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Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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domingo, 25 de agosto de 2013

ALGUMAS LEMBRANÇAS DA ORGANIZAÇÃO DO TEATRO EM CAPELINHA


Por Tadeu Oliveira

Nos dois últimos programas Canta Minas, 18 e 25 de agosto, eu entrevistei duas pessoas que são ativistas culturais em Capelinha: Reginaldo Rodrigues, presidente do Grupo de Teatro Anim’Art e Preta Vieira, uma das fundadoras do GTC - Grupo de Teatro de Capelinha e atual diretora-presidente da Casa da Cultura de Capelinha. O bate papo com Reginaldo e Preta visou dar um panorama da construção histórica do teatro capelinhense.

Sempre acompanhei com interesse os movimentos culturais do município. Antes de vir morar aqui, eu já tinha notícias dos movimentos culturais existentes ou que já existiram, tais como: Semana da Cultura, Grupo de teatro, Casa da Cultura. A partir de 1997, quando vim morar em Capelinha, passei a integrar o movimento cultural local, oportunidade que me permitiu conhecer um pouco mais a história da construção e organização das atividades culturais do lugar.

Segundo registros existentes nos arquivos da Casa da Cultura e diversos relatos que obtive através de conversas informais com várias pessoas fundadoras do movimento cultural capelinhense, tudo começou no ano de 1981, quando em Capelinha se encontravam técnicos e assistentes do Programa MG II, pessoas que, por zelo natural, gosto pelo fazer cultural e artístico, apresentaram-se criativas, dentre as quais se destacou a socióloga Jane Simões, para cuja residência convergiam Sônia Sampaio, Preta Vieira, Marlene Matos, Detinha Peixoto. Cássio (Prof. Quincas), entre outros, em busca de lazer e troca de idéias. E foi através deste convívio que Jane Simões apresentou várias propostas aos então jovens entusiastas capelinhenses.

Em janeiro de 1982, se encontrava em capelinha Belisário Barros, diretor de teatro de Belo Horizonte, a convite de Jane Simões que organizou a primeira oficina de teatro, que teve como resultado a apresentação da “Morte e Vida Severina”. A ideia, como uma semente que lançada em terra fértil produz bons frutos, foi acolhida por consenso e o bastante para que em 08 de julho de 1983 se criasse oficialmente o G.T.C. – Grupo de Teatro de Capelinha. Enfrentando preconceitos e adversidades estes jovens mantiveram o firme propósito de se amadurecer, de se impor e conquistar o seu espaço.

Após realização de várias peças teatrais chegou o momento de, arrojadamente em 1984, criarem a I Semana de Cultura que mobilizou para a cidade pessoas de muitos lugares e grandes expressões da arte e cultura do Vale do Jequitinhonha, com objetivo de despertar na gente de Capelinha e região os seus valores.

Em 1985, membros do G.T.C. participaram do II EPC – Encontro Popular de Cultura o que levou a geminar o embrião da Casa da Cultura. Esta surgiu em 1987 com tamanha força e juntamente com o grupo de teatro passou a fazer frente de todos os eventos culturais de Capelinha.

Apesar do Grupo de Teatro e da Casa da Cultura de Capelinha terem dado uma grande contribuição dos valores culturais de Capelinha também alertaram para questões importantes como a situação do menor abandonado, do idoso, a questão ambiental, além de terem divulgado de forma brilhante o nome da Capelinha para vários pontos do país. Tendo caráter apartidário e respeitando as diferenças filosóficas e religiosas da comunidade, ambas as entidades nunca contaram com o apoio efetivo dos órgãos competentes. Sobreviver nestes anos foi uma atitude quase milagrosa.

Vale a pena ressaltar que foi através destas entidades que o povo de Capelinha conheceu show de praça, uma rua de lazer, conheceu o teatro e teve, de novo, acesso a uma biblioteca sempre gratuitamente. A falta de apoio teve como consequência a total desarticulação das entidades que tiveram que guardar suas coisas e sair a procura de formas alternativas para manterem o funcionamento.

O período compreendido entre 1990 e 1997 foi marcado pelo marasmo, desarticulação, fato comparado a um doente em estado de coma. Mesmo assim, neste período, foram realizadas duas Semanas da Cultura. A partir de 1998 a vontade de reestruturar as entidades voltou à tona e nova diretoria foi eleita. Nessa época, a Casa da Cultura foi mantida com o apoio da ACIAC (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Capelinha) e do SIND-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação, sub-sede de Capelinha).

Há de ressaltar ainda que, embora Araçuaí tenha hoje o maior destaque do teatro no Vale do Jequitinhonha, o GTC foi uma grande referência para o Grupo Vozes, daquela cidade. E, nos tempos atuais, os fazedores de teatro de Araçuaí tornaram-se referência para o Grupo Anim’Art de Capelinha.

NO INÍCIO DO SÉCULO XXI SURGE UM NOVO CICLO

Nos anos de 1999 e 2000, tive o privilégio de ocupar o cargo de diretor presidente da Casa da Cultura de Capelinha, oportunidade em que reativamos o Grupo de Teatro local. Para isso, o ator e antigo membro do GTC, Amauri Costa, fez algumas oficinas com os novos atores contando também com a minha produção e co-direção. Essa nova safra contou com a pariticipação dos irmãos Jefferson Rayneres e Juvenal Cordeiro Filho, de Lettícia Camargos, Mariana Paranhos, César Sampaio, Wendhel Damasceno, Jocélio Campos e Fábio Martins. Dessa oficina montamos a peça “Pluft, o fantasminha”, de Maria Clara Machado. A peça foi apresenta diversas vezes em Capelinha e também na cidade de Itamarandiba.

Logo após a apresentação da peça “Pluft, o fantasminha”, o GTC apresentou a peça “Brasil Raízes”, com produção e direção de Tadeu Ribeiro. A peça “Brasil Raízes” foi uma homenagem aos 500 anos do Brasil. Devido a algumas dificuldades e diversos acontecimentos, novamente o GTC se hiberna o teatro só voltaria a ter destaque com a chegada de Paulinho a Capelinha. Com ele, surgem novos atores como Kandacy, Naiara Santos e Lucas que fazem brilhantes atuações na peça “O Homem”. Com a partida de Paulinho de Capelinha, novamente o teatro entra em decadência até que, no ano 2005, com o incentivo de Preta Vieira alguns jovens resolvem criar um grupo de teatro a partir uma oficina. É daí que surge o Grupo de Teatro Anim’Art. Numa próxima publicação, relataremos um pouco da história desse grupo.





quinta-feira, 25 de abril de 2013

3º FESTIVAL DE ANIMAÇÃO E ARTE É ATRAÇÃO EM CAPELINHA


Começa nesta quinta-feira 25/04 o 3º Festival de Animação e Arte



Começa nesta quinta-feira 25/04/2013 as 19:30 no Espaço Ativa Idade em Capelinha a Terceira edição do Festival de Animação e Arte, na abertura do festival será apresentado o espetáculo “Deu a Louca nos Contos de Fadas” que tem como diretor Pedro Antônio e a interpretação  dos alunos da Escola Estadual Coronel Coelho, o texto é de autoria de Alex Nascimento.

O espetáculo “Deu a Louca nos Contos de Fadas” contará a historia de duas princesas muito mimadas  e um mordomo que viviam em castelo em um reino muito distante. Neste reino também se encontram três bruxas muitas más que tem como objetivo roubar o item mais valioso do castelo, mas as fadas e o duende estão sempre dispostos a proteger este castelo, e as princesas más acabam arrumando uma enorme confusão.

O 3º Festival de Animação e Arte terá 11 dias de muitas apresentações teatrais e culturais, sendo que 08 desses dias serão destinados a apresentações Teatrais do “Concurso Escolar de Teatro”, que vão do dia 25 de Abril a 02 de Maio. No dia 03 de Maio acontecerá a cerimônia de premiação do concurso escolar do Teatro, e no Sábado dia 04 de Maio a Praça do Povo de Capelinha será palco de grandes apresentações musicais e culturais. O evento terá ainda em sua programação o Encontro da Rede de Coletivos Teatrais do Vale do Jequitinhonha (RCT) que ocorrerá nos dias 04 e 05 de Maio. O 3º Festival de Animação e Arte tem a realização do Grupo de Teatro Anim’Art.

O Programa Canta Minas apoia o Festival de Animação e arte.



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

MORRE, AOS 67 ANOS, AUTOR E DIRETOR TEATRAL ALCIONE ARAÚJO



Morreu nesta madrugada, em Belo Horizonte, aos 67 anos recém-completados em 9 de novembro, o autor e diretor teatral Alcione Araújo, que era cronista do Estado de Minas. Mineiro de Januária radicado no Rio, Alcione é autor de peças teatrais como Há vagas para moças e Muitos anos de vida, além de assinar roteiros para cinema e televisão. Como diretor, na década de 1980 ele foi um dos responsáveis pelo sucesso de Doce deleite, uma colagem de 12 esquetes cômicos - oito de sua autoria - encenada pela
dupla Marília Pêra e Marco Nanini.

Em Belo Horizonte desde a última segundafeira, depois de viajar a Ouro Preto em companhia da namorada e dos sogros, Alcione Araújo se hospedou em um hotel da Savassi, onde teria sofrido uma parada cardíaca de madrugada, sem tempo sequer para atendimento médico. Pai da professora de filosofia Carolina, de 37 anos, e avô de Joaquim, de 5, e Flora, de 10 anos, nos últimos tempos, o autor vinha se dedicando à escrita de romances. Ventania, o terceiro e último deles, foi lançado na capital no ano passado, com uma nova sessão de autógrafos, na Academia Mineira de Letras (AML), em setembro. Enquanto aguarda a chegada da filha, que está no exterior.

O corpo de Alcione será levado nesta quinta-feira para o Rio de Janeiro, onde acontecerá o velório e a cremação. A cerimonia será realizada na sexta-feira, no memorial do Carmo, no Caju, de 11h até às 17h.

Fonte: Portal Uai: www.em.com.br

sábado, 8 de outubro de 2011

ÍCAROS DO VALE COMEMORA 15 ANOS COM FESTIVAL DE TEATRO

Ícaros do Vale - Cia. de Teatro de Araçuaí comemora 15 anos de existência com oficinas, apresentações teatrais com diversos grupos e muitos shows musicais com corais e artistas regionais. Coral Vozes das Veredas será uma das atrações.


Em outubro, o teatro invadirá as ruas e praças de Araçuaí. A companhia de teatro Ícaros do Vale comemora os seus 15 anos de existência realizando o primeiro festival de teatro de rua, entre os dias 8 e 12 de outubro, na cidade de Araçuaí.

O festival contará com oficinas, apresentações teatrais com diversos grupos e muitos shows musicais com corais e artistas regionais.

Hoje, os grupos teatrais de Araçuaí são apontados como os melhores existentes no Vale do Jequitinhonha. O grupo Vozes, o primeiro grupo teatral de Araçuaí, já fez muito sucesso e, juntamente com o Ícaros, tiveram várias peças premiadas e já viajaram por diversas regiões de Minas de do Brasil.

Em 2004, em visita à cidade de Araçuaí Zé Pereira, conhecido agente cultural local, me informou que os pioneiros do teatro em Araçuaí se inspiraram no Grupo de Teatro de Capelinha. Segundo ele, os integrantes do grupo de Capelinha tinham gabarito para se tornarem profissionais de TV e do teatro brasileiro, chegando a citar os nomes do professor Joaquim, Preta Vieira, Marlene Mendes dentre outros.

Coincidentemente, em 2001 eu faria o caminho inverso, indo beber na fonte dos corais de Araçuaí para poder aperfeiçoar o meu trabalho à frente do coral Vozes das Veredas, que naquele momento estava apenas começando.

Falando no Coral de Veredinha, o mesmo será uma das atrações na Festa de 15 anos do Ícaros do Vale – Cia. de Teatro. Confira a programação mais abaixo.


HISTÓRICO DO ÍCAROS DO VALE

Fundado no dia 12 de novembro de 1996, o "Ícaros do Vale" - Companhia de Teatro - é composto por  jovens  que vem se apresentando com ótimos trabalhos marcados pelo modo diferente de fazer teatro.

 
Em 1997, foi realizado o primeiro espetáculo - "A filha que bateu na mãe, sexta-feira da paixão e virou cachorra" -  e, com ele, a divulgação do trabalho e o início de uma grande caminhada.

 
Em 1998, veio a peça "Os Olhos Mansos" e os prêmios de melhor espetáculo de rua, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante, atriz revelação e melhor direção na 15.ª Mostra de Teatro realizada na cidade de Pompéu-MG.

Em 2000, a primeira parceria e o amadurecimento de um trabalho bem montado, com "Causos" de Virgínia Chaves e trilha sonora do compositor Josino Medina: "No Caroço do Juá". Esta peça veio consolidar o Ícaros do Vale no cenário cultural do teatro mineiro.
Em fevereiro de 2001, o grupo foi convidado pelo Projeto Pró-Água para montar um espetáculo baseado no diagnóstico rápido-participativo realizado em 23 comunidades da bacia do rio Calhauzinho. Desse convite nasceu o espetáculo "De Mala e Cuia", que se apresentou em várias cidades do Vale do Jequitinhonha.   Participou ainda do 1º Encontro Cultural de Capelinha em setembro desse mesmo ano.

Em setembro de 2002, depois de brilhante participação no 21.º FESTIVALE na cidade de Pedra Azul-MG, o Ícaros do Vale foi a grande atração das comemorações da Semana da Pátria da cidade de Corinto-MG quando foi encenada em praça pública a peça "No Caroço do Juá", por indicação desse blogueiro à Secretária Municipal de Educação de Corinto, a saudosa sra. Vera Pimenta.

Daí para cá, o grupo foi se consolidando cada vez mais como grande referência do melhor teatro do Vale do Jequitinhonha, participando de diversos eventos e apresentando inúmeras peças.

Seus integrantes preferem a rua ao palco porque, segundo os seus membros, o contato do público faz com que a troca de energia e calor humano os envolvam numa aura criativa e participativa. Cantando, dançando, sorrindo e fazendo sorrir, essa generosa gente que não poupa o contentamento, o gesto livre e doce que o Ícaros vai encarnando e levando pela rua afora o teatro a cumprir esta digna missão da arte.
 

PROGRAMAÇÃO:

terça-feira, 16 de agosto de 2011

UM POUCO DA HISTÓRIA DO GALPÃO CULTURAL

"É notório que as edições do Galpão Cultural nos últimos anos tenha contribuído enormemente para o surgimento de novos valores musicais em Capelinha"

Por Tadeu Oliveira


Logo que cheguei a Capelinha, em 1997, sempre ouvira falar do Galpão Cultural. Portanto, conheço um pouco da sua história e das suas origens a partir do convívio, durante esses anos, com diversas pessoas que ajudaram na idealização, construção e reconstrução desse maravilhoso projeto que tenho orgulho de fazer parte.

Tudo teve início em janeiro de 1981, quando vários técnicos e assistentes do Programa MG II vieram trabalhar em Capelinha. Essas pessoas, que por zelo natural apresentavam-se bastante criativas e com muito gosto pelo fazer artístico-cultural, começaram a passar suas experiências para várias pessoas. Dentre elas, destacou-se Jane Simões, cuja residência convergia diversos jovens da cidade em busca de lazer e troca de idéias. Foi quando surgiu a possibilidade de se criar um grupo de teatro. 

A idéia lançada em terra fértil permitiu que, em 19 de janeiro de 1982, se criasse oficialmente o Grupo de Teatro de Capelinha, o G.T.C. No início, esses jovens se depararam com preconceitos por parte da comunidade que via o grupo com olhar pejorativo, comportamento bem próprio da sociedade da época que não cultivava, até então, o hábito de ir ao teatro. O G.T.C. apresentou várias peças teatrais e foi aplaudido em várias cidades de Minas. Daí para a concretização de sonhos mais ousados foi uma questão de tempo.

Em 1985, o G.T.C. fundou a Casa da Cultura de Capelinha e ambos começaram a valorizar as manifestações culturais da região (e ressiginificá-las), além de alertarem para questões importantes como a situação do menor abandonado, do idoso, o meio ambiente. Estas entidades juntas divulgaram de forma brilhante o nome de Capelinha para vários lugares do país, mantendo um caráter apartidário e respeitando as diferenças filosóficas e religiosas da comunidade.

Destaca-se no Movimento Cultural de Capelinha por esta época, nomes como Preta Vieira, Sônia Sampaio, Tico Neves,  Sandra Sampaio, Marlene Mendes, Quincas, Tininha Pereira, Deth Sampaio, Pitico, Dante Guedes, José Carlos Machado, Amauri dentre tantos outros. Vários deles se tornariam, posteriormente, dirigentes de instituições educacionais e culturais, tendo, inclsuive, atuações destacadas na política local.

Um dos pontos mais fortes do movimento cultural em Capelinha foram as SEMANAS DA CULTURA, organizadas pela Casa da Cultura e G.T.C., quando pessoas do Brasil inteiro ligadas às artes, apareciam por aqui. E é nesse contexto que surgiu o Galpão Cultural há exatos 20 anos, na Semana da Cultura de 1991. Naquele ano, na praça do Povo, bem ali no antigo Mercado Municipal onde funciona hoje a rodoviária, foi montado o primeiro Galpão Cultural. A Casa da Cultura de Capelinha, responsável pela organização do evento, permitiu ao povo de Capelinha conhecer ruas de lazer, oficinas vivas, exposições, teatro e shows em praça pública.


Dante Guedes, idealizador do 
Galpão Cultural
A ideia do Galpão surgiu da experiência de um dos integrantes da Casa da Cultura, Dante Guedes, que já havia desenvolvido o projeto Butecarte no Bar Onhas do Jequi, espaço alternativo e ponto de encontro dos amantes da cultura popular do Vale do Jequitinhonha em Belo Horizonte, nos meados dos anos de 1980. Guedes, com sua visão e empreendedorismo, idealizou o projeto do Galpão Cultural e nos primeiros anos ele esteve à frente junto com a Casa da Cultura e guarda em seu poder diversos registros dessa época em fotos e vídeos, que inclusive tive oportunidade de ter acesso.

Em 1993, novamente o Galpão Cultural acontece e pela primeira vez, dentro da VII Festa do Capelinhense Ausente, numa parceria da Casa da Cultura com a Prefeitura Municipal. A sua estrutura era feita de taipa e sapé, resgatando as técnicas construtivas da região, num espaço que abrangia mais de 500 m². E dentro dele podia-se apreciar as indústrias rudimentares do meio rural. Nesse mesmo ano, parte do projeto do Galpão é levado a Belo Horizonte, na 3ª Feira Internacional de Artesanato, alcançando enorme sucesso.

Mas é na IX Festa do Capelinhense Ausente, em 1995, que o Galpão Cultural se amplia e se torna um projeto mais ousado. Dante Guedes coloca dentro desse grande barracão uma roda de moinho dágua funcionando perfeitamente, artesãs executando todas as etapas da modelagem no barro até a sua queima em fornos montados dentro do recinto, artesãos esculpindo na madeira, benzedores, rezadeiras, bordadeiras, produtos da culinária regional além de apresentações com grupos folclóricos, grupos de dança e muita música.

O período compreendido entre 1990 e 1997 foi marcado pelo marasmo, desarticulação, fato comparado a um doente em estado de coma. Mesmo assim, neste período foram realizadas duas Semanas da Cultura (1990 e 1991). Segundo alguns integrantes da Casa da Cultura por essa época, ao realizarem a VII Semana da Cultura, em 1990, não houve um apoio efetivo do executivo municipal. A falta de apoio teve como consequência a total desarticulação das entidades que tiveram que guardar suas coisas e sair à procura de formas alternativas para manterem funcionando.

Se em 1995 a Prefeitura retoma o projeto ao convidar Dante para montá-lo, de 1996 a 2000 o Capelinhense Ausente não editou nenhuma versão por achá-lo demasiadamente caro.

A partir de 1998, a vontade de reestruturar as entidades voltou à tona e nova diretoria foi eleita. Fui eleito o novo diretor-presidente da Casa da Cultura e do Grupo de Teatro tendo Jocélio Campos como vice-diretor, Sônia Sampaio como tesoureira e Preta Vieira como diretora cultural. Mantendo-se apenas com o apoio da ACIAC (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Capelinha) e do SIND-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação, sub-sede de Capelinha), a Casa da Cultura cumpriu com o seu papel de retornar com as atividades culturais: realizou-se um show com o violeiro Chico Lobo no hotel Catuaí, em abril de 1999; apresentou-se a peça teatral “Pluft, o fantasminha”, de Maria Clara Machado, com o G.T.C., em setembro de 1999; promoveu-se a vinda da escritora corintiana Antônia Rosa para comemorar a semana da criança e realizou-se a peça teatral “Brasil Raízes”, em 2000. Isso traz novas pessoa para compor a Casa da Cultura e o grupo de teatro, a sua maioria jovens estudantes. E é a partir de 2000, que a Prefeitura Municipal volta a arcar com o aluguel da entidade e a diretoria é novamente renovada.

No ano de 2001, um acontecimento torna-se importantíssimo para a volta do Galpão Cultural. Dante Guedes tornou-se o secretário municipal de Cultura e Jairo Martins havia sido eleito, no ano anterior, o novo diretor-presidente da Casa da Cultura que, mantendo o seu projeto de se transformar um pólo agregador dos fazedores de cultura da cidade, torna-se porta voz dos mesmos junto à Secretaria de Cultura, Meio Ambiente e Turismo de Capelinha – SECMATUR.

E assim, em setembro de 2001, a Secretaria Municipal de Cultura e a Casa da Cultura promovem o 1º Encontro de Cultura de Capelinha. Para aqui se aportaram grupos de teatros, corais, artesãos de diversas cidades do Vale do Jequitinhonha. Artistas como Chico Lobo, Carlos Farias e Saldanha Rolim foram convidados a se apresentarem. O evento não obteve o sucesso de público desejado, mas a presença de remanescentes dos índios Aranãs, cuja existência no passado ajudou a construir o mito de fundação da cidade de Capelinha, contribuiu para dar visibilidade aos acontecimentos culturais e preparar o terreno para as acões futuras. (No próximo mês, publicarei uma matéria relembrando este acontecimento que completará 10 anos).

Geraldo Art, da cidade de Turmalina, esculpindo na madeira
Galpão 2004
De qualquer forma, esse evento permitiu a congregação de diversos fazedores de cultura e se tornou o embrião para o retorno do Galpão Cultural, que ocorreu a partir da 17ª Festa do Capelinhense Ausente, em 2002, sob a direção de Dante Guedes. O Galpão já não seria mais como antigamente, uma choupana de taipe e sapé, passando a utilizar o galpão coberto da Praça de Esportes (mesmo local de hoje), anexo ao Parque de Exposições onde se realiza a festa do Capelinhense Ausente, no entanto buscou-se repetir os mesmos moldes dos anteriores com muitas oficinas vivas, culinária e música.

No ano seguinte, ocorre nova edição do Galpão Cultural, repetindo os moldes de 2002, também sob a coordenação de Dante Guedes.

Preta Vieira, responsável por várias
edições do Galpão na última década
A partir de 2004, tendo Preta Vieira como nova Secretária Municipal de Cultura, o Galpão passou por algumas modificações e eu passei a ter um maior espaço na sua organização, principalmente no que diz respeito à programação musical e na indicação de artistas para se apresentarem. Assim, nomes com Pedro Morais, Mark Gladston e Walter Dias (todos indicados por mim) foram contratados para abrir o primeiro dia do Galpão. É a partir daí que se tornou comum trazer um artista ou grupo de maior expressão para abrir os shows do Galpão. Assim, vieram Boneco Pano, Nem Secos e, em 2011, a Banda Odilara.


Pedro Morais no Galpão 2004


Tadeu com as feras Frank Arlem, Mark Gladston e Nenka
Fiquei no comando do palco do Galpão de 2004 a 2006 (fiquei afastado de 2007 a 2009 por estar cursando faculdade e retornei a partir de 2010), período em que o Galpão buscou se consolidar como um espaço democrático e alternativo ao criarmos o “palco livre”. O palco livre era um espaço aberto após os shows para quem quisesse cantar. Para tanto, o candidato deveria se inscrever comigo para cantar uma música. Caso agradasse a plateia, cantava-se uma ou mais, até que surgisse um outro inscrito. Foi assim que surgiram algumas gratas revelações da música capelinhense como Johnny, exímio guitarrista canhoto e tímido. O palco livre permitiu também que diversas pessoas das cidades vizinhas e até mesmo de lugares distantes pudessem ter vez e voz. Essa modalidade permaneceu com Toninho Iglésias, que comandou com brilho o Galpão, nas edições de 2007 a 2009. A partir de 2010, com a minha volta, o palco livre foi saindo de cena devido a diversos fatores, um dos quais é a falta de cuidado com o instrumento que é colocado à disposição dos participantes.

Todas as administrações municipais do primeiro decênio do século XXI apoiaram o projeto do Galpão Cultural e não tem sido diferente com a atual administração, que tem nas pessoas de Conceição Vieira, Luiz Gustavo Vieira (Sec. Mun. de Assistência Social) e Elisângela Alcântara, conhecida como Branca (Sec. Mun. de Cultura e Turismo) o sustentáculo para a realização das últimas edições.

Marcela Viana e César Loredo

Jefferson Rayneres e Maria Letícia, herdeiros do
talento musical das famílias Cordeiro e Batista

É notório que as edições do Galpão Cultural nos últimos anos tenha contribuído enormemente para o surgimento de novos músicos em Capelinha. A cada ano que passa, percebe-se que a performance dos mesmos estão cada vez melhores. Se no passado Capelinha se notabilizou como um lugar de grande expressão teatral no cenário cultural do Vale do Jequitinhonha, hoje podemos afirmar que os músicos daqui não ficam devendo a nenhum músico de outros lugares com maior expressão musical.


Johnny e Emerson Cordeiro

Banda Akasus, músicos de alta qualidade

Um fator importante no Galpão Cultural é a diversidade de ritmos e de grupos que passam pelo palco. Samba, MPB, reggae, seresta, música caipira, regional, música alternativa, rock, pop, banda de música, canto coral, tudo se integra e se harmoniza.

Juvenal Cordeiro, da velha guarda musical de
Capelinha, também marca presença no Galpão


Pintura de Marcos Art 7: os cegos da feira,
Joaquim e Luzia Galpão Cultural 2010
Outro ponto forte do Galpão é a sua decoração carregada de elementos da cultura popular da região, passando pelo artesanato e a culinária. Nos últimos anos, o artista plástico Marcus Art 7 tem feito belíssimas pinturas que retratam temas da vida cultural de Capelinha. Em 2010, por exemplo, o tema foi a Feira Livre de Capelinha, “Nossa feira, nossa paixão”, cujas pinturas retratavam cenas da feira e os personagens que nela circulam. O sucesso foi tamanho que diversas pessoas foram ao Galpão Cultural simplesmente para ver a pintura do casal de cegos cantadores, os irmãos Joaquim e Luzia, personagens imprescindíveis da feira de Capelinha.

Tudo isso transformou o Galpão Cultural num dos maiores atrativos da Festa do Capelinhense Ausente, pois é uma das poucas festas regionais que une entretenimento com cultura.

Fontes: Casa da Cultura de Capelinha

Comentário: Este texto não pretende, de forma alguma, ser um documento fiel sobre a história do Galpão Cultural, não tendo nenhum cunho acadêmico. Ao contrário, ele é apenas uma reunião de memórias minhas que se entrecruzam com as de outras pessoas, basaedas nas minhas experiências pessoais quando dirigi a Casa da Cultura e é fruto também da minha convivência com diversas pessoas entre as quais cito Dante Guedes, Sônia Sampaio, Preta Vieira e Fátima Neves. Portanto, nele pode haver dados imprecisos ou incompletos. Assim sendo, deixo livre para que os leitores possam comentar, acrescentar, retirar ou discordar. Basta que entre em contato comigo para que eu possa fazer as devidas correções ou os devidos acréscimos. Sei que diversas pessoas contribuíram significativamente para que o Galpão se tornasse uma realidade, pessoas às quais eu não tenho conhecimento por não ter morado aqui por ocasião do início do Movimento Cultural de Capelinha, da fundação do Grupo de Teatro e da Casa de Cultura. A essas pessoas eu peço desculpas e, num momento oportuno, darei o destaque que elas merecem.

AINDA SE OUVE ECOS DO GALPÃO CULTURAL

"A maior força do Galpão é a sua democracia musical ao acolher uma diversidade de ritmos, estilos e as diferentes formações de grupos cantando MPB, reggae, samba, música regional do Vale do Jequitinonha, música caipira e sertaneja, música alternativa, pop-rock, música instrumental, tudo se integrando em harmonia"

Por Tadeu Oliveira


O mês de agosto segue a passos largos, mas ainda se escuta pela cidade o reboar dos ecos do Galpão Cultural por onde passo, após um mês de sua realização. Felizmente, esse ressoar tem sido positivo e recheado de elogios, embora de vez em quando um e outro pontue sobre algo que ficou a desejar. A maioria das pessoas identifica a minha imagem com o Galpão, muitas vezes atribuindo a mim o sucesso do evento e quando criticam, geralmente direciona o foco da mesma para a administração pública ou alguém ligado a ela. E eu, de forma tranquila e honesta, informo às pessoas que sou apenas o apresentador e organizador do palco do Galpão, sou apenas uma engrenagem entre tantas outras que contribuem para o sucesso ou a derrocada do evento. Felizmente, repito, há mais elogios do que reclamações.

Não pretendo aqui, arvorar-me como porta voz de ninguém e muito menos ser o advogado do diabo. No entanto, lembrando de algo escrito pelo cantor e compositor mineiro Sérgio Santos, criticar não requer apenas informar ou contextualizar. Criticar exige análise, o que implica em um mínimo de formação para se compreender o objeto passivo da crítica. Segundo ele, “o problema está mais naquilo que envolve o seu exercício do que nela em si. Ela em si poderia estar, se bem realizada, muito mais perto de contribuir com uma solução do que de ser um problema”.

A crítica pode ser um benção ou pode ser uma desgraça. Para criticar é necessário ter argumentos e conhecer o tema em questão a fundo. Se ela vai ser construtiva ou destrutiva, depende de como a pessoa a receberá ou aceitará. Isto posto, pretendo aqui opinar sobre o que depreendi nos últimos dois anos que voltei ao Galpão e que tem consonância com as opiniões que ouvi de diversas pessoas: artistas, organizadores e frequentadores. Afinal, uma opinião é algo mais simples, depende do que você pensa ou sente em relação aquele assunto sem precisar de uma análise mais profunda.

Dizer do Galpão de 2011 sem se referir à sua nova estrutura, não tem jeito. A construção de novas e confortáveis instalações pela atual administração é algo altamente louvável. Aumentou o espaço para o público e, principalmente, a segurança. Ainda está na nossa memória aquela viga de madeira que ficava no meio do palco. Ela atrapalhava os artistas, mas era garantia de segurança para que o telhado do velho galpão não desabasse sobre nossas cabeças.

Além da retirada da viga, o portal de acesso ao galpão para quem vem do parque de exposições mudou de lugar, ficando mais ao centro do salão. Isso contribuiu para evitar, quando o galpão fica lotado, que o público se aglomere à frente do palco atrapalhando o show. Além disso, o som que vem do parque de exposições já não incomoda tanto dentro do galpão. Inclusive, para os próximos anos, pode-se pensar em oferecer shows alternativos para as pessoas que vão para festa sem dar muita importância aos megashows, mas que não arredam o pé do Galpão Cultural.

Outro ponto positivo foi o atendimento do barzinho. Ouvi diversas pessoas elogiarem a quantidade de garçons e a agilidade do antendimento. E olha que durante quase todas as noites o Galpão ficou lotado. A qualidade do cardápio também é digna de consideração ao privilegiar a culinária regional. Salgado estava mesmo era o preço, reclamação feita por gente e que eu endosso. Afinal, para comer e beber durante nove noites, haja orçamento recheado. Nem no Carnaval.

A qualidade dos shows e dos artistas que se apresentaram foi o ponto alto e alvo dos maiores elogios. A Banda Odilara fez a abertura do Galpão 2011 caindo nas graças do público quase que como uma unanimidade. Talvez o maior trunfo da Banda Odilara, ao agradar pessoas de variadas gerações e variados gostos musicais, tenha sido o seu repertório, composto em sua maioria da releitura de sambas de sucesso, porém com levadas pop.

Seguindo os mesmos critérios dos anos anteriores, os artistas regionais também tiveram vez. De Minas Novas, terra que carrega a tradição de revelar grandes talentos musicais, vieram o violeiro Osmar Lins, a dupla Gleissinho e Raphaela com um repertório carregado de samba e Marco Pérola, que bateu o ponto no segundo ano consecutivo. De Turmalina, fazendo uma participação especial no show de Osmar Lins, veio o já conhecido Volber Maciel e, de Veredinha, o Coral Vozes das Veredas. Walter Dias, conhecido cantor e compositor do Vale do Jequitinhonha, também marcou presença pela segunda vez no Galpão lançando o seu primeiro CD intitulado "Setembro".

Jéssica deu um show de interpretação
Mas é da cidade de Capelinha que vieram a maior parte dos artistas: Fátima Neves e fihos, Rodrigo Pires, Jederson Cordeiro, Júlio Penna, Guilherme Pimenta, a banda Akasus e as meninas Maria Letícia e Jéssica Souza. Esta última, passou da condição de grata revelação  para protagonizadora, sgundo opinião da maioria, da melhor apresentação do Galpão nesse ano ao trazer um belo repertório que agradou imensamente o público presente. Se compararmos com a sua apressentaçao no ano passado percebe-se a sua grande evolução como intérprete. Sua qualidade vocal também merece elogios. Espero que Jéssica continue evoluindo a cada dia.

Quarteto Amuc
Não se pode esquecer as belas apresentações das bandas de música AMUC, da cidade de Capelinha, e da Banda de Música Prof. Geraldo Magela, de Aricanduva que tocaram os mais variados ritmos da música brasileira. O Quarteto AMUC, um quarteto de sopros formado por músicos da banda local, brindou o público com o melhor do jazz americano das décadas de 1930 e 1940 do século passado. Mas o estilo musical que mais rolou no Galpão foi o samba.

A começar pela Banda Odilara, passando por Rodrigo Pires, Walter Dias, Marco Pérola e fechando a última Madrugada Galpão, Gleissinho e Raphaela. Mas nem só de samba viveu o Galpão. A maior força do Galpão é a sua democracia musical ao acolher uma diversidade de ritmos, estilos e as diferentes formações de grupos cantando MPB, reggae, samba-reggae, música regional do Vale do Jequitinonha, música caipira e sertaneja, música alternativa, pop-rock, música instrumental, tudo se integrando em harmonia.

Grupo Anim'Art
Além das apresentações musicais, o Grupo de Teatro Anim’Art e o Grupo Cultural Adahun trouxeram esquetes que encantaram o público. O Anim’Art, apresentou o “Milagre das Formigas”, texto do minasnovense Carlos Motta. O que pecou foi o barulho que o público fez impedindo uma melhor audição do texto interpretado pelos atores. O Adahun apresentou duas danças afro-brasileiras, tendo o professor Cimael Campos à frente, com destaque para a dança do Maculelê.


Grupo Adahun - Dança do Maculelê
 O Instituto CriaSom, de Capelinha, também teve o seu momento no Galpão ao fazer uma bela apresentação com o coral formado por alunos que participaram de uma oficina de técnica vocal com Walter Dias. 

A feira de artesanato contou com a exposição dos artesãos da PROARTE – Associação de Artesãos e Produtores da Agroindústria de Capelinha que acabaram de comemorar mais uma grande realização ao inaugurarem uma “Loja de Artesanato” permanente no centro da cidade. Também expuseram na feira artesãos de Angelândia, Aricanduva, Minas Novas, Turmalina, Veredinha e Itamarandiba. Essa participação, além de melhorar a qualidade da mesma, permitiu a integração regional e, consequentemente, melhorou consideravelmente a presença do público que nos últimos anos rareava, de acordo com as reclamações de vários artesãos de Capelinha.

A Feira de Artesanato

Esse ano o Galpão inovou no já tradicional domingo livre ao servir o “Almoço no Galpão”. Porém, o que marcou mesmo o domingo no Galpão foi a presença da dupla caipira Rio Doce e Mucuri, de Capelinha. Eles deram um verdadeiro show de música caipira para um galpão repleto de pessoas mais simples, oportunizando a elas o acesso ao Galpão e ao estilo musical que mais lhe agradam.


Rio Doce e Mucuri

Quanto aos aspectos que mais mereceram a reclamação do público foram o excesso de claridade no ambiente, a falta de cadeiras para o público, a falta de uma decoração condizente com a cultura regional, a exemplo dos anos anteriores, e qualidade sonora sendo esta última quase uma unanimidade.

A claridade do ambiente no momento dos shows, a falta de uma iluminação adequada no palco, a ausência de camarim foram pontuações feitas por diversos artistas. Algumas pessoas também acharam o ambiente demasiadamente claro e lembraram que nos anos anteriores a penumbra dava um certo charme ao galpão. O público reclamou a falta de cadeiras, principalmente para os shows que exigiam maior contemplação. Porém, elas estavam lá. Bastava que os interessados as pegassem. Tudo isso são coisas que podem ser resolvidas nas próximas edições.

 No que se refere à decoração, muita gente sentiu falta dos belos painéis pintados nos anteriores. Nos últimos anos, se tornara uma atração à parte. Segundo me informou alguns integrantes da organização responsável por esse quesito, este ano não foi possível fazê-los dada a temática da Cafeicultura e devido ao elevado custo da reforma do Galpão, havendo a necessidade de se atender as exigências de  patrocinadores. E os frequentadores do Galpão esperam que nos próximos anos a decoração com motivos culturais regionais volte a ser a tônica do ambiente. Muita gente pensa que isso não será possível dada a qualidade estrutural do Galpão e uns até argumentam que o Galpão está tomando o mesmo caminho da cidade ao se modernizar sem levar em conta a preservação de prédios antigos. Mas no caso do Galpão, isso é perfeitamente possível, pois já presenciei diversas exposições no Palácio das Artes em Belo Horizonte, que deixava o público com a sensação de estar encravado no meio de um arraial perdido no Vale do Jequitinhonha ou na beira das barrancas do São Francisco, sem nenhum prejuízo às suas características modernas.

Muitos artistas reclamaram que a logomarca do patrocinador estava realçando mais que o próprio artista em foco. Entendo que o patrocínio deve sim, ser destacado, mas um pouco mais de sobriedade talvez o coloque com maior evidência positiva.

O som e a qualidade de seus operadores tem sido, de forma justa, alvo das maiores reclamações durante todas as edições. Cabe ressaltar que não se trata de colocar em xeque os proprietários de som ou as pessoas que operam os equipamentos. O que se percebe é que os técnicos de som parece não estarem preparados para atuar nesse tipo de evento, explorando o melhor de seus equipamentos. Isso ficou notório ao se comparar a qualidade sonora dos shows de Jéssica Souza, Jederson Cordeiro e Walter Dias com os shows anteriores a eles. Pude aferir que os conhecimentos técnicos do profissional da música Walter Dias possibilitou uma melhor qualidade sonora no ambiente, atestada por todos.

Maria Letícia
Na minha opinião, os maiores prejudicados pelo som foram Fátima Neves, o Coral Vozes das Veredas e, principalmente, Maria Letícia. Dou uma ênfase maior a esta última porque entendo que ela  foi a maior prejudicada, entre todos os shows do Galpão.

Foi uma pena o público não ter tido a oportunidade de apreciar o trabalho autoral de Maria Letícia. Insisto em dar ênfase a ela por sua ousadia em ir contra ao establishment musical que impera na nossa sociedade ao trazer para um espaço como o Galpão composições próprias e de muita qualidade. Essa ousadia é própria dos artistas que buscam identidade própria e criatividade acima da média. É natural que sofram todas as agruras próprias de quem busca o lugar ao sol, mas quando ultrapassam as barreiras costumam brilhar intensamente. Um exemplo dessa ousadia é Pedro Morais, que começou sua trajetória impondo o seu repertório e o seu próprio modo de ser e de cantar.

Para eliminar essas discrepâncias, sugiro aos responsáveis pelas licitações do som para o Galpão Cultural procurarem enumerar nos editais quais os equipamentos mínimos necessários para que o espaço tenha uma sonorização digna de sua fama e de sua qualidade ambiental. Digo isso porque o responsável pelas finanças da prefeitura não tem a obrigatoriedade de entender e conhecer quais os mecanismos técnicos para se ter um som de qualidade e, dado a sua condição de cuidar das finanças da prefeitura, sempre escolherá nas licitações o melhor preço apresentado. Sabemos que o melhor preço nem sempre reflete a melhor qualidade.  Em contrapartida, os organizadores responsáveis pela contração de shows e de som informam que a estrutura de som para o Galpão atende a voz e violão. Muitas vezes os artistas teimam em querer trazer instrumentos que não condizem com a estrutura de som, como guitarras elétricas, baixo dentre outros. Quando estes artistas insistem em trazer tais equipamento, o responsável pela sonorização orienta que fica na responsabilidade do artista qualquer outro equipamento que necessite para melhorar a sua apresentação. Porém, não parece ter sido o caso dos equipamentos alugados para esse ano.

Talvez se os proprietários de som fizessem cursos de aperfeiçoamento acústico e de sonorização os problemas resolveriam em grande parte porque a maioria deles são pessoas atenciosas e comprometidas com os artistas que se apresentam.  Por causa das apresentações do Coral de Veredinha no Galpão, adquiri dois microfones apropriados para o canto coral, no entanto os operadores não possuem conhecimentos técnicos que nos orientem qual a melhor maneira de se posicionar no palco.

Outra pequena intervenção que ajudaria na melhoria da qualidade visual e estética das apresentações, principalmente as bandas de músicas e as intervenções culturai feitas pelos grupos locais, seria a construção de pequenos tablados que possibilite o aumento da área de palco e que os sons contratados disponibilizem microfones próprios para captação de som ambiente.

Merece destacar o apoio dos Fundos Municipais de Turismo e do Patrimônio Cultural aos grupos que se apresentaram no Galpão e a vigilância do COMAD-Conselho Municipal Antidroga e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente para que não se comercializasse bebidas alcóolicas para menores de 18 anos.
 
A primeira-dama Conceição Vieira com a banda Odilara

Mas quem merece parabéns e louvores mesmo é a equipe responsável pela organização estrutural do Galpão comandada pela primeira-dama Conceição Vieira, criatura incansável e com uma disposição juvenil e bom humor durante todas os nove dias e noites; Lu Vieira, Secretário Municipal de Assistência Social e responsável pelo barzinho; Branca Alcântara, Secretária Municipal de Cultura e Turismo, responsávbel pela contratação e organização dos shows e grupos culturais. Além deles, merece elogios as assistentes da organização Fátima Arantes e Cula Sampaio, além de todo o pessoal que atuou na cozinha, no atendimento ao público seja nas mesas, no balcão, nos sanitários ou no caixa pela qualidade de serviços oferecida.


Elisângela Alcântara (Branca) com Tadeu Oliveira

Outro fato importante foi a cobertura sistemática de tudo que ocorreu no Galpão, pelo menos por dois blogs, o Canta Minas e o Blog do Reginaldo.

O mais importante de tudo é que o galpão tem proporcionado o surgimento de novos valores, aconchego para o público que cada vez mais crescente, além do fortalecimento da identidade cultural capelinhense e, por consequência,  da identidade regional.
E antes que eu me esqueça, também é digno de nota a bela e justa homenagem feita a uma baluarte da Educação em Capelinha e que deu também a sua contribuição no movimento cultural. Trata-se da professora Maria Odeth Sampaio, conhecida na intimidade por Deth Sampaio.