlimPiadas" pode requisitar a passagem da lamparina.

Quando se vai a Turmalina não é difícil destacá-lo: sempre com seu chapéu na cabeça e o embornal do lado, ele vai ganhando o mundo com suas boas conversas, sempre levando, nas suas lorotas e prosas bem contadas, o nome da cidade de Turmalina. Afinal, segundo a escritora turmalinense Janeuce Cordeiro, um contador de prosas é sempre um ladrão de sorrisos, uma sementeira de alegria.


O LIVRO "ENTRE A ARTE E A PELEJA

Prefaciado pelo turmalinense Dr. João Valdir Alves de Souza, Professor Associado de Sociologia da Educação na UFMG e Vice-Diretor da Faculdade de Educação (FAE-UFMG), o livro de Gilmar Souza é recheado de prosas, trovas e potocas, folguedos e fanfarras. Gilmar também não se descuida do pedacinho do sertões que cruzou e nem da sua Turmalina, Turmalinda. Tradição, fé e religiosidade popular que permeia o Vale do Jequitinhonha que vale a pena viver e conhecer também são muito bem retratados por este poeta popular que nunca deixa de voltar às suas raízes. 


Se Gilmar Souza abusa das estórias hilárias que compõe o imaginário popular e de personagens singulares do Vale do Jequitinhonha, ele também nos leva a reflexões sobre temas como meio ambiente, inclusão social, a luta do dia-a-dia empreendida pelo povo da sua terra e da influência tecnológica sobre a cultura popular.

Dr. João Valdir diz que Entre a Arte e a Peleja, mais que o vocativo próprio de um título, traz duas palavras que suscitam ampla reflexão. Uma dela é a arte, que como muitas outras, é uma palavra polissêmica. De muitos significados e de variadas formas de combinação de seus usos, desde seu entendimento como travessura e traquinagem de meninos desinibidos até as mais elaboradas criações de profissionais que se dedicam, como artistas, a dar forma ao que há de mais sofisticado no pensamento humano.

Por outro lado, a palavra peleja, que deriva de pêlo, é uma palavra que remete a batalha, combate, contenda, labuta. Labutar é produzir arte com o próprio suor, mediante sacrifício, expondo a pele, o pêlo e o couro. E isso é o que faz Gilmar Souza na vida e no seu belo livro que ele passa a dividir agora com todos nós.

Outras informações sobre o evento estão disponíveis em nosso portal: www.ufmg.br/polojequitinhonha.
Solicitamos confirmar presença pelo e-mail:
polojequitinhonhaufmg@gmail.com

terça-feira, 7 de junho de 2016

ESCRITOR DO VALE LANÇA LIVRO "MEU PÉ DE ALECRIM DEU FULÔ"



Acontece hoje em Belo Horizonte, a noite de autógrafo com o escritor Joaquim Celso Freire, no lançamento do seu sexto livro, intitulado "Meu Pé de Alecrim deu Fulô".

Mineiro, nascido em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha, Joaquim Celso Freire, lança, no dia 7 de Junho, a partir das 19h, na Livraria Leitura do Shopping Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6.061) seu sexto livro, intitulado Meu pé de alecrim deu fulô.

“Minha obra é muito influenciada pelo tempo em que vivi no Vale, pelas experiências no contato com a terra e com as pessoas, pelo contraste de uma natureza ao mesmo tempo austera e bela, pelas estórias que ouvi dos mais velhos, pelas nuances da vida, enfim”, afirma o autor.

O novo livro reencontra o personagem José Silva, já presente em Um Silva de A a Z (2007) e O Rio das minhas manhãs (2012). Agora com 90 anos de idade, o protagonista - que veio da roça, passou pela fábrica e aprendeu a ler Kierkegaard - vive com sua esposa em uma agradável casa de campo, em certa região montanhosa do país. No entanto, uma bela mulher reacende desejos antigos, abrindo as portas para novos sonhos e planos.

Sobre o Autor:
Joaquim Celso Freire nasceu em Coronel Murta, região do Vale do Jequitinhonha, em 1952 e mora em São Paulo desde 1974. É professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), onde foi também Pró-Reitor de Extensão. Atualmente, é Presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.

Publicações anteriores:
- Fazendo Poeira; poesia, 1977.
- Versos Avessos, com Débora de Simas; poesia, 2004.
- Políticas Públicas no Vale do Jequitinhonha – a difícil construção da nova cultura
política regional; políticas públicas e desenvolvimento regional, 2005.
- Um Silva de A a Z; prosa e poesia, 2007.

- O rio das minhas manhãs; prosa e poesia, 2012.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FOLCLORE DE CAPELINHA: A LENDA DA MULHER GIGANTE

No próximo dia 22 de agosto, sexta-feira, comemora-se o Dia do Folclore. E para comemorarmos, esta semana eu publicarei diversos causos e lendas da cidade de Capelinha. Vai aí o primeiro causo: 


A LENDA DA MULHER GIGANTE

Conta-se que, há muitos anos, em uma noite, a lua iluminava francamente as desertas ruas de Capelinha, quando uma viúva andava com suas três filhas,voltando de uma visita a um doente. Já passava da meia-noite. Iam em direção à sua casa, que ficava na rua Dr. Juscelino Barbosa, defronte onde é hoje o salão paroquial.

Andavam apressadas, pois já era muito tarde.

A noite estava fria e muitas corujas piavam lá pelas bandas da várzea, que é como se chamava a rua Governador Valadares. As mulheres andavam juntas uma às outras e, no meio da noite, ouvia-se o toc... toc... toc... dos seus sapatos de encontro às pedras do caminho.

Estavam já próximas à casa onde moravam. Passavam agora diante de uma rua bem estreita e sombreada pelas árvores que se balançavam ao sopro gelado do vento. Ao lado, ficava uma casa muito antiga, hoje reconstruída, onde mora o Sr. Gerson Martins.

A noite ia alta. De repente, a viúva e suas filhas ouviram um forte ruído: chep... chep... chep... 

Que barulho seria aquele?

Nossa! Próximo à casa antiga, estava o vulto de uma mulher enorme, de aproximadamente dois metros de altura, saia até os pés,lenço branco na cabeça e braços cruzados sobre o peito. Andava vagarosamente. Tomou a direção do beco e agora passava pelas árvores.

As mulheres, pasmadas pelo medo, perderam a voz. Agarravam-se umas às outras, com espanto e, trêmulas, apontavam para o vulto que desaparecia na imensidão da noite.

Hoje, pergunta-se de onde teria saído aquela Mulher Gigante, que vagava pela noite a dentro e enchera de terror a viúva e as filhas?

Fonte: Setor de Patrimônio Cultural de Capelinha.

sábado, 12 de outubro de 2013

DESVELO: UMA CRÔNICA EM HOMENAGEM AO DIA DA CRIANÇA

Estou postando hoje, Dia da Criança, uma crônica que escrevi há alguns anos que retrata o universo infantil dos brinquedos e brincadeiras e a construção dos princípios éticos. Confira:

DESVELO
Por Tadeu Oliveira

O menino brinca no fundo do quintal envolto num mundo de sonhos, fantasias e mistérios...

Manguinhas verdes encravadas de pequenos gravetos formam a sua manada, que aboia pelas trilhas riscadas entre montinhos de mato e terra perto da horta infestada de borboletas a ziguezaguearem seus matizes. O buraquinho d’água, calçado com pedrinhas multicores serve-lhe como lago para o rebanho refrescar. Caixas de sapato vazias são casinhas de personagens moldados em barro. Vez em quando galos, galinhas e ninhadas de pintainhos aproximam-se do território trazendo perigo ao lugar.

Agora está a empunhar possante espingarda confeccionada  com a haste que sustenta a folha do mamoeiro. Montado no cabo da vassoura, transformada em alazão, luta contra inimigos saídos do seu fértil imaginário infantil, interpretando os heróis dos gibis de faroeste colecionados pelo irmão.

Assim são os dias do menino. O quintal é o espaço lúdico a embalar sonhos de moleque. Conforme a época do ano, vai-se transformando na arena livre onde vivencia experiências do que se vê, do que se comemora, do que se apreende. Lá é o seu mundo, onde é dono e senhor. É o rei que vence todas as batalhas imagináveis e inimagináveis. É o herói solitário no espaço restrito do terreiro, ora transformado em densa floresta onde é o caçador a derrotar sua presa, ora transformado num estádio de futebol onde subjuga adversários em homéricas vitórias. O quintal é tudo: fazenda, rio, castelo, ringue, picadeiro, estádio, estrada... 

A tristeza só o incomoda quando vê a desarmonia dos seus simples brinquedos com  brinquedos dos outros meninos. Na porta da rua, vendo-os brincar na calçada, sente as desigualdades impostas pelo mundo. Por que, enquanto brinca com seus rústicos brinquedos, construídos muitas vezes por suas próprias mãos, os outros brincam com carros à pilha, bolas de couro, aviões que voam de verdade e tantas outras modernas excentricida­des? A resposta mantém-se incógnita aos anseios infantis. O imponderável queima-lhe os recônditos da sua inocência. Interroga a mãe, sem resposta plausível para explicar-lhe as complexidades do mundo. O seu mundo é o das brincadeiras, o da mãe é só o esfregar de trouxas e mais trouxas de roupas para fora, garantindo o sustento do lar. Não bastasse as desproporções materiais, sofre na pele o preconceito da cor e da ilegitimidade paterna. Filho sem pai, filho da miséria, futuro marginal. O ferro do preconceito a predestinar-lhe o futuro. Que importam os valores? Vale-se pelo que se possui, não pelo que se é. 

Dia desses, o menino, cumprindo obrigação rotineira a nutrir-lhe o senso da responsabilidade, vai buscar o leite em casa de fornecedor, fazendeiro rico e pai de dois filhos que regulam a sua idade. Descobre, enquanto aguarda pelo atendimento, diversos brinquedos dos meninos abastados esparramados pela varanda. Olha um, aprecia outro, mexe daqui, remexe acolá, quando percebe, num canto, uma minúscula latinha de talco. Em meio a tantos brinquedos, justo aquela miniatura desperta-lhe a atenção. Tamanho é o enlevo que não percebe a empregada a roubar-lhe o sonho de posse. Vai-se com o leite, embebido no lirismo dos desejos. Se pudesse ter uma coisinha como aquela, para perfumar-se a caminho da escola, fazendo companhia à cheirosa filha do comerciante da esquina? Se levar consigo, no meio de tanta quinquilharias, ninguém dará por falta.

O plano é executado no dia seguinte. E o põe em prática assim que chega. Antes de chamar pela empregada, enfia calçãozinho adentro o pequenino objeto. Toma o rumo de casa, mais feliz impossível. Só não contava que a felicidade lhe seria tão efêmera. A mãe percebe o pequeno objeto, inquire-o a respeito e ele tenta safar-se. Aperta o interrogatório e o menino confessa. Onde já se viu, filho meu, apropriar-se de coisas alheias? Que vá imediatamente repor ao devido lugar o que não lhe pertence. O menino chora, implora à mãe que ameaça surrá-lo. Como devolver agora? Deixasse para o outro dia quando a vergonha será menor, implora o menino em copioso pranto. Contanto que prometa nunca mais agir daquela forma, a mãe prorroga-lhe a devolução com um afago nos cabelos.

Dia seguinte, lá vai o menino cumprir a rotina levando dentro do calção um pedacinho do seu sonho. Enquanto a empregada aparece, balbucia um comentário qualquer sobre o sedutor objeto envolto nas mãos pequeninas. Entrega-lhe a latinha de talco, recebendo de volta a vasilha do leite. Dá meia volta com os olhinhos em lágrimas.

A pobreza e limitações agora estão acrescidas pela ética da vida. Preconceito algum apagará da memória o conhecimento dos limites da propriedade nem subtrairá do caráter as diferenças todas, impostas pela vida.

O menino brinca no fundo do quintal envolto num mundo de realidades e revelações...

domingo, 9 de junho de 2013

FÉ NA VIDA

Frei Chico lança dicionário com 8,5 mil verbetes sobre a religiosidade popular
brasileira. Obra surgiu da relação do padre holandês com a gente simples do Vale
do Jequitinhonha
Sérgio Rodrigo Reis

Em 1967, quando frei Chico veio da Holanda para o Vale do Jequitinhonha, aquela região de Minas Gerais era considerada um dos três lugares mais pobres do mundo. Diante de tanta miséria, o holandês descobriu riqueza cultural sem precedentes. “Aquilo deu sentido à minha permanência no Brasil”, revela o frade franciscano. Em seus 10 anos como pároco da diocese de Araçuaí, ele contabilizou 15 mil folhas de registros da cultura do povo relacionada à fé e à experiência espiritual. Somado a pesquisas realizadas na Europa, esse vasto material foi a base de um ambicioso projeto, o Dicionário da religiosidade popular: cultura e religião no Brasil. Com 1.150 páginas, a obra de referência chega agora ao público, reunindo 8,5 mil verbetes, 6 mil notas de rodapé e 350 ilustrações.

Lançado pela Editora Nossa Cultura, o livro surgiu por acaso na vida de Francisco van der Poel, o popular frei Chico. “Para poder servir, havia de conhecer aquele povo”, resume ele. A inspiração veio do canto de Filó, a cozinheira da casa paroquial, em Araçuaí. Era algo belo e incomum. “Filó gostava de cantar e resolvi gravar as músicas em fitas cassete, as mesmas que serviram para o repertório do Coral dos Tangarás. Há 43 anos, tive a honra de fundar o grupo, que continua até hoje”, orgulha-se ele.

As viagens a municípios da região de Araçuaí – “em lombo de burro velho, nos fins de semana” – trouxeram novas descobertas. A amizade com a ceramista Maria Lira Marques está entre elas. “Lira abriu as portas da sabedoria popular para mim, o estrangeiro que acabara de chegar”, conta o religioso. Frei Chico viveu 10 anos naquela região. Nesse período, cuidou de registrar as peculiaridades do povo simples com olhar antropológico e visão humanista. “Quando cheguei a Araçuaí, tudo era tão diferente da minha terra, a língua, a cultura, a maneira de tratar as doenças... Ouvia aquela gente se referir a problemas de saúde como carne quebrada, vento virado, espinhela caída e mau-olhado. Comecei a ficar curioso”, diz frei Chico. Cada nova descoberta dava origem a uma anotação.

O Dicionário da religiosidade popular: cultura e religião no Brasil reúne essas descobertas. “Não tinha parâmetro para ele, não há outro livro parecido. Precisei inventar uma fórmula. Coloquei, por exemplo, todo o depoimento do povo – entrevistas, cantos e histórias – em itálico para o leitor perceber onde está a parte mais importante”, informa. À medida que o projeto ganhou consistência, o frade percebeu que em Minas não havia pesquisadores com interesse semelhante. A certeza do pioneirismo do dicionário se confirmou depois da aproximação de Chico com o folclorista Câmara Cascudo e com Carlos Rodrigues Brandão, antropólogo da Universidade de Campinas (Unicamp), responsável pela introdução do livro.

Inicialmente, frei Chico pensou em escrever um manual da religiosidade popular. Tentou esboçar algo nessa linha, mas concluiu que não seria possível sintetizar cultura tão vasta. Assim surgiu o dicionário. “A função do dicionarista não é resolver problemas, mas registrar. Aprendi que não é a lógica que manda, mas o bom senso e a busca de coerência. Preocupei-me não em fazer uma síntese, mas algo orgânico”, detalha. A intenção é conduzir o leitor por uma espécie de viagem rumo ao universo do povo. “As pessoas começam a ler e, de repente, já estão com os 10 dedos no dicionário, marcando links de interesses”, afirma.

Nos últimos 40 anos, frei Chico pesquisou dentro e fora do país assuntos ligados à cultura e fé popular. Chegou à Europa, vasculhou antigos arquivos de Portugal em busca de pistas que pudessem elucidar questões ligadas aos saberes do povo humilde do Vale do Jequitinhonha. “Consultei livros de história, de farmacopeia medieval e até de bruxaria. Reuni 2 mil volumes. Quando concluí o dicionário, doei esse material para a biblioteca da PUC Minas, em Belo Horizonte”, informa o frade.

A pesquisa demorou, mas o livro ficou do jeito que frei Chico sonhou. “Continuo dizendo: o resultado é apenas o começo do princípio de alguma coisa”, garante ele. “Passei por uma reciclagem de ideias. Deparei-me com saberes marcantes e eles mudaram a minha noção de historiografia, a maneira de me relacionar com Deus e com o próprio significado da palavra cultura.” Não é à toa que os verbetes preferidos dele explicam o significado de simples e de sabedoria.

DICIONÁRIO DA RELIGIOSIDADE POPULAR: CULTURA E RELIGIÃO NO BRASIL
De Francisco van der Poel (frei Chico)
Ilustrações: Lira Marques
Editora Nossa Cultura, 1.150 páginas, R$ 290
Informações: www.nossacultura.com.br

FRUTOS DA TERRA
Frei Chico convidou a ceramista Maria Lira Marques, sua mentora na viagem pelo imaginário popular do Vale do Jequitinhonha, para ilustrar o dicionário. Em 350 desenhos surgidos de pigmentos extraídos das diferentes tonalidades de terra da região, a artista imortalizou personagens populares, festas, emoções e curiosidades. “Os desenhos reforçam o caráter da obra. Lira desenha com terra. Se fosse simbolizar o livro, seria com algo como o chão. Aprendi uma coisa lá atrás com o Paulo Freire: para ajudar o povo, é preciso, em primeiro lugar, valorizar o que ele já tem – cultura, história, ideias, lideranças”, ensina frei Chico.

Saiba mais

O MISSIONÁRIO
Francisco Van der Poel nasceu na Holanda, na área rural de Zoeterwoude, e entrou para o convento em 1960. Dois anos depois, ingressou no internato diocesano. Naquela época, havia 1.234 frades holandeses e um terço trabalhava como missionário em países como Índia, Paquistão, Indonésia, Japão e Brasil. O jovem frade ouviu relatos da experiência dos colegas nas Américas. Francisco chegou ao Brasil em 1967. Em Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira, assistiu pela primeira vez a um desfile de carnaval. Em São João del-Rei, participou das celebrações da semana santa. Nomeado pároco de Araçuaí, morou 10 anos no Vale do Jequitinhonha.


Fonte: Jornal Estado de Minas, caderno Pensar, publicação: 08/06/2013.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MORRE, AOS 67 ANOS, AUTOR E DIRETOR TEATRAL ALCIONE ARAÚJO



Morreu nesta madrugada, em Belo Horizonte, aos 67 anos recém-completados em 9 de novembro, o autor e diretor teatral Alcione Araújo, que era cronista do Estado de Minas. Mineiro de Januária radicado no Rio, Alcione é autor de peças teatrais como Há vagas para moças e Muitos anos de vida, além de assinar roteiros para cinema e televisão. Como diretor, na década de 1980 ele foi um dos responsáveis pelo sucesso de Doce deleite, uma colagem de 12 esquetes cômicos - oito de sua autoria - encenada pela
dupla Marília Pêra e Marco Nanini.

Em Belo Horizonte desde a última segundafeira, depois de viajar a Ouro Preto em companhia da namorada e dos sogros, Alcione Araújo se hospedou em um hotel da Savassi, onde teria sofrido uma parada cardíaca de madrugada, sem tempo sequer para atendimento médico. Pai da professora de filosofia Carolina, de 37 anos, e avô de Joaquim, de 5, e Flora, de 10 anos, nos últimos tempos, o autor vinha se dedicando à escrita de romances. Ventania, o terceiro e último deles, foi lançado na capital no ano passado, com uma nova sessão de autógrafos, na Academia Mineira de Letras (AML), em setembro. Enquanto aguarda a chegada da filha, que está no exterior.

O corpo de Alcione será levado nesta quinta-feira para o Rio de Janeiro, onde acontecerá o velório e a cremação. A cerimonia será realizada na sexta-feira, no memorial do Carmo, no Caju, de 11h até às 17h.

Fonte: Portal Uai: www.em.com.br

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ESCRITORA TURMALINENSE TOMA POSSA EM ACADEMIA DE ARTES NO RJ


Poeta e contista, Janeuce vai tomar posse como membro correspondente da ARTPOP


Janeuce durante lançamento do livro de memórias “Joia de Família”



A poeta e contista Janeuce Cordeiro Maciel, que está completando mais um ano de vida nesta quarta-feira (10/10), vai tomar posse, em novembro, como membro correspondente da Academia de Artes de Cabo Frio (ARTPOP).

A cerimônia será no Teatro Municipal Inah de Azevedo Murad, em Cabo Frio (RJ), durante evento acadêmico e cultural em que, além da posse dos novos acadêmicos, haverá entrega de diplomas e medalhas, apresentação artística e coquetel de confraternização.

Janeuce, que é natural de Turmalina, cidade localizada no Vale do Jequitinhonha, foi indicada para a ARTPOP pelo poeta, jornalista e acadêmico A. Zarfeg, que conhece os trabalhos literários da poeta mineira há algum tempo.


Janeuce é autora de “Joia de família”, livro em que narra as reminiscências de sua família, e “Olho Turmalina, vejo sua gente”, um relato poético feito a quatro mãos com a amiga e parceira Gilda Gomes de Macedo.

Além dos livros publicados, ela é autora de contos e artigos, alguns dos quais publicados em jornais e revistas de Minas Gerais. Isso, evidentemente, sem contar os poemas inéditos. Essa produção, aliás, valeu à poeta a indicação para a Academia de Letras de Teófilo Otoni (ALTO), da qual Janeuce se tornou membro correspondente em 2011. 

“Se não bastasse o talento literário, Janeuce tem serviços relevantes prestados ao povo de Turmalina, seja como educadora ou garimpeira dos costumes e tipos locais”, afirmou A. Zarfeg.

Como membro correspondente da ARTPOP, Janeuce terá mais um canal para propagar a boa arte que vem das Gerais, especialmente do Vale do Jequitinhonha, celeiro de diversas manifestações culturais, como a música, a dança, a culinária e, também, a literatura.

“Será um prazer tê-la como confreira, Janeuce. Seja muito bem-vinda”, afirmou Vanessa Rodrigues, secretária-geral da ARTPOP.

Fonte: Flecha News



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

HOMENAGEM DO CANTA MINAS AO DIA DO IDOSO

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Terceira Idade. Ainda que as novas gerações têm mudado o conceito de envelhecer é necessário que essa etapa natural na vida de todo ser humano seja encarada com serenidade e, acima de tudo, sabedoria.

Publico o texto abaixo, de autoria do ítalo-americano Leo Buscaglia, um dos maiores escritores acerca do amor nos últimos tempos, em homenagem aos idosos. E que este texto e vídeo abaixo sirva de alerta aos mais jovens que ainda não se conscientizaram de que um dia eles também envelhecerão.

Tadeu Oliveira




A HISTÓRIA DE UMA FOLHA

Leo Buscaglia

Era uma vez uma folha, que crescera muito. Surgira na primavera, como um pequeno broto num galho grande, perto do topo de uma árvore alta. A folha estava cercada por centenas de outras folhas, iguais a ela. Ou pelo menos parecia. Mas não demorou muito pra que descobrisse que não havia duas folhas iguais, apesar de estarem na mesma árvore.

Todas haviam crescido juntas. Aprenderam a dançar à brisa da primavera, a se esquentar ao sol de verão, a se lavar na chuva fresca… Os passarinhos vinham pousar nos galhos e cantar, havia sol, lua, estrelas, tudo…. As pessoas iam ao parque, sentar à sombra da árvore, no verão. E esse é o propósito da árvore – uma razão para existir!

Tornar as coisas mais agradáveis para os outros é uma razão de existir. Proporcionar sombra aos velhinhos, oferecer um lugar fresco para as crianças brincarem. Abanar as folhas como brisa…

E assim o verão foi passando. A folha admirava tudo, olhava tudo… E chegou o frio. A folha ficou assustada, nunca sentira frio, e todas as outras folhas estremeceram com o frio, ficaram todas cobertas por uma camada fina de branco, que num instante derreteu e deixou-as encharcadas de orvalho, faiscando ao sol. Foi a primeira geada… O inverno viria em breve.

Quase que imediatamente, toda a árvore se transformou num esplendor de cores. Quase não restava nenhuma folha verde. Amarelo, laranja intenso, vermelho ardente, dourada. Um arco íris de folhas!

E porque ficaram diferentes?

Por que tiveram experiências diferentes, receberam o sol de maneira diferente, projetaram sombras de maneira diferente. Era o outono chegando…

E a mesma brisa que, no passado as fazia dançar, começou a empurrar e puxar suas hastes, quase como se estivesse zangada. Isso fez com que algumas folhas fossem arrancadas de seus galhos e levadas pela brisa, reviradas pelo ar, antes de caírem suavemente ao solo. E é isso que acontece no outono, algumas pessoas chamam de morrer…

E a cada folha que caía, a árvore ia ficando despida. Como se cada folha fosse morrendo… E elas voltam na outra primavera? Mistério… Talvez não, mas a vida volta. E qual a razão para tudo isso? A razão das folhas é dar sombra, brisa… e quando caem, elas dão força para as árvores, como se entrassem em suas raízes. As folhas “voltam” dando vida novamente.

A folha caiu… não sabia que se juntaria com a água e serviria para tornar a árvore mais forte.
E, principalmente, não sabia que ali, na árvore e no solo, já havia planos para novas folhas na primavera.



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

PÁSSAROS POEMAS

Fernando Brant


Queria falar da felicidade, do desejo consciente e inconsciente de ser feliz. É algo que se traz da infância, do companheirismo com a meninada, dos jogos de rua, da molecagem diária. Quanto mais o tempo passa para mim, mais me convenço de como é necessário que todos busquemos ser felizes.

São sentimentos para guardar por todo o nosso tempo.

A vida real, com suas tragédias e guerras, com o ódio e competição sem freios, parece nos levar para longe desse objetivo. Não que se diga “dane-se” ao mundo. Vivemos nele e não devemos nos eximir de responsabilidades.

Mas a bandeira que carrego, e vejo que muitos dos que amo e admiro também a empunham, é a procura de harmonia na vida pessoal, familiar e social. Para alcançar esse oásis em meio ao deserto não é necessário pisar em ninguém nem violentar qualquer princípio essencial.

Esse orientar-se no rumo da vida boa e plena nada tem de egoísta. Ao contrário, torcemos para que mais pessoas se juntem a esse nosso anseio. Quantos mais participarem dessa jornada, mais a boa-nova se espalhará. Não é ser irracional ou ignorar o mundo. É ter certeza de que o certo é gozar o dia, a existência.

Tem menino que é igual passarinho. Essa é uma impressão que trago de longe, desde que ouvia num parque em Diamantina a voz de Luiz Vieira cantando “sou menino passarinho com vontade de voar.” Sei de um, especial, Tavinho Moura, que acaba de tirar do forno um trabalho de mais de quatro anos: o livro Pássaros poemas – Aves na Pampulha. Sabe e pode muito esse criador excepcional, craque em tudo em que se aventura.

Inventor de belezas, estamos acostumados a ouvir suas canções de harmonias, palavras e melodias inusitadas, de carga lírica mineira, brasileira e universal. Violonista e violeiro, carpinteiro de mão cheia. Amigo para toda hora. Conhece peixes e árvores, plantas, frutas e doces. Principalmente, dá aulas, naturalmente, sobre passarinho.

Quantas vezes fiquei emocionado com suas descrições das aves que encontrou na meninice da Zona da Mata e com as que vai dando notícia por todos os cantos em que anda, em todos os livros que lê. Geralista dos melhores, escreveu a história da Maria do Matué, uma riqueza.

Eis que ele resolveu fazer um livro sobre os pássaros que circulam pela nossa Pampulha. Tratou, em primeiro lugar, de aprender e esmerar na fotografia. As fotos que ele criou para seu livro são de espantar, beleza sem medida. Escreveu poemas passarinheiros invejáveis. E ainda convidou amigos escritores para colaborarem com ele. O projeto gráfico de Mariana Hardy e as aquarelas de Sandra Bianchi completam a maravilha.

Salve, salve a felicidade.

Fonte: Caderno EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 26/09/2012

domingo, 19 de agosto de 2012

ALUNO DA E.E. PROF. GERALDA OTONI É ESCOLHIDO EM CONCURSO LITERÁRIO

Nessa semana eu eu bati um papo muito legal com um estudante da Escola Estadual Professora Geralda Otoni Barbosa chamado Breno Fernandes da Cruz, de 13 anos, que foi selecionado num projeto de leitura desenvolvido pelo escritor baiano Laé de Souza.

A Escola se inscreveu no projeto Ler é bom, experimente! e Minha escola lê, através da iniciativa da supervisora Eliane Maciel, que contou com a participação de alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental e de alunos dos 8ºs e 9ºs anos do Ensino Fundamental.

O escritor e mentor do projeto, Laé de Souza, enviou para a escola a coleção Acredite se Quiser para que os professores trabalhassem com os seus alunos. Os alunos, após lerem a coleção, deveriam desenhar (no caso, os alunos do 1º ao 5º ano) ou escreverem crônicas (no caso, os alunos do 8º e 9º anos). A escola selecionou 03 cronicas que foram enviadas para o escritor Laé de Souza em São Paulo.

Lá, elas se juntaram a outras crônicas de diversos estados do Brasil a fim de serem selecionadas 23 que integraram o livro As melhores crônicas dos projetos de leitura Volume 4, ano de 2012, editado pela Editora Eco Arte. 

É aí que entra a históira do aluno Breno. Ele foi selecionado entre diversos alunos do brasil pra fazer parte desse livro com a crônica Problemas à parte, Queixada se elege vereador que você pode conferir ao final desse texto.

O lançamento do livro aconteceu no dia 11 de agosto, sábado passado, às 4 da tarde lá na 22ª Bienal Internacional do Livro no Anhembi em São Paulo. O Breno esteve presente no lançamento junto com a Diretora da E.E. Pr. Geralda Otoni, Maria Helena Barbosa da Silva, conhecida como Leninha Barbosa. Eu estive na escola e bati um papo com o Breno, aluno do 8º ano do Ensino Fundamental e com a diretora Leninha. Confira a entrevista no programa Canta Minas desse domingo, 19.

LEIA A CRÔNICA NA ÍNTEGRA:

PROBLEMAS À PARTE, QUEIXADA SE ELEGE VEREADOR

Autor: Breno Fernandes da Cruz – 13 anos
Professora: Rogéria Maria Alves Pimenta
Escola: E.E.”Professora Geralda Otoni Barbosa”
Cidade: Capelinha – MG

          Como de costume, aos sábados, reuniram-se no bar do Magrão vários amigos para tomar uma pinguinha e falar de mulheres e futebol. Mal sabiam eles que do outro lado da cidade estavam suas esposas, gastando todo o limite do cartão, além de juntarem-se para criticar os respectivos maridos.
          Mas esse era um dia especial. Todos, incluindo as mulheres, esperavam pelo resultado da eleição do Pastor Queixada e bebiam uma pinguinha para tentar esquecer os problemas.
          Neilando 2000 só pensava em pagar as contas para começar o novo milênio com o pé direito.
          Januário, de joelhos, pedia desculpas à mulher quase todos os dias pelo atrevimento de ter gritado com ela.
          Belarmino não queria nem saber de carnaval e tentava reconquistar a mulher que perdera após uma briga.
          O prefeito, com mania de grandeza, procurava construir em sua cidade com apenas três ruas, oito casas, um restaurante e um bar, um estádio de futebol para receber a final da Copa do Mundo. Como sonhava, coitado!
          Mas, problemas à parte, todos esperavam pela eleição do Pastor Queixada que, por sua vez, prometeu a todos a solução de seus problemas, mesmo sabendo que seria praticamente impossível cumprir essa promessa.
          A tensão tomou conta do bar do Magrão no momento em que os votos começaram a ser apurados e algumas horas depois saiu a esperada notícia de que Queixada havia sido eleito.
          A tensão deu lugar à alegria e a pinga rolou solta e, apesar de ter negado, acredito que naquele dia até o Pastor Queixada relembrou os velhos tempos e bebeu uma pinguinha.
          Agora, só resta a ele torcer para que todos encham a cara e se esqueçam de suas promessas impossíveis.

quarta-feira, 28 de março de 2012

ACADEMIA DE LETRAS É FUNDADA EM CAPELINHA


A ideia da Academia de Letras existe deste o ano 2000.
Nessa foto, lançamento de livros de escritores capelinhenses.
Foram quase 12 anos de espera. Enfim, o sonho se realiza. A Academia Capelinhense de Letras, que acaba de ser fundada, é uma ideia trazida por mim de Corinto, três anos após mudar-me para Capelinha. Naquela cidade, já havia academia de letras e por influência e incentivo de alguns membros de lá, procurei o professor José Carlos Machado, o jornalista Tico Neves, o advogado Dr. Fabiano Otoni Vieira e a professora Lúcia Cordeiro propondo a criação e fundação da Academia Capelinhense de Letras.

Após algumas reuniões, infelizmente não obtivemos o êxito de consolidar o projeto, O mesmo ficou hibernado de novembro de 2000 até os dias atuais.

Alguns meses após a morte do advogado e escritor Dr. Fabiano Otoni, procurei novamente pelo professor José Carlos Machado e resolvemos retomar o projeto de fundação da Academia Letras, inclusive como forma de homenagear postumamente este ilustre filho da terra.

Desta vez, a ideia encontrou campo fértil. Afinal de contas, nos últimos anos o próprio Dr. Fabiano lançara um romance intitulado “Tranças provincianas”, o jornalista Tico Neves o livro “No tempo das gabirobas” e, anteriormente, o professor José Carlos lançara o livro “Senhora da Graça da Capelinha” e “Casos, lendas e lorotas do Jequitinhonha”. E mais recentemente, a professora Marlene Mendes lançou os livros “A princesa de Theo”, “Escrito no olhar” dentre outros.

A retomada se deu no dia 08 de março, dia Internacional da Mulher, quando nos reunimos na residência do professor José Carlos Machado e lançamos a “pedra fundamental” da academia. Estiveram presentes além de mim e do professor José Carlos, as professoras Lúcia Cordeiro, Tininha Pereira e Marlene Mendes.

Reunião de lançamento da pedra fundamental, em 08 de março
No reunimos novamente no dia 19 de março, na sede da Casa da Cultura de Capelinha, contando com a presença de José Carlos Machado, Tico Neves, Tininha Pereira, Marlene Mendes, Dante Guedes, Elza Cunha e da minha pessoa, ocasião em que fundamos a Academia Capelinhense de Letras. Além de nós, a professora Lúcia Cordeiro também é fundadora, uma vez que participou de todo o processo.

A finalidade da Academia de Letras é fomentar a cultura da língua e literatura brasileira, conferindo preponderância aos escritores capelinhenses, às suas obras e à pesquisa de particularidades lingüísticas e folclóricas da região do Vale do Jequitinhonha.

Além disso, visa incentivar o gosto pela leitura e congregar literatos do município promovendo reuniões literárias, artísticas e sociais, palestras, conferências. Ainda é objetivo da academia editar jornais, revista ou boletim de divulgação e, principalmente, trabalhos de seus membros.

Em breve os membros da Academia elegerão a primeira diretoria e oficializará perante a sociedade capelinhense a fundação dessa nova instituição.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

ESTAMOS FICANDO SUPERFICIAIS?

"Nicholas Carr argumenta que a internet está mudando para pior os padrões de pensamento" 
Várias edições da Blíblia preservadas na Biblioteca de Nuremberg, na Alemanha: herança que sobreviveu ao nazismo pode estar com os dias contados (Christof Stach/AFP)



Garanto que você já passou pela mesma experiência de Nicholas Carr: um belo dia, no meio da leitura de um livro, perdeu a concentração e o fio da meada da argumentação do autor. Só que o jornalista americano, ao perceber que não estava dando conta de ir além de umas poucas páginas, desconfiou que seu cérebro estava perdendo a acuidade. Pensou, em primeiro lugar, que poderia ser sintoma de perda natural em decorrência da idade. Ele tem 50 anos. Acabou concluindo que o decréscimo de sua capacidade de atenção vinha do uso intensivo da internet e de seu padrão dispersivo. Foi a fundo, pesquisou e escreveu o livro A geração superficial – O que a internet está fazendo com nossos cérebros (Editora Agir, 384 páginas, R$ 49,90), que acaba de ser lançado no Brasil.

O livro é polêmico e chegou a ser finalista do Prêmio Pulitzer no ano passado. Quem acha que a tese de Carr é uma ladainha ludista contra a tecnologia se engana. O autor não defende o passado romanticamente, mas se preocupa pelas opções que vêm sendo tomadas contemporaneamente. Para ele, a superficialidade frenética da busca de informações gera um padrão que acaba por autossabotar as possibilidades intelectuais do usuário da rede. Nos habituamos a muita informação, com curto investimento de atenção, em processo de contínua ligação com outros conteúdos. O cérebro não apenas acompanha nossas escolhas, mas acaba por oferecer novas respostas.

O estilo de navegação em rede joga a inteligência de um lado para outro sem trégua, criando um padrão de conhecimento que em vez de se definir pela profundidade se caracteriza pela simultaneidade. A entrada em cena de ferramentas como os mecanismos de busca, por exemplo, em vez de terceirizar a memória e economizar mais tempo para as coisas importantes, implica a perda de capacidade de reflexão. Diferentemente da máquina de calcular, que libera o raciocínio para a análise dos problemas, o Google tira a capacidade criativa da memória e não coloca nada no lugar. A memória não é só um recipiente, é uma operação.

O livro de Nicholas Carr vai além da acusação. Ele constrói uma história intelectual da dissolução de padrões intelectuais vigentes por séculos, para depois mostrar como a perda dessas referências implicaram mudanças drásticas na capacidade cognitiva das pessoas. O que é mais sério na argumentação do autor é a ligação dessa transformação com elementos de ordem estrutural do sistema nervoso. Em outras palavras, além de mais burros, estamos ficando menos aparelhados para sair do buraco.

Para ilustrar sua tese, o autor recorre a várias pesquisas no campo das neurociências, mostrando como o cérebro humano modifica seus circuitos em razão de respostas que vão se sedimentando no tempo. Ou seja, o uso de determinadas vias de conhecimento e resolução de problemas acabam por ganhar tradução no nível das sinapses nervosas. Em outras palavras, há uma plasticidade, uma capacidade de adaptação do sistema nervoso, que vai na direção contrária do que sempre se acreditou, quando se julgava que para cada área cerebral há uma única resposta. As pesquisas provam que a vida no nível cerebral é mais dinâmica do que se imaginava.

“À medida que a ciência do cérebro continua a avançar, as evidências em favor da neuroplasticidade ganham força. Usando novos, sensíveis equipamentos de esquadrinhamento cerebral, assim como microeletrodos e outras sondas, os neurocientistas realizam mais experimentos, não apenas como animais de laboratório, mas também com seres humanos. (…) Eles revelam algo mais: a plasticidade cerebral não é limitada ao córtex somatossensorial, a área que governa o sentido do tato. É universal.” Carr defende que o cérebro não é apenas plástico, “mas muito plástico”. A superficialidade pode ser mais profunda do que parece.

Mapas e relógios  - Em sua busca dos fundamentos da nova forma de aprendizagem e hábitos intelectuais, o jornalista faz uma interessante história de como o homem foi adquirindo instrumentos para se localizar no mundo. O desenvolvimento da mente humana, que começa com a linguagem, evolui até a representação espacial dos mapas, que se somam ao domínio do tempo e de seus mecanismos de medida. Tanto o espaço quanto o tempo, como mostra Carr, deixam de ser experiências ingênuas para fazer parte de nossa forma de ser no mundo. São o que ele chama de “tecnologias intelectuais”.

O que isso tem a ver com os computadores, com a internet e com a dificuldade de concentração na leitura? Tudo. O atual estágio de utilização das tecnologias intelectuais, assim como os mapas e relógios, molda nossa experiência do mundo. A relação entre tecnologia e mente, que era apenas campo de abstração, hoje pode ser traduzida materialmente em pesquisas. “A neuroplasticidade fornece o elo perdido para compreendermos como os meios informacionais e outras tecnologias intelectuais exerceram sua influência sobre o desenvolvimento da civilização e ajudaram a guiar, em nível biológico, a história da consciência humana.”

Em sua fenomenologia do conhecimento humano, o capítulo mais interessante introduz o alfabeto, os pergaminhos, os códices e os livros. A análise da história dos livros (com digressões sobre sua utilidade combatida por Sócrates, que defendia a palavra viva) evolui até chegar a temas contemporâneos relacionados à internet, como a digitalização de livros, os projetos do Google em criar uma biblioteca universal com todos os livros do mundo, a questão dos direitos de autor, até a legibilidade de textos na tela dos computadores ou readers.

Se toda essa história está parecendo digressão, o leitor não perde por esperar. A partir da metade do livro, o autor deixa de lado o passado e se concentra na análise dos computadores. O método também é histórico – o que é muito bom para algo tão novo e tão envolto em mistérios. O leitor vai conhecer desde os precursores da informática até as mais recentes ferramentas, entrando na selva de conceitos e nomes de equipamentos, em suas várias versões e gerações.

Mas o que interessa a Nicholas Carr é exatamente o resultado de todo esse processo. Em que momento, com a mudança de paradigma de produção, busca e compartilhamento de informação, o homem passou a exibir um novo padrão de conhecimento? Mais do que isso, de que maneira esse novo uso da inteligência, com suas características próprias (rapidez, interligação, apelo visual, hipertexto, simultaneidade, fluxo de mensagens, tendência à síntese etc.), interfere na relação com o objeto do conhecimento?

Sem desconhecer a importância da informática e até mesmo o fato de que algumas habilidades cognitivas estão sendo fortalecidas pelo uso dos computadores, o próprio título do livro é uma espécie de resposta: estamos vendo se firmar uma geração superficial. A preocupação do autor, além de cognitiva, tem um forte componente político. Afinal, reduzidos a responder a programações oferecidas pelas máquinas, o risco de dominação ditada por interesses externos é muito grande.

O livro de Nicholas Carr não é um ataque à tecnologia, mas um estudo sobre suas consequências no âmbito do conhecimento e dos circuitos mentais. Se estamos nos preparando para um novo estágio social e psicológico, que exigirá cérebros educados para isso, talvez seja conveniente ficar atentos para o que podemos estar perdendo, como a capacidade de meditação e de pensamentos mais profundos e sofisticados. O homem sempre se definiu pelo porvir e pela capacidade de ir além, mas preservou a humildade de saber de onde vinha.

Como escreveu J. D. Salinger em uma de suas novelas, quando os computadores ainda não existiam: “É preciso ir rápido. Rápido e devagar”. Mas quem leva a sério Salinger hoje em dia?

Fonte: Jornal Estado de Minas - Caderno Pensar - 04/02/2012

Por João Paulo

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

BH: LETRA E MÚSICA

Livros de Leonardo José Magalhães Gomes desenham o mapa cultural da capital. Escritores e cantores indicam obras que melhor traduzem a cidade

Ailton Magioli


Aos 114 anos, completados na segunda-feira, Belo Horizonte já tem consciência e uma produção de consistência da história da cidade. “O problema é a atual administração municipal, que está desmontando a cidade”, aponta o historiador Leonardo José Magalhães Gomes, de 59 anos. Ex-diretor do Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), ao conversar com um dos prefeitos da capital, acabou despertando para a necessidade de publicação de Memória de ruas – Dicionário toponímico de Belo Horizonte, de 1992, que já está na segunda edição.

Ontem à noite, na Quixote Livraria, Leonardo lançou Belo Horizonte: A cidade descrita (Documentos de uma história urbana) e A música da cidade – Cartografia musical de Belo Horizonte, que encerram a trilogia historiográfica da cidade. “Na verdade, não havia pensado em uma trilogia”, revela o autor dos livros, lembrando que os dois últimos foram feitos sob encomenda para o Anuário de Belo Horizonte.

Inspirada nos livros, que abordam a produção literária e musical da cidade, o Estado de Minas pediu a escritores, cantores e compositores que indicassem as obras que melhor traduzem o espírito belo-horizontino, capazes de nos fazer entender a cidade. Afinal, quais seriam os livros fundamentais para a história de Belo Horizonte? E, entre as canções, quais delas entrariam na provável trilha sonora da cidade?

Para Leonardo José Magalhães Gomes, literariamente, Belo Horizonte já produziu o que há de melhor em língua portuguesa, diante da obra de Pedro Nava, Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. “Não podemos esquecer que Rosa morou na cidade, estudou no Colégio Arnaldo e se formou em medicina pela UFMG. A formação intelectual do escritor foi toda aqui em Belo Horizonte”, orgulha-se o historiador.

Musicalmente, Leonardo resolveu privilegiar o Clube da Esquina e Milton Nascimento. “Trata-se de um gênio como Pixinguinha e Tom Jobim, que costuma ser pouco apreciado na cidade. O pessoal do Clube é sempre vítima de uma olhar de desdém da cidade”, diz Leonardo José Magalhães Gomes, para quem, no livro A música da cidade, defende a tese de que a produção musical de Milton Nascimento e a turma do Clube da Esquina está para Belo Horizonte assim como o tango está para Buenos Aires e a valsa para Viena.

Cantores e compositores ouvidos pela reportagem foram além do período, conforme a defesa de cada um. Para Dudu Nicácio, por exemplo, a música homônima ao movimento “foi o marco histórico que cantou para todo mundo a nossa cidade, cultura e jeito”. Mas ele vai além, e aponta o Skank e Vander Lee como responsáveis por novas páginas musicais da capital. “Com muito suingue e malemolência, Garota nacional, de Samuel Rosa e Chico Amaral, mostrou ao Brasil que um simples bar e uma bela garota facilmente podem se tornar uma paixão. Não é a toa que essa rapaziada fez tanto sucesso”, afirma Dudu. Para ele, “nenhuma rivalidade entre torcidas também foi tão bem retratada, musicalmente, como em Galo e Cruzeiro, de Vander Lee. “Mais do que nunca, é a cara de Belo Horizonte, apaixonada por futebol e samba. Um gol de placa do Vandeco”.

Já Márcio Borges, um dos principais letristas do Clube da Esquina, atribui aos versos de Rômulo Paes, “a minha vida é esta: subir Bahia, descer Floresta”, um dos mais inspirados momentos da capital. “Descreve que a ‘nossa’ vida é essa, e acho que, pelas proporções do vertiginoso crescimento da cidade, esse espírito boêmio da Rua da Bahia se alastrou para além da Floresta e chegou em Santa Tereza”. E completa: “Lá, o ícone do bairro é o tal Clube da Esquina, e esta música minha, de Lô Borges e Milton Nascimento retrata um momento muito importante da vida da cidade e até mesmo se confunde com ela”. A terceira música para Márcio – mas não a última, pois não estou enumerando – só pode ser a Garota nacional, do Skank. “Foi ela que tornou a projetar a música produzida em BH para muito além de nossas fronteiras”, justifica.

Já o rapper Flávio Renegado anuncia que vai liberar para download, a partir de hoje, em seu site (www:flaviorenegado.com.br), a até então inédita Até o dia clarear, que ele fez em homenagem a Belo Horizonte e, segundo diz, a suas “belas mulheres”.

Literatura
A professor Heloísa Starling aponta três autores que, em sua opinião, produziram narrativas exemplares sobre Belo Horizonte. O primeiro, Eduardo Frieiro, “que foi um cronista impecável”. “Seus livros, sempre devidamente ambientados em Belo Horizonte, fizeram dele um dos grandes cronistas da cidade. É o caso de conferir em O cabo das tormentas. Esse livro é inteiramente ambientado no Edifício Cine Brasil, cujo prédio modernista é apresentado ao leitor como a quilha de um grande e melancólico transatlântico, fervilhando de uma gente anônima, irremediavelmente encalhada na esquina principal da Avenida Afonso Pena, no centro comercial da cidade”.

A seguir, Heloisa aponta Cyro dos Anjos (O amanuense Belmiro), que ela escolheu junto do também professor Wander Melo Miranda, concluindo com Marcus Freitas (Peixe morto), autor, em sua opinião, de “um thriller emocionante, ambientado na Belo Horizonte contemporânea”. O poeta Ricardo Aleixo, por sua vez, vai de Rodrigo Ferreira e Beatriz de Almeida Magalhães, autores de Belo Horizonte – Um espaço para a República, sob o argumento de tratar-se de “obra única para quem busca entender, em minúcias, a lógica positivista que preside a construção da capital mineira”.

Além de Sérgio Fantini, autor de Diz xis, e Humberto Werneck, autor do já clássico O desatino da rapaziada. “Fiquei tentado a indicar qualquer um dos livros de Wander Piroli, ou o Encontro marcado, de Fernando Sabino, ou, ainda, a memorialística de Pedro Nava, mas entendo que essa deliciosa obra, fruto de intensa pesquisa, já representa, por si só, um convite ao leitor que se disponha a conhecer os autores e livros que citei. O livro, muito bem escrito, sem pedantismo, dá a ver a formação da vida literária na província – um modo de ver e pensar o mundo que ainda hoje persiste”, conclui.

BELO HORIZONTE: A CIDADE DESCRITA (DOCUMENTOS DE UMA HISTÓRIA URBANA)
A MÚSICA DA CIDADE – CARTOGRAFIA MUSICAL DE BELO HORIZONTE
Lançamento dos livros de Leonardo José Magalhães Gomes, dia 14 de dezembro , na Quixote Livraria e Café, Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi. Informações: (31) 3264-2858.
Belo Horizonte em…

Canções


1 – Clube da Esquina, Márcio, Lô Borges e Milton Nascimento
2 – Garota nacional, Samuel Rosa e Chico Amaral
3 – Galo e Cruzeiro, Vander Lee
Dudu Nicácio, 32 anos, no momento grava o primeiro CD solo, depois de dividir discos com a cantora Leopoldina e com o carioca Rodrigo Braga, com quem forma o duo Dois do Samba. Coordenou a participou de projetos Reciclo, Choro livre, Bloco da cidade e Mostra nova música instrumental mineira, além do Samba da madrugada.

1 – Para Lennon e MCcartney, de Lô e Márcio Borges e Fernando Brant.
2 – Belo caso de amor, de Paulinho Pedra Azul
3 – Serra do Curral, de Thiago Delegado e Edu Krieger
Flávio Renegado, 29 anos, originário da comunidade do Alto Vera Cruz, onde integrou o grupo Neghros da Unidade Consciente. Militante social, já gravou e lançou
dois discos: Do Oiapoque a Nova York (2008) e Minha tribo é o mundo (2011).

1 – A minha vida é essa (Subir Bahia, descer Floresta), Rômulo Paes
2 – Clube da Esquina, de Márcio, Lô Borges e Milton Nascimento
3 – Garota nacional, de Samuel Rosa e Chico Amaral
Márcio Borges, 65 anos. Irmão de Marilton e Lô Borges, um dos principais letristas do Clube da Esquina. É autor do livro Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina.

Livros

1 – O cabo das tormentas, Eduardo Frieiro
2 – O amanuense Belmiro, Cyro dos Anjos
3 – Peixe morto, Marcus Freitas
Heloísa Murgel Starling, 54 anos, professora da UFMG, coordenadora do Projeto República: Núcleo de Documentação, Pesquisa e Memória da UFMG, além de pesquisadora do CNPq e Fapemig. Seu mais recente livro é Uma pátria para todos: Chico Buarque e as raízes do Brasil.

1 – Belo Horizonte – Um espaço para a República, Rodrigo Ferreira e Beatriz de Almeida Magalhães
2 – Diz xis, de Sérgio Fantini
3 – O desatino da rapaziada, Humberto Werneck
Ricardo Aleixo, 51 anos, é poeta, ensaísta e compositor, publicou, entre outros, os livros Festim, Trívio e Modelos vivos.

1 – O amanuense Belmiro, Cyro dos Anjos, 1937
2 – Beira-Mar, Pedro Nava, 1978
3 – Esquecer para lembrar – Boitempo III, Carlos Drumond de Andrade, 1979
Wander Melo Miranda, 59 anos é professor e diretor da Editora UFMG, além de autor dos livros de ensaios Corpos escritos (1992) e Nações literárias (2010).

Fonte: Jornal Estado de Minas - Caderno EM Cultura, 14/12/2011