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Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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segunda-feira, 27 de julho de 2015

CAPELINHA TERÁ REPRESENTANTES NO FESTIVALE 2015

O radialista Tadeu Oliveira participará do FESTIVALE concorrendo com a música “A Viola e o Rio”, composta em parceria com Aléxis Eleutério e que será interpretada pela cantora goiana Danielle Bonfim


Começou no dia 26 de julho e vai até dia 1º de agosto de 2015, a 32ª Edição do Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha (FESTIVALE) no município de Salto da Divisa, localizado no baixo Vale do Jequitinhonha. O evento, realizado pelo Instituto Sociocultural do Vale do Jequitinhonha (VALEMAIS) e pela Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha (FECAJE), terá uma extensa programação de shows, debates, cursos, oficinas, festival de música, noite literária, feira de artesanato, seminários, participação de grupos de cultura popular, mostras de teatro e mostras de vídeo e fotografias.

Artesão Geraldo da Viola
A cidade de Capelinha terá representantes na Feira de Artesanato e no Festival de Música. A Associação dos Artesãos de Capelinha (PROARTE), será representada pelo seu presidente, o artesão Seu Geraldo da Viola e pela artesã Elizete. Seu Geraldo da Viola trabalha com madeira e Elizete com barro.
A intérprete Danielle Bonfim
 

Além dos artesãos, o radialista Tadeu Oliveira também participará do FESTIVALE concorrendo com a música “A Viola e o Rio”, composta em parceria com Aléxis Eleutério e que será interpretada pela cantora goiana Danielle Bonfim, que atualmente reside em Brasília DF. Além dela, também participará como músico o capelinhense Gustavo Lima de Jesus que tocará violão.

A participação do radialista Tadeu Oliveira e da cantora Danielle Bonfim no Festivale está sendo patrocinada pelo Café Aranãs e pela Prefeitura Municipal de Capelinha.

Confira a lista dos classificados para o Festival da Canção do 32º Festivale, em ordem alfabética:

1 – “A Viola e o Rio” de Tadeu Oliveira e Aléxis Eleutério – Capelinha/MG;
2 – “Achados e Perdidos” de Sandro Marcelino – Belo Horizonte/MG;
3 – “Canção Cotidiana” de Fábio Castro – Miraí/MG;
4 – “Canção do Retirante” de Volber Maciel – Turmalina/MG;
5 – “Canguim Espalitando os Dentes” de Papalo Monteiro – Vitória da Conquista/BA;
6 – “Cristais de Hoje” de Herbert Alencar e Márcio Medrado – Itamarajú/BA;
7 – “Ela” de Chicó do Céu – Belo Horizonte/MG;
8 – “Encomendação” de Sérgio Di Ramos – Ilhéus/BA;
9 – “Lá Vai o Rio” de Dorí Mendes – Belo Horizonte/MG;
10 – “Maresia” de Lúcio Lourenço – Marília/SP;
11 – “Meu Nome é Nordeste” de Ivan Pestana – Minas Novas/MG;
12 – “Mistérios do Mar” de Dalmir Lott e Beatriz Faria – Belo Horizonte/MG;
13 – “Não Tem Cascudo pra Fazer Pirão” de Cory – Jacinto/MG;
14 – “O Luar” de Dentinho Arueira – Bombinhas/SC;
15 – “O Retrato Falado do Sertão” de Walter Lages e Carlos Aires – Vitória da Conquista/BA;
16 – “Olho do Silêncio” de Gracildo Santos Lima e Renato Alves – Fronteira dos Vales/MG;
17 – “Rio Jequitinhonha” de Ailton Botelho – Rubim/MG;
18 – “Sede dos Rios” de Marcos Catarina e Sandro Livanchk – Belo Horizonte/MG;
19 – “Tem Samba Hoje? Tem!” de Neilton Rocha – Jequitinhonha/ MG;
20 – “Temíveis Barreiras do Não” de Laécio Beethoven – Salvador/BA;
21 – “Vai Saudade” de Maria Aparecida Lima – Salto da Divisa/ MG;
22 – “Vale Que Canta” de Eliana Gobira e Roselí Mendonça – Mata Verde/MG;
23 – “Vida Sem Cor” de Cecílio Bocaiúva – Bocaiúva/MG;
24 – “Zé Ninguém” de Ramon Baducha – Mata Verde/MG.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MÚSICA NAS ESQUINAS E NAS PRAÇAS


Há exatamente dez anos, o poeta e cronista Fernando Brant escrevia esta crônica citando a participação do Coral Vozes das Veredas no 2º Festival de Corais de Belo Horizonte/2004. Esta crônica, que reproduzo abaixo, com certeza contribuiu imensamente para dar visibilidade ao trabalho junto à Adecave e abriu novas possibilidades para o coral de Veredinha. Confira:

MÚSICA NAS ESQUINAS E NAS PRAÇAS(*)
Por Fernando Brant

"As vozes de Três Corações, Itabirito, Uberaba, Veredinha, Belo Horizonte e do grupo Equale, do Rio de Janeiro, soaram em várias praças de nossa cidade"

A cidade foi invadida por vozes de meninos e meninas, de moças e rapazes, homens e mulheres. É só questão de idade e sexo, pois eu poderia dizer, e estaria certo, que Belo Horizonte foi possuída pelo canto de brasileiros vindos do interior, de fora de Minas e da capital. Pelo segundo ano seguido, os corais tomaram conta de nossas praças e espalharam harmonia, melodia e poesia por nosso novembro. Não sei se os meios de comunicação se interessaram, como deveriam, pelo acontecimento, mas quem soube, e apareceu para ver e ouvir, teve a oportunidade de se emocionar com a diversidade e beleza do canto coletivo.

O canto que bateu aqui veio de lugares distantes; de Veredinha, por exemplo. Mais de 30 crianças, a maioria meninas, colocaram em estado de graça o público que assistiu ao som e aos gestos de sua apresentação. Não sei se vocês sabem de Veredinha. É uma pequena cidade fincada no meio do Vale do Jequitinhonha, que tem Diamantina como porta de entrada e desfila povoações com nomes singelos como Capelinha, Minas Novas, Turmalina e Carbonita. Pois foi de lá, do fundo mais fundo do vale, pobre materialmente e rico em cultura, que o maestro Tadeu Oliveira trouxe o sublime cantar de suas meninas e meninos. Ouvir Itamarandiba, minha e do Milton Nascimento, cantada e interpretada por pequenos anjos negros, foi de arrepiar.


São coisas de responsabilidade do maestro Lindomar Gomes, um singelo encantador de notas musicais e de pessoas, que leva a vida sonhando e realizando sonhos. As idéias, sempre boas, surgem em sua cabeça, ele se entusiasma e logo sai à luta para torná-las fatos concretos. Não é de hoje que ele espalha música popular brasileira pelas igrejas de Minas. Diante do altar da religiosidade, as pessoas simples do povo ouvem com devoção as canções dos criadores populares de sua terra. O lugar de orar vira o lugar de cantar e essa é uma reza que sabemos fazer muito bem.


Tem asas o nosso maestro. O engraçado é que sua calma e sua voz mansa não parecem combinar com o empreendedor que ele é. É que nos acostumamos a encontrar, no mundo amalucado em que vivemos, a competência empresarial ser associada a pessoas que berram, atropelam os semelhantes e desrespeitam todas as normas mínimas de educação. Lindomar é da delicadeza e da eficiência. Rege sua turma com a fineza do maestro que é. Sua equipe de produção funciona como um naipe de vozes afinadas. Por ser tranqüilo e por liderar com sabedoria, os moços e moças que trabalham ao seu redor estão sempre alegres, dispostos e, por isso, belos.

As vozes de Três Corações, Itabirito, Uberaba, Veredinha, Belo Horizonte e do grupo Equale, do Rio de Janeiro, soaram em várias praças de nossa cidade, no último fim de semana. A beleza vale a pena. Ano que vem tem mais.

(*) Fonte: Esta crônica foi originalmente publicada no caderno EM Cultura do Jornal Estado de Minas do dia 01/12/2004. 
Também o integra o livro "Casa Aberta", que reúne diversas crônicas de Fernando Brant, publicado pela Editora Edubolsinho, Sabará-MG, 2012.

Leia também: 

O CANTO QUE VEIO DO FUNDO MAIS FUNDO DO VALE

ARTIGO: MÚSICA E MINEIRIDADE (1ª PARTE)


ARTIGO: MÚSICA E MINEIRIDADE (2ª PARTE)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

ONTEM E HOJE: UM SHOW EMBLEMÁTICO NA MINHA VIDA


Em 1982, saí de Corinto tomando o rumo de Belo Horizonte. Como todo jovem do interior daquela época, levei na bagagem muitos sonhos: estudar, progredir na minha carreira na MinasCaixa e quem sabe conseguir um emprego melhor através de concursos.

Logo quando cheguei, fui lotado numa agência recém-inaugurada que se localizava na avenida Getúlio Vargas esquina com a rua Rio Grande do Norte, no bairro Funcionários, bem pertinho da Savassi. Por ser uma agência recém-inaugurada, a Getúlio Vagas acolheu todos os funcionários do interior que haviam pedido transferência para a capital. Havia também alguns pouquíssimos funcionários de Bh. Até os vigilantes eram do interior.

E por haver pessoas de todas as regiões mineiras, logo a diversidade cultural se fez latente. Na agência Getúlio Vargas estava explícita as muitas Minas em uma só, como escreveu Guimarães Rosa. Sotaques e gostos musicais diferentes, preferências culinárias variadas e muita coisa em comum: futebol, causos sempre tomando uma gelada nos fins de tarde.

Tão logo cheguei, fui enturmando com o pessoal que tinha vindo dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. E com eles fui conhecendo e tomando gosto pela cultura e, principalmente, pela música do Vale do Jequitinhonha.

E foi com esta turma que tomei o caminho do Palácio das Artes, em 1984, para assistir ao show “AS ONHAS DO JEQUI” no dia 26 ou 27 de março. Naquele dia, fui arrebatado pela força e energia emanadas do mais profundo do Vale do Jequitinhonha.  Ao sair do teatro tinha a convicção de havia encontrado os meus pares e que um dia haveria de morar nesse lugar.

Passado algum tempo, após viver os desígnios comuns a qualquer pessoa que sonha ser feliz, eis que a vida resolveu me tanger para o Vale do Jequitinhonha. E não demorou para que logo eu me visse entranhado junto ao povo desse lugar colecionando amizades, realizando sonhos e dividindo esperanças.

Trinta anos passados, eis que sou convidado a participar junto com o Coral Vozes das Veredas do show “As Onhas do Jequi”, a se realizar no dia 12 de abril/2014, no Minascentro, em BH. O show contará com a participação de Saulo Laranjeira, Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, Gonzaga Medeiros, Frei Chico e Lira Marques.

Participar desse show, além de emblemático será também uma honra. Afinal, poder dividir o palco com esses artistas, principalmente com Rubinho Do Vale e Gonzaga Medeiros, pessoas que estreitei laços e construí amizades, é um regozijo. Porque mudar da condição de espectador, fã e admirador para a condição de coadjuvante só pode ser mesmo um presente de Deus.