Seja bem vindo(a)!!!





Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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domingo, 12 de junho de 2016

ESCRITOR DE TURMALINA LANÇA LIVRO NO SEMINÁRIO VISÕES DO VALE X

O multifacetado artista Gilmar Souza lançará do livro “Entre a arte e a peleja”  
em Belo Horizonte


Gilmar Souza e o seu livro
Mais um grande momento na vida de arte e de peleja de Gilmar Souza. A sua grande façanha dessa vez, será no Seminário Visões do Vale X, nos dias 13 e 14 de junho, cujo tema definido para o evento deste ano é “Vale do Jequitinhonha: Desafios da urbanização”, realização do Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha. 

Na oportunidade, o multifacetado artista Gilmar Souza lançará o livro "Entre a Arte e a Peleja". Esta sessão está prevista para o dia 14 de junho, às 11 horas, no auditório 1 da Faculdade de Ciências Econômicas (FACE), no Campus Pampulha.

Nascido em no Distrito de São Sebastião de Boa Vista, município de Chapada do Norte, esse trovador e contador de prosas e lorotas não falava nem andava até os cinco anos de idade. Diziam os curiosos que ele estava era inventando na surdina para soltar a língua mais tarde.

Professor de Ensino Religioso, Literatura E História, lecionou nas Escola Estadual Américo Antunes de Oliveira, CEART, EFAT e na Escola Municipal São João Batista.

Radialista, poeta cordelista, trovador, ator, estre de Folia de Reis, membro da Marujada de Nossa Senhora do Rosário Gilmar Souza é também apresentador de eventos e voluntário nos movimentos culturais e em várias instituições que prestam serviços socais.



Gilmar Souza com a lamparina na abertura das OlimPiadas
Espirituoso, Gilmar Souza tem passado a lamparina por algumas cidades do Vale do Jequitinhonha, uma vez que a tocha olímpica não alcançou alguns rincões. Ele diz que a cidade que quiser receber as "OlimPiadas" pode requisitar a passagem da lamparina.

Quando se vai a Turmalina não é difícil destacá-lo: sempre com seu chapéu na cabeça e o embornal do lado, ele vai ganhando o mundo com suas boas conversas, sempre levando, nas suas lorotas e prosas bem contadas, o nome da cidade de Turmalina. Afinal, segundo a escritora turmalinense Janeuce Cordeiro, um contador de prosas é sempre um ladrão de sorrisos, uma sementeira de alegria.


O LIVRO "ENTRE A ARTE E A PELEJA

Prefaciado pelo turmalinense Dr. João Valdir Alves de Souza, Professor Associado de Sociologia da Educação na UFMG e Vice-Diretor da Faculdade de Educação (FAE-UFMG), o livro de Gilmar Souza é recheado de prosas, trovas e potocas, folguedos e fanfarras. Gilmar também não se descuida do pedacinho do sertões que cruzou e nem da sua Turmalina, Turmalinda. Tradição, fé e religiosidade popular que permeia o Vale do Jequitinhonha que vale a pena viver e conhecer também são muito bem retratados por este poeta popular que nunca deixa de voltar às suas raízes. 


Se Gilmar Souza abusa das estórias hilárias que compõe o imaginário popular e de personagens singulares do Vale do Jequitinhonha, ele também nos leva a reflexões sobre temas como meio ambiente, inclusão social, a luta do dia-a-dia empreendida pelo povo da sua terra e da influência tecnológica sobre a cultura popular.

Dr. João Valdir diz que Entre a Arte e a Peleja, mais que o vocativo próprio de um título, traz duas palavras que suscitam ampla reflexão. Uma dela é a arte, que como muitas outras, é uma palavra polissêmica. De muitos significados e de variadas formas de combinação de seus usos, desde seu entendimento como travessura e traquinagem de meninos desinibidos até as mais elaboradas criações de profissionais que se dedicam, como artistas, a dar forma ao que há de mais sofisticado no pensamento humano.

Por outro lado, a palavra peleja, que deriva de pêlo, é uma palavra que remete a batalha, combate, contenda, labuta. Labutar é produzir arte com o próprio suor, mediante sacrifício, expondo a pele, o pêlo e o couro. E isso é o que faz Gilmar Souza na vida e no seu belo livro que ele passa a dividir agora com todos nós.

Outras informações sobre o evento estão disponíveis em nosso portal: www.ufmg.br/polojequitinhonha.
Solicitamos confirmar presença pelo e-mail:
polojequitinhonhaufmg@gmail.com

terça-feira, 7 de junho de 2016

ESCRITOR DO VALE LANÇA LIVRO "MEU PÉ DE ALECRIM DEU FULÔ"



Acontece hoje em Belo Horizonte, a noite de autógrafo com o escritor Joaquim Celso Freire, no lançamento do seu sexto livro, intitulado "Meu Pé de Alecrim deu Fulô".

Mineiro, nascido em Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha, Joaquim Celso Freire, lança, no dia 7 de Junho, a partir das 19h, na Livraria Leitura do Shopping Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6.061) seu sexto livro, intitulado Meu pé de alecrim deu fulô.

“Minha obra é muito influenciada pelo tempo em que vivi no Vale, pelas experiências no contato com a terra e com as pessoas, pelo contraste de uma natureza ao mesmo tempo austera e bela, pelas estórias que ouvi dos mais velhos, pelas nuances da vida, enfim”, afirma o autor.

O novo livro reencontra o personagem José Silva, já presente em Um Silva de A a Z (2007) e O Rio das minhas manhãs (2012). Agora com 90 anos de idade, o protagonista - que veio da roça, passou pela fábrica e aprendeu a ler Kierkegaard - vive com sua esposa em uma agradável casa de campo, em certa região montanhosa do país. No entanto, uma bela mulher reacende desejos antigos, abrindo as portas para novos sonhos e planos.

Sobre o Autor:
Joaquim Celso Freire nasceu em Coronel Murta, região do Vale do Jequitinhonha, em 1952 e mora em São Paulo desde 1974. É professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), onde foi também Pró-Reitor de Extensão. Atualmente, é Presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC.

Publicações anteriores:
- Fazendo Poeira; poesia, 1977.
- Versos Avessos, com Débora de Simas; poesia, 2004.
- Políticas Públicas no Vale do Jequitinhonha – a difícil construção da nova cultura
política regional; políticas públicas e desenvolvimento regional, 2005.
- Um Silva de A a Z; prosa e poesia, 2007.

- O rio das minhas manhãs; prosa e poesia, 2012.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

FESTIVALE FAZ A FESTA DA CULTURA POPULAR

Começa hoje e vai até o dia 20 de setembro em Araçuaí, o Festivale que comemora os 43 anos do Coral Trovadors do Vale e a I Semana da Cultura de Araçuaí.

A festa é uma promoção do Instituto Vale Mais, Coral Trovadores do Vale e e Prefeitura Municipal de Araçuaí com apoio do governo de Minas, através da Secretaria Estadual de Cultura. 

Todas as atividades acontecem no circuito histórico da cidade. Confira a programação na imagem abaixo:



domingo, 9 de junho de 2013

FÉ NA VIDA

Frei Chico lança dicionário com 8,5 mil verbetes sobre a religiosidade popular
brasileira. Obra surgiu da relação do padre holandês com a gente simples do Vale
do Jequitinhonha
Sérgio Rodrigo Reis

Em 1967, quando frei Chico veio da Holanda para o Vale do Jequitinhonha, aquela região de Minas Gerais era considerada um dos três lugares mais pobres do mundo. Diante de tanta miséria, o holandês descobriu riqueza cultural sem precedentes. “Aquilo deu sentido à minha permanência no Brasil”, revela o frade franciscano. Em seus 10 anos como pároco da diocese de Araçuaí, ele contabilizou 15 mil folhas de registros da cultura do povo relacionada à fé e à experiência espiritual. Somado a pesquisas realizadas na Europa, esse vasto material foi a base de um ambicioso projeto, o Dicionário da religiosidade popular: cultura e religião no Brasil. Com 1.150 páginas, a obra de referência chega agora ao público, reunindo 8,5 mil verbetes, 6 mil notas de rodapé e 350 ilustrações.

Lançado pela Editora Nossa Cultura, o livro surgiu por acaso na vida de Francisco van der Poel, o popular frei Chico. “Para poder servir, havia de conhecer aquele povo”, resume ele. A inspiração veio do canto de Filó, a cozinheira da casa paroquial, em Araçuaí. Era algo belo e incomum. “Filó gostava de cantar e resolvi gravar as músicas em fitas cassete, as mesmas que serviram para o repertório do Coral dos Tangarás. Há 43 anos, tive a honra de fundar o grupo, que continua até hoje”, orgulha-se ele.

As viagens a municípios da região de Araçuaí – “em lombo de burro velho, nos fins de semana” – trouxeram novas descobertas. A amizade com a ceramista Maria Lira Marques está entre elas. “Lira abriu as portas da sabedoria popular para mim, o estrangeiro que acabara de chegar”, conta o religioso. Frei Chico viveu 10 anos naquela região. Nesse período, cuidou de registrar as peculiaridades do povo simples com olhar antropológico e visão humanista. “Quando cheguei a Araçuaí, tudo era tão diferente da minha terra, a língua, a cultura, a maneira de tratar as doenças... Ouvia aquela gente se referir a problemas de saúde como carne quebrada, vento virado, espinhela caída e mau-olhado. Comecei a ficar curioso”, diz frei Chico. Cada nova descoberta dava origem a uma anotação.

O Dicionário da religiosidade popular: cultura e religião no Brasil reúne essas descobertas. “Não tinha parâmetro para ele, não há outro livro parecido. Precisei inventar uma fórmula. Coloquei, por exemplo, todo o depoimento do povo – entrevistas, cantos e histórias – em itálico para o leitor perceber onde está a parte mais importante”, informa. À medida que o projeto ganhou consistência, o frade percebeu que em Minas não havia pesquisadores com interesse semelhante. A certeza do pioneirismo do dicionário se confirmou depois da aproximação de Chico com o folclorista Câmara Cascudo e com Carlos Rodrigues Brandão, antropólogo da Universidade de Campinas (Unicamp), responsável pela introdução do livro.

Inicialmente, frei Chico pensou em escrever um manual da religiosidade popular. Tentou esboçar algo nessa linha, mas concluiu que não seria possível sintetizar cultura tão vasta. Assim surgiu o dicionário. “A função do dicionarista não é resolver problemas, mas registrar. Aprendi que não é a lógica que manda, mas o bom senso e a busca de coerência. Preocupei-me não em fazer uma síntese, mas algo orgânico”, detalha. A intenção é conduzir o leitor por uma espécie de viagem rumo ao universo do povo. “As pessoas começam a ler e, de repente, já estão com os 10 dedos no dicionário, marcando links de interesses”, afirma.

Nos últimos 40 anos, frei Chico pesquisou dentro e fora do país assuntos ligados à cultura e fé popular. Chegou à Europa, vasculhou antigos arquivos de Portugal em busca de pistas que pudessem elucidar questões ligadas aos saberes do povo humilde do Vale do Jequitinhonha. “Consultei livros de história, de farmacopeia medieval e até de bruxaria. Reuni 2 mil volumes. Quando concluí o dicionário, doei esse material para a biblioteca da PUC Minas, em Belo Horizonte”, informa o frade.

A pesquisa demorou, mas o livro ficou do jeito que frei Chico sonhou. “Continuo dizendo: o resultado é apenas o começo do princípio de alguma coisa”, garante ele. “Passei por uma reciclagem de ideias. Deparei-me com saberes marcantes e eles mudaram a minha noção de historiografia, a maneira de me relacionar com Deus e com o próprio significado da palavra cultura.” Não é à toa que os verbetes preferidos dele explicam o significado de simples e de sabedoria.

DICIONÁRIO DA RELIGIOSIDADE POPULAR: CULTURA E RELIGIÃO NO BRASIL
De Francisco van der Poel (frei Chico)
Ilustrações: Lira Marques
Editora Nossa Cultura, 1.150 páginas, R$ 290
Informações: www.nossacultura.com.br

FRUTOS DA TERRA
Frei Chico convidou a ceramista Maria Lira Marques, sua mentora na viagem pelo imaginário popular do Vale do Jequitinhonha, para ilustrar o dicionário. Em 350 desenhos surgidos de pigmentos extraídos das diferentes tonalidades de terra da região, a artista imortalizou personagens populares, festas, emoções e curiosidades. “Os desenhos reforçam o caráter da obra. Lira desenha com terra. Se fosse simbolizar o livro, seria com algo como o chão. Aprendi uma coisa lá atrás com o Paulo Freire: para ajudar o povo, é preciso, em primeiro lugar, valorizar o que ele já tem – cultura, história, ideias, lideranças”, ensina frei Chico.

Saiba mais

O MISSIONÁRIO
Francisco Van der Poel nasceu na Holanda, na área rural de Zoeterwoude, e entrou para o convento em 1960. Dois anos depois, ingressou no internato diocesano. Naquela época, havia 1.234 frades holandeses e um terço trabalhava como missionário em países como Índia, Paquistão, Indonésia, Japão e Brasil. O jovem frade ouviu relatos da experiência dos colegas nas Américas. Francisco chegou ao Brasil em 1967. Em Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata mineira, assistiu pela primeira vez a um desfile de carnaval. Em São João del-Rei, participou das celebrações da semana santa. Nomeado pároco de Araçuaí, morou 10 anos no Vale do Jequitinhonha.


Fonte: Jornal Estado de Minas, caderno Pensar, publicação: 08/06/2013.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

PÁSSAROS POEMAS

Fernando Brant


Queria falar da felicidade, do desejo consciente e inconsciente de ser feliz. É algo que se traz da infância, do companheirismo com a meninada, dos jogos de rua, da molecagem diária. Quanto mais o tempo passa para mim, mais me convenço de como é necessário que todos busquemos ser felizes.

São sentimentos para guardar por todo o nosso tempo.

A vida real, com suas tragédias e guerras, com o ódio e competição sem freios, parece nos levar para longe desse objetivo. Não que se diga “dane-se” ao mundo. Vivemos nele e não devemos nos eximir de responsabilidades.

Mas a bandeira que carrego, e vejo que muitos dos que amo e admiro também a empunham, é a procura de harmonia na vida pessoal, familiar e social. Para alcançar esse oásis em meio ao deserto não é necessário pisar em ninguém nem violentar qualquer princípio essencial.

Esse orientar-se no rumo da vida boa e plena nada tem de egoísta. Ao contrário, torcemos para que mais pessoas se juntem a esse nosso anseio. Quantos mais participarem dessa jornada, mais a boa-nova se espalhará. Não é ser irracional ou ignorar o mundo. É ter certeza de que o certo é gozar o dia, a existência.

Tem menino que é igual passarinho. Essa é uma impressão que trago de longe, desde que ouvia num parque em Diamantina a voz de Luiz Vieira cantando “sou menino passarinho com vontade de voar.” Sei de um, especial, Tavinho Moura, que acaba de tirar do forno um trabalho de mais de quatro anos: o livro Pássaros poemas – Aves na Pampulha. Sabe e pode muito esse criador excepcional, craque em tudo em que se aventura.

Inventor de belezas, estamos acostumados a ouvir suas canções de harmonias, palavras e melodias inusitadas, de carga lírica mineira, brasileira e universal. Violonista e violeiro, carpinteiro de mão cheia. Amigo para toda hora. Conhece peixes e árvores, plantas, frutas e doces. Principalmente, dá aulas, naturalmente, sobre passarinho.

Quantas vezes fiquei emocionado com suas descrições das aves que encontrou na meninice da Zona da Mata e com as que vai dando notícia por todos os cantos em que anda, em todos os livros que lê. Geralista dos melhores, escreveu a história da Maria do Matué, uma riqueza.

Eis que ele resolveu fazer um livro sobre os pássaros que circulam pela nossa Pampulha. Tratou, em primeiro lugar, de aprender e esmerar na fotografia. As fotos que ele criou para seu livro são de espantar, beleza sem medida. Escreveu poemas passarinheiros invejáveis. E ainda convidou amigos escritores para colaborarem com ele. O projeto gráfico de Mariana Hardy e as aquarelas de Sandra Bianchi completam a maravilha.

Salve, salve a felicidade.

Fonte: Caderno EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 26/09/2012

domingo, 19 de agosto de 2012

ALUNO DA E.E. PROF. GERALDA OTONI É ESCOLHIDO EM CONCURSO LITERÁRIO

Nessa semana eu eu bati um papo muito legal com um estudante da Escola Estadual Professora Geralda Otoni Barbosa chamado Breno Fernandes da Cruz, de 13 anos, que foi selecionado num projeto de leitura desenvolvido pelo escritor baiano Laé de Souza.

A Escola se inscreveu no projeto Ler é bom, experimente! e Minha escola lê, através da iniciativa da supervisora Eliane Maciel, que contou com a participação de alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental e de alunos dos 8ºs e 9ºs anos do Ensino Fundamental.

O escritor e mentor do projeto, Laé de Souza, enviou para a escola a coleção Acredite se Quiser para que os professores trabalhassem com os seus alunos. Os alunos, após lerem a coleção, deveriam desenhar (no caso, os alunos do 1º ao 5º ano) ou escreverem crônicas (no caso, os alunos do 8º e 9º anos). A escola selecionou 03 cronicas que foram enviadas para o escritor Laé de Souza em São Paulo.

Lá, elas se juntaram a outras crônicas de diversos estados do Brasil a fim de serem selecionadas 23 que integraram o livro As melhores crônicas dos projetos de leitura Volume 4, ano de 2012, editado pela Editora Eco Arte. 

É aí que entra a históira do aluno Breno. Ele foi selecionado entre diversos alunos do brasil pra fazer parte desse livro com a crônica Problemas à parte, Queixada se elege vereador que você pode conferir ao final desse texto.

O lançamento do livro aconteceu no dia 11 de agosto, sábado passado, às 4 da tarde lá na 22ª Bienal Internacional do Livro no Anhembi em São Paulo. O Breno esteve presente no lançamento junto com a Diretora da E.E. Pr. Geralda Otoni, Maria Helena Barbosa da Silva, conhecida como Leninha Barbosa. Eu estive na escola e bati um papo com o Breno, aluno do 8º ano do Ensino Fundamental e com a diretora Leninha. Confira a entrevista no programa Canta Minas desse domingo, 19.

LEIA A CRÔNICA NA ÍNTEGRA:

PROBLEMAS À PARTE, QUEIXADA SE ELEGE VEREADOR

Autor: Breno Fernandes da Cruz – 13 anos
Professora: Rogéria Maria Alves Pimenta
Escola: E.E.”Professora Geralda Otoni Barbosa”
Cidade: Capelinha – MG

          Como de costume, aos sábados, reuniram-se no bar do Magrão vários amigos para tomar uma pinguinha e falar de mulheres e futebol. Mal sabiam eles que do outro lado da cidade estavam suas esposas, gastando todo o limite do cartão, além de juntarem-se para criticar os respectivos maridos.
          Mas esse era um dia especial. Todos, incluindo as mulheres, esperavam pelo resultado da eleição do Pastor Queixada e bebiam uma pinguinha para tentar esquecer os problemas.
          Neilando 2000 só pensava em pagar as contas para começar o novo milênio com o pé direito.
          Januário, de joelhos, pedia desculpas à mulher quase todos os dias pelo atrevimento de ter gritado com ela.
          Belarmino não queria nem saber de carnaval e tentava reconquistar a mulher que perdera após uma briga.
          O prefeito, com mania de grandeza, procurava construir em sua cidade com apenas três ruas, oito casas, um restaurante e um bar, um estádio de futebol para receber a final da Copa do Mundo. Como sonhava, coitado!
          Mas, problemas à parte, todos esperavam pela eleição do Pastor Queixada que, por sua vez, prometeu a todos a solução de seus problemas, mesmo sabendo que seria praticamente impossível cumprir essa promessa.
          A tensão tomou conta do bar do Magrão no momento em que os votos começaram a ser apurados e algumas horas depois saiu a esperada notícia de que Queixada havia sido eleito.
          A tensão deu lugar à alegria e a pinga rolou solta e, apesar de ter negado, acredito que naquele dia até o Pastor Queixada relembrou os velhos tempos e bebeu uma pinguinha.
          Agora, só resta a ele torcer para que todos encham a cara e se esqueçam de suas promessas impossíveis.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

VIVEMOS A CULTURA DA DESORIENTAÇÃO?

Por Tadeu Oliveira

Recentemente li o livro A cultura-mundo: resposta a uma sociedade desorientada, de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, lançado pela Companhia das Letras, que aborda com profundidade os efeitos provocados pela cultura de consumo no mundo atual, nossas relações interpessoais e as experiências imediatistas que o novo consumidor cultural requisita.

Esta forma de relação, ao mesmo tempo em que nos dá a sensação de bem-estar material e físico, de autonomia e livre escolha oferecidos pela enorme diversidade de meios de comunicação e de informação, provoca também incertezas, dependências, indecisões e inseguranças em relação à nossa identidade.

Para exemplificar, basta observarmos as nossas relações sociais e afetivas que acentuam o sentimento de solidão e de individualidade: “são milhares de pessoas conectadas umas às outras mundo afora e, ao mesmo tempo, são milhares de pessoas com a sensação de isolamento”.

Ao longo de quase 14 anos residindo e convivendo com diversas pessoas das mais variadas classes sociais na região do Médio Jequitinhonha observa-se que, a despeito da carência de capital social, educacional e econômico, historicamente forjou-se um capital cultural calcado na oralidade para transmitir saberes e fazeres incorporados pelas pessoas que habitam a região e que torna-se sua maior força coletiva.

Nas minhas andanças pelo Vale do Jequitinhonha afora e adentro, conheci pessoas ligadas a visões tradicionais do mundo, com valores morais e regras de convívio sociais específicos que refletem na diversidade de ser dessas pessoas. São contadores de causos, benzedores, repentistas, artesãos, na maioria analfabeta, no entanto repletos de sabedorias centenárias.

Seu Geraldo e as primeiras violas
Lembremos do Sr. Geraldo Pinheiro, conhecido como Geraldo da Viola, que participou como convidado do Canta Minas dando ao programa um caráter bem próximo das camadas populares devido ao seu jeito simples de expressar. Posteriormente, ele nos surpreendeu ao revelar-se luthier autodidata (ou fazedor de violas, como ele mesmo prefere se autodenominar). Hoje ele continua abrilhantando um outro programa matinal da Aranãs FM com suas prosas e tiradas bem ao gosto popular.

Tão logo o programa volte ao ar, pretendo criar um quadro mensal com mestres de ofício visando à valorização dos saberes e fazeres da cultura popular que estão se perdendo por causa do desenvolvimento tecnológico e das novas formas de comunicação.

A facilidade e o acesso a novas tecnologias aliadas à responsabilidade social poderiam ser facilitadores na condução das políticas culturais que promovessem pesquisas e valorização destes saberes e fazeres, cabendo principalmente aos jovens de hoje o papel de preservar os valores tradicionais, atitude primordial para a afirmação de nossa identidade, embora ele também tenha toda a liberdade de criar novas formas de expressão cultural que estão ligadas ao seu tempo. Isso com certeza preencheriam o vazio existencial pelo qual atravessamos nos nossos dias.

Ao ler A cultura-mundo, me veio à cabeça a célebre frase de um outro livro, Alice no país das maravilhas: “para quem não sabe para onde vai qualquer caminho serve”, pergunta que coloca em cheque quem quer que se encontre perdida sem sabe pra onde ir. Talvez a resposta mais coerente para esta sociedade desorientada seria “quem não sabe para onde está indo devia ao menos saber de onde está vindo”.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

BH: LETRA E MÚSICA

Livros de Leonardo José Magalhães Gomes desenham o mapa cultural da capital. Escritores e cantores indicam obras que melhor traduzem a cidade

Ailton Magioli


Aos 114 anos, completados na segunda-feira, Belo Horizonte já tem consciência e uma produção de consistência da história da cidade. “O problema é a atual administração municipal, que está desmontando a cidade”, aponta o historiador Leonardo José Magalhães Gomes, de 59 anos. Ex-diretor do Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), ao conversar com um dos prefeitos da capital, acabou despertando para a necessidade de publicação de Memória de ruas – Dicionário toponímico de Belo Horizonte, de 1992, que já está na segunda edição.

Ontem à noite, na Quixote Livraria, Leonardo lançou Belo Horizonte: A cidade descrita (Documentos de uma história urbana) e A música da cidade – Cartografia musical de Belo Horizonte, que encerram a trilogia historiográfica da cidade. “Na verdade, não havia pensado em uma trilogia”, revela o autor dos livros, lembrando que os dois últimos foram feitos sob encomenda para o Anuário de Belo Horizonte.

Inspirada nos livros, que abordam a produção literária e musical da cidade, o Estado de Minas pediu a escritores, cantores e compositores que indicassem as obras que melhor traduzem o espírito belo-horizontino, capazes de nos fazer entender a cidade. Afinal, quais seriam os livros fundamentais para a história de Belo Horizonte? E, entre as canções, quais delas entrariam na provável trilha sonora da cidade?

Para Leonardo José Magalhães Gomes, literariamente, Belo Horizonte já produziu o que há de melhor em língua portuguesa, diante da obra de Pedro Nava, Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. “Não podemos esquecer que Rosa morou na cidade, estudou no Colégio Arnaldo e se formou em medicina pela UFMG. A formação intelectual do escritor foi toda aqui em Belo Horizonte”, orgulha-se o historiador.

Musicalmente, Leonardo resolveu privilegiar o Clube da Esquina e Milton Nascimento. “Trata-se de um gênio como Pixinguinha e Tom Jobim, que costuma ser pouco apreciado na cidade. O pessoal do Clube é sempre vítima de uma olhar de desdém da cidade”, diz Leonardo José Magalhães Gomes, para quem, no livro A música da cidade, defende a tese de que a produção musical de Milton Nascimento e a turma do Clube da Esquina está para Belo Horizonte assim como o tango está para Buenos Aires e a valsa para Viena.

Cantores e compositores ouvidos pela reportagem foram além do período, conforme a defesa de cada um. Para Dudu Nicácio, por exemplo, a música homônima ao movimento “foi o marco histórico que cantou para todo mundo a nossa cidade, cultura e jeito”. Mas ele vai além, e aponta o Skank e Vander Lee como responsáveis por novas páginas musicais da capital. “Com muito suingue e malemolência, Garota nacional, de Samuel Rosa e Chico Amaral, mostrou ao Brasil que um simples bar e uma bela garota facilmente podem se tornar uma paixão. Não é a toa que essa rapaziada fez tanto sucesso”, afirma Dudu. Para ele, “nenhuma rivalidade entre torcidas também foi tão bem retratada, musicalmente, como em Galo e Cruzeiro, de Vander Lee. “Mais do que nunca, é a cara de Belo Horizonte, apaixonada por futebol e samba. Um gol de placa do Vandeco”.

Já Márcio Borges, um dos principais letristas do Clube da Esquina, atribui aos versos de Rômulo Paes, “a minha vida é esta: subir Bahia, descer Floresta”, um dos mais inspirados momentos da capital. “Descreve que a ‘nossa’ vida é essa, e acho que, pelas proporções do vertiginoso crescimento da cidade, esse espírito boêmio da Rua da Bahia se alastrou para além da Floresta e chegou em Santa Tereza”. E completa: “Lá, o ícone do bairro é o tal Clube da Esquina, e esta música minha, de Lô Borges e Milton Nascimento retrata um momento muito importante da vida da cidade e até mesmo se confunde com ela”. A terceira música para Márcio – mas não a última, pois não estou enumerando – só pode ser a Garota nacional, do Skank. “Foi ela que tornou a projetar a música produzida em BH para muito além de nossas fronteiras”, justifica.

Já o rapper Flávio Renegado anuncia que vai liberar para download, a partir de hoje, em seu site (www:flaviorenegado.com.br), a até então inédita Até o dia clarear, que ele fez em homenagem a Belo Horizonte e, segundo diz, a suas “belas mulheres”.

Literatura
A professor Heloísa Starling aponta três autores que, em sua opinião, produziram narrativas exemplares sobre Belo Horizonte. O primeiro, Eduardo Frieiro, “que foi um cronista impecável”. “Seus livros, sempre devidamente ambientados em Belo Horizonte, fizeram dele um dos grandes cronistas da cidade. É o caso de conferir em O cabo das tormentas. Esse livro é inteiramente ambientado no Edifício Cine Brasil, cujo prédio modernista é apresentado ao leitor como a quilha de um grande e melancólico transatlântico, fervilhando de uma gente anônima, irremediavelmente encalhada na esquina principal da Avenida Afonso Pena, no centro comercial da cidade”.

A seguir, Heloisa aponta Cyro dos Anjos (O amanuense Belmiro), que ela escolheu junto do também professor Wander Melo Miranda, concluindo com Marcus Freitas (Peixe morto), autor, em sua opinião, de “um thriller emocionante, ambientado na Belo Horizonte contemporânea”. O poeta Ricardo Aleixo, por sua vez, vai de Rodrigo Ferreira e Beatriz de Almeida Magalhães, autores de Belo Horizonte – Um espaço para a República, sob o argumento de tratar-se de “obra única para quem busca entender, em minúcias, a lógica positivista que preside a construção da capital mineira”.

Além de Sérgio Fantini, autor de Diz xis, e Humberto Werneck, autor do já clássico O desatino da rapaziada. “Fiquei tentado a indicar qualquer um dos livros de Wander Piroli, ou o Encontro marcado, de Fernando Sabino, ou, ainda, a memorialística de Pedro Nava, mas entendo que essa deliciosa obra, fruto de intensa pesquisa, já representa, por si só, um convite ao leitor que se disponha a conhecer os autores e livros que citei. O livro, muito bem escrito, sem pedantismo, dá a ver a formação da vida literária na província – um modo de ver e pensar o mundo que ainda hoje persiste”, conclui.

BELO HORIZONTE: A CIDADE DESCRITA (DOCUMENTOS DE UMA HISTÓRIA URBANA)
A MÚSICA DA CIDADE – CARTOGRAFIA MUSICAL DE BELO HORIZONTE
Lançamento dos livros de Leonardo José Magalhães Gomes, dia 14 de dezembro , na Quixote Livraria e Café, Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi. Informações: (31) 3264-2858.
Belo Horizonte em…

Canções


1 – Clube da Esquina, Márcio, Lô Borges e Milton Nascimento
2 – Garota nacional, Samuel Rosa e Chico Amaral
3 – Galo e Cruzeiro, Vander Lee
Dudu Nicácio, 32 anos, no momento grava o primeiro CD solo, depois de dividir discos com a cantora Leopoldina e com o carioca Rodrigo Braga, com quem forma o duo Dois do Samba. Coordenou a participou de projetos Reciclo, Choro livre, Bloco da cidade e Mostra nova música instrumental mineira, além do Samba da madrugada.

1 – Para Lennon e MCcartney, de Lô e Márcio Borges e Fernando Brant.
2 – Belo caso de amor, de Paulinho Pedra Azul
3 – Serra do Curral, de Thiago Delegado e Edu Krieger
Flávio Renegado, 29 anos, originário da comunidade do Alto Vera Cruz, onde integrou o grupo Neghros da Unidade Consciente. Militante social, já gravou e lançou
dois discos: Do Oiapoque a Nova York (2008) e Minha tribo é o mundo (2011).

1 – A minha vida é essa (Subir Bahia, descer Floresta), Rômulo Paes
2 – Clube da Esquina, de Márcio, Lô Borges e Milton Nascimento
3 – Garota nacional, de Samuel Rosa e Chico Amaral
Márcio Borges, 65 anos. Irmão de Marilton e Lô Borges, um dos principais letristas do Clube da Esquina. É autor do livro Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina.

Livros

1 – O cabo das tormentas, Eduardo Frieiro
2 – O amanuense Belmiro, Cyro dos Anjos
3 – Peixe morto, Marcus Freitas
Heloísa Murgel Starling, 54 anos, professora da UFMG, coordenadora do Projeto República: Núcleo de Documentação, Pesquisa e Memória da UFMG, além de pesquisadora do CNPq e Fapemig. Seu mais recente livro é Uma pátria para todos: Chico Buarque e as raízes do Brasil.

1 – Belo Horizonte – Um espaço para a República, Rodrigo Ferreira e Beatriz de Almeida Magalhães
2 – Diz xis, de Sérgio Fantini
3 – O desatino da rapaziada, Humberto Werneck
Ricardo Aleixo, 51 anos, é poeta, ensaísta e compositor, publicou, entre outros, os livros Festim, Trívio e Modelos vivos.

1 – O amanuense Belmiro, Cyro dos Anjos, 1937
2 – Beira-Mar, Pedro Nava, 1978
3 – Esquecer para lembrar – Boitempo III, Carlos Drumond de Andrade, 1979
Wander Melo Miranda, 59 anos é professor e diretor da Editora UFMG, além de autor dos livros de ensaios Corpos escritos (1992) e Nações literárias (2010).

Fonte: Jornal Estado de Minas - Caderno EM Cultura, 14/12/2011

sábado, 8 de outubro de 2011

CORAL DE VEREDINHA CANTA NA FESTA DO ROSÁRIO EM TURMALINA

Novena, lançamento de livro, batuque de tamborzeiros e canto coral abrilhantam a festa do Rosário em Turmalina


Acabo de chegar de Turmalina onde fui participar, juntamente com o Coral Vozes das Veredas, da Festa de Nossa Senhora do Rosário.

Este privilégio me foi concedido pelo rei Teotônio, que desde o final do ano passado já havia nos convidado a participar da festa.

O rei do Rosário Teotônio
A festa foi simples, mas carregada de significados. A festa do Rosário de Turmalina traz em si todos os elementos da cultura popular do Vale do Jequitinhonha que resiste ao tempo.

Hoje, 07 de outubro, aconteceu o oitavo dia da novena à N. Sra. do Rosário e São Cristóvão. Após a novena, o turmalinense Valdivino Pereira Ferreira lançou o seu livro “Festa do Rosário dos Homens Pretos: do arraial da Piedade a cidade Turmalina” publicado pela editora CBJC – Câmara Brasileira de Jovens Escritores-RJ.

Para quem ainda não conhece o Valdivino, ele nasceu em 1973, na comunidade rural de Bocaina, à margem do rio Jequitinhonha, no município de Turmalina-MG.

O pesquisador e escritor Valdivino
Poeta popular, repentista, violeiro, cantador de modas de viola e de modinhas seresteiras, além de compositor de música sertaneja Valdivino desenvolveu o gosto pela escrita e pela genealogia histórica pelas conversas que mantinha com a avó materna, dona Cecília de Paula Godinho. Isso o tranformou num autor de diversos livros e opúsculos sobre história, genealogia, biografia, poesia, folclore e religiao com uma extensa lista de publicaçoes que só vem acrescentar a pesquisa sobre o Vale do Jequitinhonha.

Em seguida, o Coral Vozes das Veredas apresentou um repertório composto de músicas folclórias e popular brasileira. Músicas como “Itamarandiba” de Milton e Fernando Brant se misturaram e louvores a Nossa Senhora do Rosário, deixando o público presente emocionado.

Coral Vozes das Veredas
Amanhã o coral parte para Araçuaí, onde participará da Festa de 15 anos da Companhia de Teatro Ícaros do Vale. O Vozes das Veredas se apresentará na Igreja do Rosário de Araçuaí, às 19 horas.

Portanto, amigos e companheiros de Araçuaí, nos aguardem.

Fotos: Tadeu Oliveira e Zé Geraldo Rocha

terça-feira, 30 de agosto de 2011

LIVRO HISTÓRICO SOBRE VANDRÉ



Livro analisa como a imprensa ajudou a formar o imaginário em torno do paraibano Geraldo Vandré

Obra da historiadora Dalva Silveira disseca o polêmico cantor de protesto que abandonou os palcos
Por Ana Clara Brant - EM Cultura

No 3º FIC, Geraldo Vandré interpreta Pra não dizer que não falei das flores,
a canção de protesto mais importante da MPB

Era 1968, o cantor e compositor Geraldo Vandré disputava o 3º Festival Internacional da Canção (FIC) com a música Pra não dizer que não falei das flores. Conhecida como Caminhando, ela acabou em segundo lugar e perdeu para Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim). O público vaiou, exigindo que o prêmio fosse dado a Vandré. Dois anos antes, esse artista paraibano já participava do 2º Festival da Record com Disparada, vencedora ao lado de A banda, clássico de Chico. No entanto, a vida do autor de Caminhando, hoje com 75 anos, desviou-se da carreira musical. É isso que a historiadora, escritora e professora mineira Dalva Silveira relata no livro Geraldo Vandré – A vida não se resume em festivais, que será lançado hoje em BH.
Depois de analisar 68 matérias de revistas e jornais publicadas entre 1966 e 2009, Dalva se propôs a descobrir até que ponto a imprensa brasileira contribuiu para a construção do enigma em torno do compositor. “Desde criança, tinha fascínio por ele, por suas músicas. Colecionava discos e matérias sobre Vandré. Sempre ouvi falar em tantas histórias, coisas meio mal explicadas, que ele teria sido torturado, sofrido lavagem cerebral. Por isso decide pesquisar”, revela a autora.


A reportagem que abre o livro é entrevista de Vandré, intitulada “Não tenho presidente”, publicada no Estado de Minas e no Correio Braziliense em 13 de dezembro de 2008, lembrando os 40 anos do Ato Institucional nº 5 (AI-5). O artista é descrito pelo repórter Leandro Colon como “um homem solitário, longe dos palcos, que parece paranoico”. Outras matérias também surpreenderam Dalva: o jornal alternativo Ex- traz entrevista reveladora do compositor. Várias publicações abordam o retorno dele ao Brasil depois de longo exílio. “É um acontecimento meio enigmático. Em 18 de julho de 1973, encontrei pequena nota no Jornal do Brasil informando que ele estava de volta, mas sem dar muito destaque. Semanas depois, o paulista Jornal da Tarde sai com esta manchete: ‘Vandré volta ao Brasil cheio de novidades’. Mas ele já estava aqui há um mês”, observa.


Fatos Para Dalva Silveira, a imprensa contribuiu para a criação do imaginário sobre a trajetória do autor de Pra não dizer que não falei das flores. Entretanto, aos fatos transformaram Geraldo Vandré em mito. “A imprensa teve a sua responsabilidade sim, mas não foi o fator principal. Quando ele estava no auge, a carreira foi interrompida porque veio o AI-5. Ele teve que se exilar e, quando voltou, não retomou a carreira como antes. Acabou se criando uma série de enigmas em torno de sua figura”, acredita a historiadora.


Dalva diz ter descoberto muita coisa sobre seu ídolo de juventude e, consequentemente, sobre a história e a cultura do Brasil. “Ainda mais sobre o período da ditadura militar, que me fascina muito. Acabei desvendando muitos aspectos da vida do Vandré. Quem sabe, um dia até lhe entregue o exemplar do livro lá em São Paulo, onde ele mora? Seria bem interessante”, conclui.
Sucesso e ostracismo
Geraldo Pedroso de Araújo Dias Vandregísilio (foto) nasceu em 1935, em João Pessoa, na Paraíba. Adotou o nome artístico de Geraldo Vandré em homenagem ao pai, José Vandregísilio. Começou a carreira na década de 1960 e ficou famoso por canções protesto como Disparada, Porta-estandarte e Pra não dizer que não falei das flores, que se tornou hino contra a ditadura militar. Foi obrigado a deixar o país em 1969. Quando voltou, parecia demonstrar novas opiniões em relação à política. Deixou de criticar os militares e fez a música Fabiana em homenagem à Força Aérea Brasileira (FAB). Abandonou os palcos e se transformou no enigma da MPB. Vandré completa 76 anos no mês que vem.
Enquanto isso...... na Paraíba
“Uma novela mexicana sem fim”. Assim o jornalista e poeta paraibano Ricardo Anísio define o processo de escrever sobre Geraldo Vandré. Há vários anos tentando concluir o projeto, Anísio pretende publicar um livro sobre o compositor, mas não o considera biografia. “A instabilidade psicoemocional do meu amigo fez com que ele me concedesse entrevista, que, depois de publicada, ele desmentiu. Por sorte, esse encontro foi acompanhado por testemunhas, como o compositor Vital Farias e o poeta Jessier Quirino. Tenho muito material. Certamente, o livro cumprirá seu intento: contar a história e os mitos sobre Geraldo Vandré”, revela. 

Lançamento:
Geraldo Vandré – A vida não se resume em festivais
Autora: Dalva Silveira
Fino Traço Editora
Onde Comprar: Quixote Livraria (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi - BH)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

LANÇAMENTO DE LIVRO COM ILUSTRAÇÃO DE MARINA JARDIM

Será lançado em Belo Horizonte, "O livro de Isis" ilustrado pela artista plástica Marina Jardim e organizado por Bernadetth Maria Pereira. 



Veja abaixo onde o livro será lançado em BH: 
Dia: 24 de agosto (quarta-feira)

Hora: 19h

Local: Livraria Mineiriana

Endereço: Rua Paraíba, 1419 - Savassi - BH - MG 

Fone: 31 3223-8092

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LIVRO "GERAES" É UMA REALIDADE NO JEQUITINHONHA

Por Tadeu Oliveira


Cumprindo com o cronograma proposto e divulgado neste e em diversos outros blogs, apesar de não ter acontecido em Diamantina por dificuldade de articulação local, os fundadores do Jornal GERAES Tadeu Martins, Aurélio Silby e George Abner lançaram na noite de terça-feira, 09, o livro “GERAES – A realidade do Jequitinhonha”, na cidade de Turmalina.


Público presente

A sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Turmalina recebeu um público que, embora pequeno, recebeu com expectativa e alegria o tão esperado livro. Além de diversas pessoas que atuaram e atuam no movimento cultural e social da cidade anfitriã, havia gente de Veredinha, Chapada do Norte, Minas Novas e Capelinha representando diversas entidades. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capelinha e Angelândia esteve representado pelo Secretário Geral Expedito Peçanha de Oliveira e pelo funcionário Carlos, enquanto eu representei o programa/blog Canta Minas e o Coral Vozes das Veredas, da cidade de Veredinha MG.

Ênio e Julinho
Por volta das 19h30, o evento foi aberto por uma cantoria feita pelos turmalinenses Ênio e Julinho. Em seguida, formou-se a mesa com a presença de representantes das entidades locais,  do economista Aurélio Silby (Ponto dos Volantes), do jornalista Geroge Abner (Pedra Azul) e do engenheiro e contador de ‘causos’ Tadeu Martins (Itaobim), todos fundadores do jornal Geraes há mais de 30 anos, juntamente com Carlos Figueiredo, que não estava presente.


Aurélio Silby
Os três fundadores presentes fizeram o uso da palavra e Aurélio Silby discorreu sobre a fundação do jornal quando, em 1978, ele, Tadeu Martins, Geoge Abner e Carlos Figueiredo juntaram “as ideias e as conversas” e resolveram “fundar um jornal para o Vale do Jequitinhonha que não fosse um jornal qualquer”, mas  “um contraponto, uma alternativa, algo novo que abrisse espaço para as pessoas que moravam no Vale, que viviam aqui no Vale”, embora os fundadores não vivessem na região por terem ido morar em Belo Horizonte para dar continuidade aos estudos.

Aurélio lembrou ainda que, no início, eles não tinham uma ideia muito clara sobre o caminho que o jornal tomaria, mas lembrou que já haviam certos princípios básicos e o primeiro deles era a independência política; o segundo, era abrir espaços para que as pessoas do Vale pudessem ocupar, utilizando o jornal para se manifestar, reivindicar, protestar, divulgar as lutas sociais e políticas e as suas expressões culturais.  Lembrou também das dificuldades iniciais, que passavam pelas finanças, pela necessidade de se construir uma forma organizativa e pela falta de periodicidade do jornal.

 
George Abner
O jornalista George Abner afirmou que o GERAES foi “uma ideia e continua sendo a ideia de uma sociedade livre, de uma sociedade que construa uma igualdade que não seja essa imensa diferença que ainda é o nosso país, com 10 milhões de miseráveis e pobres... ou muito mais... claro que depende dos pobres e dos oprimidos para construir essa sociedade, não devemos ser paternalistas. (...) A luta do GERAES é uma ideia a ser construída com a participação de todos”.  

Mas o ponto forte do discurso de Abner ocorreu quando lembrou da luta empreendida por Vicente Nica, um camponês que se tornou um atuante líder sindical da cidade de Turmalina ao lutar pela terra no momento em que as chapadas do alto e médio Jequitinhonha eram ocupadas pelo eucalipto.

A lembrança da figura emblemática de Vicente Nica levou George Abner a se emocionar ao afirmar, como os olhos cheios de lágrimas: “O Geraes não existiria sem Vicente Nica. Ele é parte de Turmalina... Vicente Nica significa este sindicato, as terras de são Miguel e Mato Grande... significa o CAV... significa uma mudança na estrutura de poder dessa cidade. Então, não podemos esquecê-lo, mas principalmente a sua ideia de uma sociedade justa, que ele viveu e lutou por ela. Não é nenhum sentimentalismo, mas uma lembrança para que a cidade de Turmalina saiba disso. Ele foi a base disso, foi a base de trazer um pensamento novo para uma sociedade nova. Não faço uma homenagem póstuma, pois o seu pensamento está vivo”.


Tadeu Martins
Em seguida, Tadeu Martins lembrou porque nasceu o GERAES: “nos preocupava muito naquele período negro que a ditadura militar massacrava o povo, impedindo sua organização... a exploração era muito grande... a miséria andava solta, o Jequitinhonha era conhecido como Vale da Miséria, Vale da Fome, Vale do Marcha-ré... Eram os nomes que o Jequitinhonha tinha e nos intrigava muito como uma região tão rica (...) vivia com um povo tão pobre, tão oprimido e massacrado por um poder que massacrava toda sociedade brasileira... mas aqui no Vale a miséria era tão grande numa região tão rica, (...) [e ainda] hoje uma das regiões mais ricas do Estado e importante em todos os aspectos”.

Dito isto, Tadeu Martins discorreu sobre a história de Minas Gerais e da região, passando pelo garimpo, pelo genocídio dos índios da região, falou do rio e da barragem de Irapé, lembrou das estradas com asfaltos por fazer há mais de 40 anos e terminou reivindicando:  “que haja um respeito maior com essa região e mais organização para haver este respeito”.

Logo após, a equipe de produção do livro GERAES distribuiu diversos exemplares para as instituições e entidades presentes, cujos representantes fizeram o uso da palavra franca.



        Hugo Jansen (Mov. Cultural), Elias Nica (filho de Vicente Nica),
     Aurélio Silby, Tadeu Martins, José Antonio de Andrade (FETAEMG),
                                    Boaventura (CAV) e George Abner

POR QUE O PROJETO DO LIVRO?

Jane Orsine
Os idealizadores do projeto são unânimes em enumerar que se deve a: 1º) todas as edições do jornal se perderam; 2º) porque na memória de grande parte das pessoas não há mais o registro desse momento em que o jornal esteve presente no Vale, de 1978 até 1985; 3º) resgatar as edições para passar às novas gerações esse momento importante para a História regional e, 4º) oferecer ao Vale do Jequitinhonha esse documentário histórico.

Dr. Hugo Jansen

Em novembro, os produtores do jornal passaram por diversos lugares do Vale com o objetivo de fazer uma edição nova do jornal com o objetivo de se fazer uma comparação crítica do passado com o presente. Diante disso, Tadeu Martins, Aurélio Silby e George Abner esperam que se cumpra o objetivo proposto pelo jornal desde a sua fundação, que é o de servir ao povo do Vale  como ele sempre serviu, agora como um processo de estudo, de reflexão, bem como a análise de sua importância nessa trajetória.

Uma coisa é certa: o GERAES foi importante ao retratar em suas páginas os assuntos mais importantes para o Vale naquele momento da história. O jornal teve papel fundamental no surgimento de diversos sindicatos rurais, a exemplo do Sindicato de Turmalina. Poetas, músicos, escritores tiveram voz através do jornal. E assim sendo, foi uma das células para o surgimento do Festivale.



Expedito, Noraldino e Carlos

Tadeu Martins, George Abner, Tadeu Oliveria e Aurélio Silby

Para saber sobre a programação de lançamento nas cidades do Vale, acesse: http://cantaminas.blogspot.com/2011/08/vem-ai-o-lancamento-do-livro-geraes.html

 Para saber mais sobre o Jornal Geraes, leia artigo escrito por mim neste blog, intitulado Jornal Geraes: veículo de resistência, denúncia e cultura ou acesse o blog do Jornal Geraes: http://blogdogeraes.blogspot.com/ .

Fotos: Tadeu Oliveira