Seja bem vindo(a)!!!





Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

banner

banner
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de junho de 2016

HISTORIADOR DE CAPELINHA PARTICIPA DO SEMINÁRIO VISÕES DO VALE X

O capelinhense Douglas Lima, Mestre em História Social pela UFMG, apresentará pesquisa sobre o discurso do progresso e a seleção do passado no município de Capelinha
Douglas Lima lecionando História
  
O Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha realiza, nos dias 13 e 14 de junho de 2016, em Belo Horizonte, o Seminário Visões do Vale X. A grande novidade desse ano será a participação do jovem capelinhense Douglas Lima, Mestre em História Social pela UFMG (2014) e licenciado em História pela UFMG (2011) que foi classificado para apresentar sua pesquisa sobre "O Discurso do progresso e a seleção do passado" na história de Capelinha.

Douglas Lima parte das visões acerca do progresso e do passado que permearam diversos processos de mudanças sociais e econômicas ocorridas desde o século XVIII para compreender as influências que permanecem até os dias atuais. Segundo ele, "nos últimos duzentos anos, progresso foi entendido como passaporte para um futuro glorioso, necessariamente melhor do que o passado e/ou o presente. Por seu turno, o passado adquiriu ares de obscuridade, de tempo desconhecido ou idealizado e em alguns casos tornou-se sinônimo de atraso. As ciências humanas discutem tais perspectivas de forma crítica, relativizando o lado positivo do progresso e buscando a desmistificar do passado. No entanto, as visões acadêmicas nem sempre estão em consonância com as percepções instrumentalizadas hegemonicamente e os conceitos de progresso e de passado normalmente manejados pela sociedade não são necessariamente os eleitos pelos pesquisadores em humanidades. "

No seu trabalho, o binômio “progresso-passado” é investigado segundo os sentidos que adquiriu em Capelinha, Alto Vale do Jequitinhonha. Como fontes de pesquisa, utiliza-se discursos proferidos por autoridades, livros sobre a história local, jornais, fotografias, relatórios e legislação municipal. Desde o final dos anos 1970, Capelinha transformou-se econômica e socialmente, o que gerou muitos impactos para a população local. Grande parte das mudanças ocorreu em virtude da intensificação das monoculturas de café e de eucalipto no município. A localização geográfica estratégica e o clima propício ajudaram a cafeicultura e a eucaliptocultura a prosperarem em Capelinha. 

Douglas afirma que, diferentemente de outros municípios vizinhos, a partir de então, a economia capelinhense alavancou, gerando empregos nas áreas extrativistas. O café e o eucalipto passaram a sintetizar o “progresso” da conjuntura local. Simultaneamente a esse processo, a sede municipal de Capelinha sofreu intervenções arquitetônicas, que modificaram suas antigas feições. Casarões centenários foram derrubados, dando lugar a edifícios contemporâneos que também simbolizam a “prosperidade” e o “progresso” do município. Em contraposição ao discurso de progresso, disseminou-se uma ideia de que a história de Capelinha tinha um “antes” e um “depois” do café e do eucalipto. O contexto anterior, de desemprego e miséria, foi modificado e ainda que a falta de emprego e a fome não estivessem totalmente erradicadas, tais problemas foram mitigados pela monocultura. Esta percepção social desconsidera aspectos que não se encaixam no discurso de progresso. 

Ele afirma que apesar do “progresso” de Capelinha ser intimamente associado ao café e ao eucalipto cultivados a partir da década de 1970, ele foi uma busca constante das autoridades e das elites locais desde o início do século XX. A retórica do avanço e da ruptura com o passado pode ser percebida nos discursos proferidos na cidade por Juscelino Barbosa, em 1925. Por conta da proeminência da concepção de progresso, a história ocupa um lugar marginal nas narrativas capelinhenses, muitas vezes sendo sinônimo de um “passado” mitificado, idealizado e/ou selecionado. Dessa forma, temas centrais para a história brasileira, como a escravidão e o coronelismo, também observáveis ao longo da história de Capelinha, são referidos a título de curiosidade, como se não se tratassem de aspectos fundantes do próprio processo histórico local. A história como “passado” positivo muitas vezes é associada a alguns indivíduos e algumas famílias, que se destacam nos âmbitos da administração municipal e da economia. Eles são entendidos como os agentes do processo histórico local, tendo o papel de guiar a locomotiva do “progresso” capelinhense.

É a partir do confronto entre os discursos de “progresso” e de “passado”, inscritos nas fontes aqui utilizadas, que a presente reflexão se insere. Busca-se interpretar tais visões segundo suas dimensões históricas, deixando de lado a perspectiva essencializante, afirma Douglas Lima.

VISÕES DO VALE X 

O Visões do Vale tem o objetivo de compartilhar e discutir as diferentes percepções sobre o Vale do Jequitinhonha, através de discussões temáticas nas quais tenham vez e voz as diferentes visões sobre as características, problemas e potencialidades da região.

Como forma de aproximar pesquisadores, agentes governamentais e a população do Vale, o evento discutirá nesta edição o tema desafios da urbanização. Além de conferências e mesas-redondas, serão aceitas comunicações orais de trabalhos de pesquisa e extensão sobre este tema, de diferentes áreas do conhecimento e de qualquer instituição de pesquisa. As comunicações serão organizadas em painéis temáticos, que podem versar sobre os seguintes subtemas: aspectos históricos, demográficos e populacionais, migrações, organização popular e movimentos sociais, educação, cultura e identidade, dentre outros, cabíveis na temática geral do Seminário.

Além de Douglas, outros pesquisadores apresentarão seus trabalhos a partir das 16 horas do dia 14 de junho, terça-feira. Cada apresentação individual, em dupla ou em grupo terá de 15 a 20 minutos de exposição. Na sequência das apresentações será realizado os debates.

QUEM É DOUGLAS LIMA

Natural de Capelinha, Douglas Lima é filho do senhor Valdemiro Alves de Jesus que era conhecido pelo apelido de Coelho e que tinha uma pequena indústria de calçados denominada Sandálias Capelinha e de dona Lucila Aparecida Lima de Jesus, professora do ensino fundamental na Escola Estadual Domingos Pimenta de Figueiredo. Primeiro filho do casal, Douglas tem como irmãos Eduardo, Vanessa e Gustavo, baluartes e companheiros da vida inteira e com quem sempre dividiu cantorias desafinadas em Capelinha, que tornaram-se mais raras, mas segundo ele, quando acontecem são ainda grandes momentos de fraternidade e brincadeiras. Neto de "seu" Zé do Morro, Douglas herdou do avô o interesse pela cultura popular e pelas histórias de migração das pessoas do Vale do Jequitinhonha para a região sul do país.

Cursou a escola pública em Capelinha e no ano de 2004, seguiu para São João Evangelista onde cursou o ensino médio e Curso técnico/profissionalizante, se formando Técnico em Agropecuária na Escola Agrotécnica Federal de São João Evangelista, EAFSJE-MG. Em seguida vai para a capital mineira onde inicia os estudos em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas, que acaba por interromper no no de 2007.

Em 2008, se matricula no curso de História da Universidade Federal de Minas Gerais, Campus Pampulha em Belo Horizonte, onde se licencia em História em 2011. Em 2012, inicia o mestrado em História (Conceito CAPES 6) também pela UFMG, onde tornou-se Mestre em História Social da Cultura, em 2014, ao defender pesquisa intitulada "Polifonia das alforrias: significados e dinâmicas das libertações de escravos nas Minas Gerais setecentistas". 

Entre 2008 e 2011 foi bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq. Foi membro da coordenação da Oficina de Paleografia - UFMG (2012 a 2014). De 2013 a 2015 foi professor efetivo na rede estadual de educação de Minas Gerais, atuando no Ensino Fundamental. Atualmente é professor designado no Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, onde leciona para estudantes de Ensino Médio. Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil colonial e conexões com África, América espanhola e Europa, atuando principalmente nos seguintes temas: escravidão, alforrias, tabelionato, trânsito cultural, história comparada.

Tadeu Martins e Douglas Lima conversando sobre o Vale.
Conheci Douglas Lima no final do século passado, logo quando cheguei em Capelinha. Ele era estudante do ensino fundamental na Escola Estadual Dr. Juscelino Barbosa. Lá, batíamos muito papo na hora do recreio sobre assuntos variados: cultura, música, literatura,  política, História, Capelinha, Vale do Jequitinhonha dentre outros. Logo percebi o seu interesse e curiosidade em saber e entender o porquê das estruturas e o que está por trás das mesmas. Várias foram as noites em que passávamos conversando até altas horas, o que muitas vezes custou repreensões da sua mãe. Assim, compreendi que estava diante de um grande pesquisador para o futuro. Felizmente, o futuro chegou e Douglas começa a dar passos largos em direção a uma vida acadêmica consistente e pródiga. 

Embora resida em Belo Horizonte, Douglas Lima sempre se mostrou interessado e preocupado em discutir  e buscar soluções para os problemas sociais da sua cidade. Tanto que, juntamente com outros jovens capelinhenses, criaram o MMC - Movimento Muda Capelinha que muito contribuiu para a discussão da conscientização política local, da cidadania e participação popular num contexto em que a cidade vivia da possibilidade de se concretizar um dos seus maiores sonhos que é a presença de uma universidade federal. Mas, esses jovens não ficaram restritos apenas a Capelinha e começaram a situar os problemas e conquistas do município dentro do cenário do Vale do Jequitinhonha. Assim, eu mesmo já tive a oportunidade de participar de eventos culturais em diversas cidades do Vale junto com ele e sempre buscamos a compreensão dos fatos que vivenciamos.

A despeito dos muitos planos que temos a realizar juntos, desejo de todo coração que Douglas Lima brilhe cada vez mais na pesquisa da nossa história.

Outras informações sobre o evento estão disponíveis em nosso portal: 
Solicita-se confirmar presença pelo e-mail: polojequitinhonhaufmg@gmail.com



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O CANTO QUE VEIO DO FUNDO MAIS FUNDO DO VALE

"Ao perguntar ao maestro Lindomar Gomes o que o levou a apostar num coral desconhecido a ponto de convidá-lo para um evento tão grandioso tendo como referência apenas uma singela página de internet criada por mim, respondeu: 'a simplicidade e pureza'. E ao perguntá-lo novamente se isso por si só isso já seria suficiente para emocionar as pessoas a ponto de levá-las ao choro, ele novamente me respondeu:
'o coral de Veredinha toca o coração das pessoas porque canta com o fogo do amor'”.


 O coral em sua primeira apresentação no Museu Abílio Barreto/Bh em 2004.
Foto: Arquivo Canta Minas

Por Tadeu Oliveira

“Assim, se passaram dez anos”. Mas parece que foi ontem. Outro dia mesmo, o Coral Vozes das Veredas, dava os seus primeiros passos para cantar em outras plagas. Após três anos da sua fundação, eis que surgia uma oportunidade ímpar de participar do 2º Festival de Corais de Belo Horizonte, nos dias 26, 27 e 28 de novembro 2004, que homenageava o Clube da Esquina. O convite fora feito pelo idealizador e realizador do evento, o maestro Lindomar Gomes muito bem definido pelo poeta Fernando Brant como “um singelo encantador de notas musicais e de pessoas, que leva a vida sonhando e realizando sonhos”. O convite veio a calhar e nós audaciosa e despretensiosamente aceitamos. Afinal, desde a sua criação pela Adecave – Associação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente de Veredinha – em agosto de 2001, que o Coral cantava e encantava o Médio Jequitinhonha. As cidades de Capelinha, Turmalina, Minas Novas, Berilo e Francisco Badaró já haviam se embevecido com as melodias e harmonias emanadas pelas vozes de Veredinha.

A euforia e a ansiedade tomavam conta de nós naqueles dias. Eu e Mirinha, uma das coordenadoras do projeto da Adecave, cuidávamos dos preparativos para o grande evento buscando apoio e recursos para logística, escolhendo repertório, convidando músicos para acompanhar o coral, organizando ensaios e realizando oficinas com abordagens comportamentais e relações interpessoais com a psicóloga Lílian Murta. Até que chegou o dia de tomarmos o rumo da capital mineira para lá cantarmos pela primeira vez. Se para mim que apesar de já ter morado em Belo Horizonte nos anos de 1980 sentia-me como estivesse entrando num território desconhecido, imagine o que aquilo tudo poderia representar para aquelas crianças com idade entre sete e dez anos que mal conheciam os arredores de Veredinha!

A nossa primeira participação aconteceu na noite do dia 26 de novembro de 2004, sexta-feira, no museu Abílio Barreto após percorrermos por um dia inteiro os quase 500 km que separa Veredinha de Bh. Assim que chegamos com aquele bando de crianças com roupas em algodão cru, Mirinha e eu nos entreolhamos e sussurrei entredentes: – “Meu Deus do céu! O que viemos fazer aqui?” – acompanhado de um enorme frio na barriga e um aperto no coração. Mirinha corroborou meus sentimentos acrescentando que devíamos nos manter serenos para não transparecer qualquer insegurança. Não saberia precisar quanto tempo passou desde nossa chegada até a hora de nos apresentar. Foram momentos tensos e aflitivos. O ambiente tornara-se contraditoriamente inóspito apesar da beleza do Museu Abílio Barreto com seu casarão colonial e da recepção carinhosa e calorosa do maestro Lindomar Gomes e sua equipe. Nosso figurino, confeccionado em tecido próprios para sacos e com detalhes em chita colorida e totalmente diferente dos padrões adotados pelos corais que se via por ali, nos expunha ainda mais aos olhares curiosos. Outro fator altamente inibidor era o público presente, bem diferente daquele os quais já havíamos apresentado.

Logo que subimos ao palco, como um coro de anjos mestiços, o sublime cantar das meninas de Veredinha enfeitiçou os presentes.  Iniciamos com dois cânones que sempre abrem nossas apresentações: “Oração Indígena” e “Saudação Africana”. Como fumaça, os receios se dissiparam e logo seguida a gente cantou “Cantiga pra Lira” de Rubinho do Vale. Faltava ainda cantar uma música do Clube da Esquina e quando o coral cantou “Itamarandiba” de Milton Nascimento e Fernando Brant, a plateia já nos ovacionava. Plateia esta que contava com a presença do poeta e compositor Fernando Brant que naquela semana, mais precisamente no dia primeiro de dezembro de 2004, escreveria muitos elogios ao Coral de Veredinha na sua crônica semanal no jornal Estado de Minas, intitulada “Música nas esquinas e nas praças”, que mais tarde integraria o livro “Casa Aberta” pela editora Dubolsinho.

Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes e Toninho Horta
Vivenciamos ainda muitas outras emoções. Eu e o músico Fábio Cordeiro assistimos a um animado bate papo sobre o Clube da Esquina com Toninho Horta, Fernando Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes, integrantes do movimento, no Espaço Cultural Phoenix da Universidade Fumec. E na companhia dos músicos Toninho Iglésias e César Loredo nos inebriamos aos sons do grupo carioca Equale, Affonsinho, Tavito, Telo Borges, Toninho Horta, 14Bis e Trio Amaranto na praça de Santa Tereza e na praça em frente a igrejinha da Pampulha.

Aliás, estas duas praças nos reservaram momentos jubilosos e extasiantes. Durante o dia, só se ouvia falar do coral e várias pessoas nos acompanhavam por onde fôssemos cantar. Na noite do dia de 27 de novembro o enorme público na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza, foi ao delírio na apresentação do Coral Vozes das Veredas. E lá, nos despedimos do Festival e agradecemos o carinho do público e dos organizadores, pois no dia seguinte o coral participaria do programa televisivo Dedo de Prosa, do capelinhense Juninho Elisiário, e faríamos um passeio com as meninas num shopping acatando sugestão de Rubinho do Vale. Para nossa surpresa, mal o programa terminou duas belas moças da organização do festival nos esperava e nos “intimou” a comparecer à praça da igrejinha da Pampulha por ordem do público presente. Não é preciso dizer que as crianças rejeitaram a ideia. Ao argumentar que, se nos propusemos a participar do Festival, deveríamos acatar o pedido, meu argumento as levou a irredutibilidade. Então, tive que apelar para os versos do poeta que diz que “todo artista tem de ir aonde o povo está”.

Cantando na Pampulha
Mal descemos do ônibus na Pampulha e ouvimos o locutor anunciar entusiasticamente: “acaba de adentrar a praça o coral de Veredinha”. A praça foi ao delírio transformando as expressões carrancudas dos rostos infantis em largos sorrisos. Após o desfile de inúmeros corais pelo palco, antes do 14Bis fechar as cortinas do 2º Festival de Corais, as Vozes das Veredas incendiou o público. Surgia assim, para o cenário do canto coral de Minas Gerais, um canto novo do cantinho mais fundo do fundo do Vale do Jequitinhonha. 

Fernando Brant, Tadeu Oliveira e
o maestro Lindomar Gomes
Primeiro coral do Vale a cantar nesse evento, a história das Vozes das Veredas se entrelaçou à história do Festival de Corais de Belo Horizonte que se transformou no FIC - Festival Internacional de Corais. E minha trajetória pessoal no canto coral ganhou novos caminhos e experiências. Um dia, ao perguntar ao maestro Lindomar Gomes o que o levou a apostar num coral desconhecido a ponto de convidá-lo para um evento tão grandioso tendo como referência apenas uma singela página de internet criada por mim, respondeu: “a simplicidade e pureza”. E ao perguntá-lo novamente se isso por si só já seria suficiente para emocionar as pessoas a ponto de levá-las ao choro, ele novamente me respondeu: “o coral de Veredinha toca o coração das pessoas porque canta com o fogo do amor”. Isso explica a minha grande paixão por este grupo de meninas, pela cidade de Veredinha e pelo Vale do Jequitinhonha. E para finalizar, assim como iniciei esse texto com o primeiro verso de uma versão de Lourival Faissal para a composição de Rafael Hernández cantada pela baiana Gal Costa, encerro com o último verso da mesma canção: “E o resto desse romance só sabe Deus”.

terça-feira, 25 de março de 2014

CORAL DE VEREDINHA É CONVIDADO ESPECIAL DO SHOW "AS ONHAS DO JEQUI"



No dia 23 de fevereiro, quando se realizou o Seminário "Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural" na cidade de Araçuaí, o diretor executivo do ValeMais - Instituto Sociocultural do Jequitinhonha, Guilardo Veloso e o poeta e compositor Gonzaga Medeiros oficializaram convite para o Coral Vozes das Veredas participar do show "As Onhas do Jequi - 30 anos", dentro do projeto "Quando o Jequitinhonha Canta e Dança". 

Segundo Guilardo Veloso, o Coral de Veredinha foi escolhido "por ser um trabalho considerado pela crítica especializada muito importante de cultura e inclusão social, envolvendo jovens do Jequitinhonha, mas também pela dedicação, competência e seriedade da pessoa do coordenador e regente, Professor Tadeu Oliveira."

Criado em agosto de 2001 pela Associação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente de Veredinha – ADECAVE, o Coral Vozes das Veredas foi o primeiro trabalho de conto coral realizado por mim. Além do coral de Veredinha, trabalhei com o Coral Mali Martin na cidade de Itamarandiba, com o Coral Zabelê na cidade de Turmalina e com o Coral Plantar na cidade de Curvelo.

Depois de se apresentar nas cidades de Capelinha, Turmalina, Minas Novas, arbonita, Francisco Badaró, Berilo, Itamarandiba, Diamantina, Couto Magalhães de Minas, Angelândia e Araçuaí,  todas no Vale do Jequitinhonha, e nas cidades de Corinto e Itabira, em 2004 o Coral participou do 2.º Festival de Corais de Belo Horizonte, atualmente conhecido como FIC – Festival Internacional de Corais,  evento que faz parte do calendário cultural oficial do estado e que homenageou o Clube da Esquina, cantando para um público estimado em mais de 10 mil, tornando-se a grande atração do evento. A partir daí, o Coral sempre se fez presente nas edições seguintes do FIC – Festival Internacional de Corais de Belo Horizonte.

Em 2005, o Coral gravou o seu primeiro CD, intitulado “Um Canto Novo Num Cantinho do Vale” através de recursos subsidiados pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas.

Em 2006, participou do show Vozes do Vale, dentro do projeto Vale: Vozes e Visões, A Arte Universal do Jequitinhonha realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, junto com Rubinho do Vale, Pereira da Viola, Dea Trancoso, Josino Medina,  Zé Padre, Coral da Lavadeiras de Almenara e Coral Araras Grandes.

Em 2007, o coral participou do projeto Quatro Cantos – Coral na Praça, realizado pelo BDMG Cultural, se apresentando na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e em 2008, juntamente com Rubinho do Vale, cantou em solenidade do Programa de Combate à Pobreza Rural – PCPR, no Palácio da Liberdade. Antes, participou em 2006 do show Vozes do Vale, dentro do projeto Vale: Vozes e Visões, A Arte Universal do Jequitinhonha realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais.

Dentre várias publicações na imprensa, há de se destacar a crônica escrita por Fernando Brant no caderno de Cultura do Jornal Estado de Minas, datado de 1.º de dezembro de 2004 e republicada no livro Casa Aberta (Editora Dubolsinho, 2012) onde o poeta e compositor reuniu várias de suas crônicas originalmente publicadas no jornal mineiro.

A partir de 2006, o Coral inicia sua emancipação da ADECAVE e passa, no inicio de 2007, a contar com a colaboração de um grupo de pessoas de Belo Horizonte simpáticas ao trabalho ao meu trabalho. Na tentativa de buscar sobrevivência para o Coral, já considerado importante referência para a comunidade local, os pais fundam em 2008 a Associação Coral Vozes das Veredas e desde então vem buscando apoios diversos para sua manutenção.

Atualmente o Coral é formado por 23 integrantes com idade entre 12 e 23 anos, oriundos em sua maioria, de famílias carentes. O Coral Vozes das Veredas tem como premissa básica a coleta e registro de cânticos regionais do Vale subsidiados através da pesquisa junto a familiares e comunidades rurais.

Por onde o Coral Vozes das Veredas passa o público se emociona diante de sua Simplicidade e singeleza despertando a atenção de artistas como Rubinho do Vale, Fernando Brant e Tavinho Moura pelo belo trabalho desenvolvido pelo regente Tadeu Oliveira. O repertório é composto de músicas da MPB, folclóricas e regionais com uma pitada lírica, fundamentando a personalidade sonora do coral por toda a região do Vale do Jequitinhonha.

Clique nos links abaixo para ler artigo de Fernando Brant sobre a música mineira, onde cita o Coral Vozes das Veredas como uma das gratas surpresas do canto de Minas:

http://cantaminas.blogspot.com.br/2012/10/artigo-musica-e-mineiridade-1-parte.html

http://cantaminas.blogspot.com.br/2012/10/artigo-musica-e-mineiridade-2-parte.html (O autor cita o coral ao final do artigo)

domingo, 25 de agosto de 2013

ALGUMAS LEMBRANÇAS DA ORGANIZAÇÃO DO TEATRO EM CAPELINHA


Por Tadeu Oliveira

Nos dois últimos programas Canta Minas, 18 e 25 de agosto, eu entrevistei duas pessoas que são ativistas culturais em Capelinha: Reginaldo Rodrigues, presidente do Grupo de Teatro Anim’Art e Preta Vieira, uma das fundadoras do GTC - Grupo de Teatro de Capelinha e atual diretora-presidente da Casa da Cultura de Capelinha. O bate papo com Reginaldo e Preta visou dar um panorama da construção histórica do teatro capelinhense.

Sempre acompanhei com interesse os movimentos culturais do município. Antes de vir morar aqui, eu já tinha notícias dos movimentos culturais existentes ou que já existiram, tais como: Semana da Cultura, Grupo de teatro, Casa da Cultura. A partir de 1997, quando vim morar em Capelinha, passei a integrar o movimento cultural local, oportunidade que me permitiu conhecer um pouco mais a história da construção e organização das atividades culturais do lugar.

Segundo registros existentes nos arquivos da Casa da Cultura e diversos relatos que obtive através de conversas informais com várias pessoas fundadoras do movimento cultural capelinhense, tudo começou no ano de 1981, quando em Capelinha se encontravam técnicos e assistentes do Programa MG II, pessoas que, por zelo natural, gosto pelo fazer cultural e artístico, apresentaram-se criativas, dentre as quais se destacou a socióloga Jane Simões, para cuja residência convergiam Sônia Sampaio, Preta Vieira, Marlene Matos, Detinha Peixoto. Cássio (Prof. Quincas), entre outros, em busca de lazer e troca de idéias. E foi através deste convívio que Jane Simões apresentou várias propostas aos então jovens entusiastas capelinhenses.

Em janeiro de 1982, se encontrava em capelinha Belisário Barros, diretor de teatro de Belo Horizonte, a convite de Jane Simões que organizou a primeira oficina de teatro, que teve como resultado a apresentação da “Morte e Vida Severina”. A ideia, como uma semente que lançada em terra fértil produz bons frutos, foi acolhida por consenso e o bastante para que em 08 de julho de 1983 se criasse oficialmente o G.T.C. – Grupo de Teatro de Capelinha. Enfrentando preconceitos e adversidades estes jovens mantiveram o firme propósito de se amadurecer, de se impor e conquistar o seu espaço.

Após realização de várias peças teatrais chegou o momento de, arrojadamente em 1984, criarem a I Semana de Cultura que mobilizou para a cidade pessoas de muitos lugares e grandes expressões da arte e cultura do Vale do Jequitinhonha, com objetivo de despertar na gente de Capelinha e região os seus valores.

Em 1985, membros do G.T.C. participaram do II EPC – Encontro Popular de Cultura o que levou a geminar o embrião da Casa da Cultura. Esta surgiu em 1987 com tamanha força e juntamente com o grupo de teatro passou a fazer frente de todos os eventos culturais de Capelinha.

Apesar do Grupo de Teatro e da Casa da Cultura de Capelinha terem dado uma grande contribuição dos valores culturais de Capelinha também alertaram para questões importantes como a situação do menor abandonado, do idoso, a questão ambiental, além de terem divulgado de forma brilhante o nome da Capelinha para vários pontos do país. Tendo caráter apartidário e respeitando as diferenças filosóficas e religiosas da comunidade, ambas as entidades nunca contaram com o apoio efetivo dos órgãos competentes. Sobreviver nestes anos foi uma atitude quase milagrosa.

Vale a pena ressaltar que foi através destas entidades que o povo de Capelinha conheceu show de praça, uma rua de lazer, conheceu o teatro e teve, de novo, acesso a uma biblioteca sempre gratuitamente. A falta de apoio teve como consequência a total desarticulação das entidades que tiveram que guardar suas coisas e sair a procura de formas alternativas para manterem o funcionamento.

O período compreendido entre 1990 e 1997 foi marcado pelo marasmo, desarticulação, fato comparado a um doente em estado de coma. Mesmo assim, neste período, foram realizadas duas Semanas da Cultura. A partir de 1998 a vontade de reestruturar as entidades voltou à tona e nova diretoria foi eleita. Nessa época, a Casa da Cultura foi mantida com o apoio da ACIAC (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Capelinha) e do SIND-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação, sub-sede de Capelinha).

Há de ressaltar ainda que, embora Araçuaí tenha hoje o maior destaque do teatro no Vale do Jequitinhonha, o GTC foi uma grande referência para o Grupo Vozes, daquela cidade. E, nos tempos atuais, os fazedores de teatro de Araçuaí tornaram-se referência para o Grupo Anim’Art de Capelinha.

NO INÍCIO DO SÉCULO XXI SURGE UM NOVO CICLO

Nos anos de 1999 e 2000, tive o privilégio de ocupar o cargo de diretor presidente da Casa da Cultura de Capelinha, oportunidade em que reativamos o Grupo de Teatro local. Para isso, o ator e antigo membro do GTC, Amauri Costa, fez algumas oficinas com os novos atores contando também com a minha produção e co-direção. Essa nova safra contou com a pariticipação dos irmãos Jefferson Rayneres e Juvenal Cordeiro Filho, de Lettícia Camargos, Mariana Paranhos, César Sampaio, Wendhel Damasceno, Jocélio Campos e Fábio Martins. Dessa oficina montamos a peça “Pluft, o fantasminha”, de Maria Clara Machado. A peça foi apresenta diversas vezes em Capelinha e também na cidade de Itamarandiba.

Logo após a apresentação da peça “Pluft, o fantasminha”, o GTC apresentou a peça “Brasil Raízes”, com produção e direção de Tadeu Ribeiro. A peça “Brasil Raízes” foi uma homenagem aos 500 anos do Brasil. Devido a algumas dificuldades e diversos acontecimentos, novamente o GTC se hiberna o teatro só voltaria a ter destaque com a chegada de Paulinho a Capelinha. Com ele, surgem novos atores como Kandacy, Naiara Santos e Lucas que fazem brilhantes atuações na peça “O Homem”. Com a partida de Paulinho de Capelinha, novamente o teatro entra em decadência até que, no ano 2005, com o incentivo de Preta Vieira alguns jovens resolvem criar um grupo de teatro a partir uma oficina. É daí que surge o Grupo de Teatro Anim’Art. Numa próxima publicação, relataremos um pouco da história desse grupo.





sábado, 3 de agosto de 2013

CONHEÇA A HISTÓRIA DO EXTINTO CABARÉ MINEIRO

Casa de shows aberta na Rua Gonçalves Dias, na capital, em 1985 fez parte 
da cena cultural mineira e foi palco para consagrar artistas como 
Marisa Monte, Ed Motta e Cássia Eller 


Felipe Canêdo


Turma de Wagner Tiso foi responsável por levantar a casa e levar para lá 
os agitos mais quentes de BH


Entre 1985 e 1992, na Rua Gonçalves Dias, número 54, uma casa de shows e espetáculos fervilhava como um dos pontos nevrálgicos da borbulhante cena cultural mineira e brasileira do período de abertura democrática: o Cabaré Mineiro. Pouca gente que passa hoje pela região do Bairro Funcionários, povoada de lojas e edifícios comerciais, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, imagina que o local onde há um prédio residencial foi palco de shows ontológicos de artistas que depois se consagraram no cenário nacional, como Marisa Monte, Ed Motta e Cássia Eller, e de medalhões do jazz internacional, como Wayne Shorter, Wynton Marsalis e Joe Pass.

“O Cabaré Mineiro marcou época pela sua pluralidade. Não só por causa dos artistas que se apresentavam lá, mas porque ele tinha atividades das mais variadas matrizes artísticas de segunda a segunda”, avalia Cláudio Rocha, um dos sócios fundadores do empreendimento. Com capacidade para 600 pessoas, 400 sentadas, o espaço foi especialmente projetado para receber os agitos mais quentes da capital mineira. “Era um prédio muito bonito. Ele era especial. O levantamos do chão.

Tinha um terreno baldio ali, a gente alugou e levantou o Cabaré, foi um negócio muito bonito, a gente tinha muita vontade”, conta o músico Wagner Tiso, que além de ter sido sócio da casa também se apresentava lá com frequência.

O projeto arquitetônico, assinado por Milton Reis, era inspirado no Teatro Municipal de Sabará, tinha palco italiano e mezanino e foi ornamentado pelos artistas Marcelo Xavier e Mário Valle. As garçonetes universitárias do Cabaré também chamavam atenção e atraíam clientela. “Foi um lugar extremamente pitoresco, a gente tinha uma programação variada com shows, teatro, cinema, literatura e discussões. Acho que o Brasil não tem hoje uma casa como o Cabaré”, afirma Tiso, com um tom de nostalgia na voz.

“Tinha leilão de quadros, muita coisa interessante, tinha um movimento político legal, acompanhando esse momento do país renascendo. Tenho uma lembrança de uma casa muito boa. Sinto saudades”, diz a produtora cultural Nely Rosa, que frequentava assiduamente o Cabaré Mineiro. O projeto Sempre um Papo, que até hoje promove discussões e palestras com personalidades da cena cultural brasileira em Belo Horizonte, também passou por lá.

Música

“A gente não tinha nenhuma experiência nessa área de casas noturnas, eu (Cláudio Rocha) e Wagner Tiso. O Tadeu Rodrigues (posteriormente substituído por Ramon Fiúza) entrou para nos ajudar. Talvez por isso tenha dado certo, nós tínhamos um olhar muito cultural, claro que um olhar financeiro também, mas muito cultural”, lembra Rocha. Segundo ele, um dos primeiros shows da carreira de Marisa Monte aconteceu no Cabaré Mineiro. “Ela tinha tocado em um lugar pequeno no Rio de Janeiro, nós ficávamos muito atentos à cena cultural brasileira, então fizemos um show dela aqui e foi um sucesso, lotou. Foram três noites”, conta. Rocha cita também Ed Motta “Ele era desconhecido quando tocou no Cabaré”, diz. As
bandas Veludo Cotelê e Ouro de Tolo também marcaram época no palco do casa.

A ideia do Cabaré Mineiro surgiu da necessidade de haver um palco onde alunos da Música de Minas Escola Livre pudessem se apresentar. O empreendimento tinha como sócios Wagner Tiso, Cláudio Rocha e Milton Nascimento e funcionou entre 1980 e 1986. “Foi a primeira escola de música livre de BH e formou uma geração de músicos”, afirma Cláudio. Samuel Rosa, do Skank, Maurício Tizumba e Flávio Henrique foram alunos. Entre os professores estão Juarez Moreira, Gilvan de Oliveira e Babaya. Segundo Rocha, mais de
50% dos alunos da escola eram carentes e muitos deles eram bolsistas.

O Cabaré Mineiro fechou as portas em 31 de março de 1992 pois o dono do terreno onde ficava a casa não quis renovar o contrato de aluguel. Entre os vários artistas que se apresentaram estava Paulinho Pedra Azul, que lançou um livro de sua autoria naquela noite.
Atrações de renome Muitos artistas de renome se apresentaram no Cabaré Mineiro, como Adriana Calcanhotto, Leila Pinheiro, Nara Leão, Nana Caymmi, Cauby Peixoto, Luiz Melodia, Eduardo Dusek, João Bosco, Cida Moreira, Belchior, Jorge Ben e Banda Zé Pretinho, Jane Duboc, Lúcio Alves, Amelinha, Ednardo, Sivuca, Taiguara, Dominguinhos, Grupo Rumo, Ná Ozzetti, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Eliete Negreiros, Boca Livre, Olívia Byington, Paulo Moura. Pratas da casa, agitaram o palco do Cabaré Milton Nascimento, Wagner Tiso, Toninho Horta, Tavinho Moura, Beto Guedes, Lô Borges, Marco Antônio Araújo, Grupo Uakti, Paula Santoro, Titane e Sylvia Klein. Entre as atrações internacionais que passaram por lá, além de Wayne Shorter, Wynton Marsalis e Joe Pass, também se apresentaram Toots Thielmans e Al Di Meola.

Linha do tempo

1980
Wagner Tiso, Cláudio Rocha e Milton Nascimento abrem a Música de Minas Escola Livre

1985
Abertura do Cabaré Mineiro com programação inusitada e intensa

1986
Show de Sérgio Sampaio lota a casa

1987
A então desconhecida Marisa Monte é um sucesso e faz três apresentações no Cabaré

1990
Bandas Ouro de Tolo, Veludo Cotelê e Hocus Pocus se tornam frequentes, assim como a Banda Buick 90, que tocava todas as quintas-feiras

1992

Contrato de aluguel termina e o Cabaré Mineiro é fechado com grande festa


Fonte: Portal Uai: EM.COM.BR Publicação: 03/08/2013 06:00 - Atualização: 03/08/2013 07:06

domingo, 30 de junho de 2013

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ARTIGO: MÚSICA E MINEIRIDADE (2ª PARTE)



Por Fernando Brant(*)


Esse trabalho desenvolvido por Odete Ernest Dias precisa ser melhor conhecido e avaliado. É importante para que se tenha contato com a evolução da alma musical de Minas.

Os viajantes Spix e Martius, no início do século 19, andaram por essas Minas Gerais e tudo o que viram – em termos de humanidade, costumes, geografia, botânica, zoologia, flora- eles descreveram em livros. É interessante o relato que fazem de um fato ocorrido quando Martius esteve em Brejo dos Salgados, às margens do rio São Francisco, para prestar assistência médica à esposa de um Capitão. Ali, depois de cumprida a missão, ele assistiu a uma Festa da Rainha com missa, procissão e um lauto regalo, arranjada por uma rica fazendeira das proximidades. Eis o relato deles:
“Também encontramos aqui entretenimentos musicais, isto onde menos podíamos esperá-los. Um sertanejo, que habitava vinte léguas a oeste de Salgado, e casualmente tinha ouvido falar de nossa prática de amadores de música, mandou um mensageiro, para pedir-nos o prazer de tocar conosco um quarteto. Ao cabo de alguns dias, apareceu o moreno Orfeu das selvas, à frente da mais estranha caravana. Às costas da mula, trazia ele um rabecão, rabecas, trombetas, estantes para música, e, como provas de sua dedicação, a mulher e os filhos. Dois de seus vaqueiros tocaram as partes secundárias e, com jovial segurança, atacamos o mais antigo quarteto de Pleyel. Que mais alto triunfo podia celebrar o mestre do que a expressão de sua música ressoar aqui, no sertão americano? E, com efeito, o gênio musical pairava sobre a nossa tentativa, e tu, excelente melômano, João Raposo, viverás sempre na minha memória, com as tuas feições animadas por triunfante enlevo”. ( J.B. von Spix e C.F.P. von Martius- 1818).

ARTIGO: MÚSICA E MINEIRIDADE (1ª PARTE)


Por Fernando Brant(*)

Músicos brasileiros contemporâneos, chegando às nossas terras, costumam exclamar, de tanto ouvir a qualidade e sutileza das melodias e harmonias que ouvem por aqui, que Minas Gerais é “país da música”. Pode ser exagero, e é, se comparamos com outros territórios, no mundo, conhecidos pela grandiosidade de sua produção musical. Não queremos nos comparar aos grandes centros europeus de criação e difusão de concertos, sinfonias e tais, concebidos através dos séculos de cultura refinada. O velho mundo e sua bagagem são incomparáveis. Nossa idéia é mais modesta e se refere, essencialmente, aos sons criados e executados pelo nosso povo e que vêm desaguar no que conhecemos como música popular mineira e brasileira. É algo que corre no sangue de nossa gente e está presente em todas as situações de sua existência. O mineiro respira notas musicais e com elas torna mais amena sua batalha pela vida ao longo da História.

O conceito de música popular que hoje se reconhece não se confunde com o que se chama de folclore. O primeiro tem autor determinado e o segundo é de autoria coletiva ou desconhecida. Mas as duas são geradas no mesmo ventre, sua gênese se encontra na alma da população que veio aportar em nosso território. As duas vertentes, por terem a mesma origem, juntas, configuram o que pode ser percebido pelo viajante de hoje da mesma forma que o compreenderam os estrangeiros de ontem: a música, como ouro, corre nas veias de Minas Gerais.

domingo, 30 de setembro de 2012

O MÚSICO ULISSES BATISTA COMPLETA 94 ANOS E É O ENTREVISTADO DO CANTA MINAS




Nesse domingo, 30, último programa do mês de setembro, eu divulgarei entrevista feita durante a semana com o músico Ulisses Batista, que completou 94 anos na última semana. Seu Ulisses é uma referência musical da cidade e programa Canta Minas presta a sua homenagem este grande músico. 

O papo com o seu Ulisses foi muito agradável e interessante. Além disso, ele demonstrou muito bom humor e lucidez. 

Você não pode deixar de ouvir essa interessante entrevista. Você pode ouvir pela internet através do site: http://www.aranasfm.com.br/ouvir/radio.htm.

QUEM É ULISSES BATISTA

Ulisses Batista Soares nasceu em 26 de setembro de 1918, no distrito de Santa Cruz da Chapada (hoje, Chapada do Norte). Filho de Júlio Baptista da Silva e Maria Salomé de Souza, sendo o quarto de uma família de cinco irmãos: José Maria, Osvaldo, João e Ambrozina.

Aos 3 anos de idade, com o falecimento da mãe, foi morar com uma tia e madrinha (os irmãos foram separados, indo cada um morar com um parente).

Aos 8 anos, já tendo o pai junto, juntou-se a tropeiros que passavam pela região e chegou até a área rural de Minas Novas. Ficou algum tempo na Fazenda Tolda, como ajudante de vaqueiro e tomando conta de animais que moviam o engenho de moagem de cana.

Antes de completar 9 anos, novamente se juntando a tropeiros, chegou até a cidade de Capelinha, onde passou a morar com o tio paterno, Antônio Baptista da Silva, funcionário dos Correios e Telégrafos e integrante da banda de música local. Daí surgiu o interesse por instrumentos musicais. Com os ensinamentos do “Tio Totone” e sendo um pouco autodidata, aprendeu um pouco de violão e trompete (piston) – instrumento que o tio tocava na banda.

Mais tarde, já tocando piston com bastante habilidade e após concluir o Curso Primário (1934), também passou a ser integrante da banda musical. Aí veio a habilidade com o inseparável bandolim, paixão que sempre o acompanhava pela vida afora. Após o nascimento do primeiro filho, encontrou-se com a irmã Ambrozina e mais tarde com os irmãos Zezé e Osvaldo. Estes se mostraram também hábeis com instrumentos musicais.

Em 1944, passou a trabalhar nos Correios, na função de Guarda-Fios. Em 1946, com 28 anos de idade, casou-se com Luzia Gomes dos Santos, com quem teve 10 filhos: Luiz Gonzaga (Zaguinha), Carlos Roberto (Carlinhos), Geraldo Antônio (Geraldinho), Luiza de Marilac (Marilac), Wilson Leopoldino (Quito), Leonardo José (Leo), Eloíza Maria (Luizinha), Nilvia Regina (Nilvia), Maria Salomé (Salome) e Élio Everaldo (Everaldo). Também viveram na sua casa, como membros da família, outras pessoas, entre as quais, Sebastião (o Tuquinha) e Simone. Os filhos lhe deram noras, genro, netos e bisnetos. Educou os filhos com responsabilidade, honestidade e, sobretudo, respeito mútuo.

Em 1981, recebeu da Prefeitura Municipal de Capelinha, o título de Cidadão Honorário. Aposentou-se em 1977.

Participou do grupo de seresta Helma Pimenta, folias do Divino e sempre se reunia com os amigos violeiros para tardes descontraídas de músicas, aos domingos.

Em casa, a família sempre teve a música presente no dia-a-dia. Quando faltava luz na cidade, era certo: todos saíam para a porta da rua para tocar e cantar, juntamente com os vizinhos que ouviam e vinham participar.

As festinhas em casa são sempre regadas a muita música. “Seu Ulisses”, como todos dizem, ensinou aos filhos a tocar algum instrumento e cada um foi seguindo sua preferência. Seja na voz, no violão, sax, flauta, bandolim, ou teclado, cada um faz a sua participação nas noites de alegria.

Texto e Foto: Família Batista

terça-feira, 30 de agosto de 2011

LIVRO HISTÓRICO SOBRE VANDRÉ



Livro analisa como a imprensa ajudou a formar o imaginário em torno do paraibano Geraldo Vandré

Obra da historiadora Dalva Silveira disseca o polêmico cantor de protesto que abandonou os palcos
Por Ana Clara Brant - EM Cultura

No 3º FIC, Geraldo Vandré interpreta Pra não dizer que não falei das flores,
a canção de protesto mais importante da MPB

Era 1968, o cantor e compositor Geraldo Vandré disputava o 3º Festival Internacional da Canção (FIC) com a música Pra não dizer que não falei das flores. Conhecida como Caminhando, ela acabou em segundo lugar e perdeu para Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim). O público vaiou, exigindo que o prêmio fosse dado a Vandré. Dois anos antes, esse artista paraibano já participava do 2º Festival da Record com Disparada, vencedora ao lado de A banda, clássico de Chico. No entanto, a vida do autor de Caminhando, hoje com 75 anos, desviou-se da carreira musical. É isso que a historiadora, escritora e professora mineira Dalva Silveira relata no livro Geraldo Vandré – A vida não se resume em festivais, que será lançado hoje em BH.
Depois de analisar 68 matérias de revistas e jornais publicadas entre 1966 e 2009, Dalva se propôs a descobrir até que ponto a imprensa brasileira contribuiu para a construção do enigma em torno do compositor. “Desde criança, tinha fascínio por ele, por suas músicas. Colecionava discos e matérias sobre Vandré. Sempre ouvi falar em tantas histórias, coisas meio mal explicadas, que ele teria sido torturado, sofrido lavagem cerebral. Por isso decide pesquisar”, revela a autora.


A reportagem que abre o livro é entrevista de Vandré, intitulada “Não tenho presidente”, publicada no Estado de Minas e no Correio Braziliense em 13 de dezembro de 2008, lembrando os 40 anos do Ato Institucional nº 5 (AI-5). O artista é descrito pelo repórter Leandro Colon como “um homem solitário, longe dos palcos, que parece paranoico”. Outras matérias também surpreenderam Dalva: o jornal alternativo Ex- traz entrevista reveladora do compositor. Várias publicações abordam o retorno dele ao Brasil depois de longo exílio. “É um acontecimento meio enigmático. Em 18 de julho de 1973, encontrei pequena nota no Jornal do Brasil informando que ele estava de volta, mas sem dar muito destaque. Semanas depois, o paulista Jornal da Tarde sai com esta manchete: ‘Vandré volta ao Brasil cheio de novidades’. Mas ele já estava aqui há um mês”, observa.


Fatos Para Dalva Silveira, a imprensa contribuiu para a criação do imaginário sobre a trajetória do autor de Pra não dizer que não falei das flores. Entretanto, aos fatos transformaram Geraldo Vandré em mito. “A imprensa teve a sua responsabilidade sim, mas não foi o fator principal. Quando ele estava no auge, a carreira foi interrompida porque veio o AI-5. Ele teve que se exilar e, quando voltou, não retomou a carreira como antes. Acabou se criando uma série de enigmas em torno de sua figura”, acredita a historiadora.


Dalva diz ter descoberto muita coisa sobre seu ídolo de juventude e, consequentemente, sobre a história e a cultura do Brasil. “Ainda mais sobre o período da ditadura militar, que me fascina muito. Acabei desvendando muitos aspectos da vida do Vandré. Quem sabe, um dia até lhe entregue o exemplar do livro lá em São Paulo, onde ele mora? Seria bem interessante”, conclui.
Sucesso e ostracismo
Geraldo Pedroso de Araújo Dias Vandregísilio (foto) nasceu em 1935, em João Pessoa, na Paraíba. Adotou o nome artístico de Geraldo Vandré em homenagem ao pai, José Vandregísilio. Começou a carreira na década de 1960 e ficou famoso por canções protesto como Disparada, Porta-estandarte e Pra não dizer que não falei das flores, que se tornou hino contra a ditadura militar. Foi obrigado a deixar o país em 1969. Quando voltou, parecia demonstrar novas opiniões em relação à política. Deixou de criticar os militares e fez a música Fabiana em homenagem à Força Aérea Brasileira (FAB). Abandonou os palcos e se transformou no enigma da MPB. Vandré completa 76 anos no mês que vem.
Enquanto isso...... na Paraíba
“Uma novela mexicana sem fim”. Assim o jornalista e poeta paraibano Ricardo Anísio define o processo de escrever sobre Geraldo Vandré. Há vários anos tentando concluir o projeto, Anísio pretende publicar um livro sobre o compositor, mas não o considera biografia. “A instabilidade psicoemocional do meu amigo fez com que ele me concedesse entrevista, que, depois de publicada, ele desmentiu. Por sorte, esse encontro foi acompanhado por testemunhas, como o compositor Vital Farias e o poeta Jessier Quirino. Tenho muito material. Certamente, o livro cumprirá seu intento: contar a história e os mitos sobre Geraldo Vandré”, revela. 

Lançamento:
Geraldo Vandré – A vida não se resume em festivais
Autora: Dalva Silveira
Fino Traço Editora
Onde Comprar: Quixote Livraria (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi - BH)