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Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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domingo, 6 de agosto de 2017

PAULINHO PEDRA AZUL SE APRESENTA EM CAPELINHA

Paulinho Pedra Azul
Foto: Ludimila Loureiro 
Agora é para valer! Numa parceria entre a Casa da Cultura de Capelinha e o Programa Canta Minas, da rádio Aranãs FM, vem aí o show com Paulinho Pedra Azul 35 anos de carreira.

O evento acontecerá no dia 16 de Setembro, sábado,  no Galpão Cultural Maria Odete Sampaio, na cidade de Capelinha.

Esta é mais uma parceria entre o programa Canta Minas e a Casa da Cultura de Capelinha que  promete muito mais daqui para frente.

Maiores informações a respeito deste show serão divulgadas neste blog e nas redes e mídias sociais Aguarde.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

PEDRO MORAIS, VOZ E VIOLÃO, DE VOLTA A CAPELINHA

Show inaugura parceria entre Tadeu Oliveira e Rodrigo Pires na produção de shows e eventos alternativos para os amantes da MPB e artistas ecléticos e à margem dos circuitos midiáticos

O cantor e compositor mineiro Pedro Morais faz show nesta quinta-feira (26), às 21 horas, no Garden Pub em Capelinha. O show sela a parceria entre o apresentador do Programa Canta Minas Tadeu Oliveira e Rodrigo Pires da R. Pyrez Publicidade e Promoções. A parceria visa ocupar uma cena que anda carente na cidade, que são os shows alternativos para o público que curte MPB e outros gêneros musicais que andam à margem dos circuitos midiáticos.

Pedro Morais já tem uma longa relação e afinidade com o Programa Canta Minas. Foi o primeiro artista a se apresentar ao vivo no programa e abrilhantou a festa de 4 anos do Canta Minas sob a direção de Tadeu Oliveira. Além disso, já se apresentou no Galpão Cultural e na praça do Povo. A sua última apresentação se deu junto ao Cobra Coral em 2012 na Florae, em evento realizado pela CREDICAP.

O primeiro show será com Pedro Morais, dono de uma voz privilegiada, de timbre incomum e uma das grandes revelações da música brasileira na atualidade. Músico desde os sete anos e ganhador de diversos festivais, o artista já emplacou três CDs: Pedro Morais, Sob o Sol e Vertigem.

Pedro também integra o Quarteto Cobra Coral junto com Kadu Viana, Flávio Henrique e Mariana Nunes. Ele se destaca na cena da MPB de Minas Gerais com um repertório próprio composto de canções densas e cativantes, resultando em inúmeras apresentações anuais por todo o Estado, pelo Brasil e por países da América Latina.

Pedro Morais já se apresentou com grandes nomes da música brasileira como Lenine, Paulinho Moska e Milton Nascimento. Nesse show intimista, Morais trará no repertório suas canções de maior sucesso e releituras de canções que marcaram grandes momentos na voz de Cássia Ellen, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Roberto Carlos. Além disso, garante que o repertório será modificado de acordo com o público presente que, inclusive, poderá fazer alguns pedidos musicais.

O evento conta com a apresentação da Auto Escola São Cristóvão, Backup, Café Aranãs e Luana Lima Arquitetura e Interiores, patrocínio da Padaria São Geraldo, Verdura & Cia. E Hotel Aranãs e o apoio da Rádio Aranãs FM e Casa da Cultura de Capelinha.

Serviço:
Pedro Morais, voz e violão
Data: 26 de janeiro às 21h
Local: Garden Pub - Capelinha MG
Realização: Programa Canta Minas & R.Pyrez Publicidade e Promoções

quinta-feira, 18 de junho de 2015

FERNANDO BRANT, O MENINO SENTINELA DAS ESQUINAS

by Rafael Senra (*) 
“Morte vela sentinela sou / do corpo desse meu irmão que já se vai / Revejo nessa hora tudo que ocorreu / memória não morrerá”.


Diante da perda de Fernando Brant, autor de algumas das mais emblemáticas canções do Clube da Esquina, me vem à mente uma de suas mais belas letras, “Sentinela”, e que uso aqui como metáfora para pensar a relevância e a perenidade do que ele e sua obra significam para a música popular brasileira.
“Sentinela” foi talvez a primeira letra em todo o lastro de canções do Clube a assumir um viés memorialista. De acordo com Brant:
“Sentinela” foi uma viagem imaginária, onde aproveitei uma referência pessoal para falar também da realidade política brasileira daquele momento, final dos anos 1960. A letra é um pouco anterior ao AI-5. Em princípio, eu tinha falado com o Bituca que iria fazer uma homenagem ao Seu Francisco, que servia café lá no Juizado de Menores, onde eu trabalhava. Para mim o Seu Francisco era um tipo de pessoa que significava um monte de coisas, um sábio. Era um cara do povo que estava vivo e forte, mas imaginei a história dele mais para frente, o dia de sua morte, o velório, e o que aquilo representava para mim. (…) Mas por isso mesmo, por ele ser esse irmão querido, eu tinha que continuar, ser fiel à memória dele (BRANT. Apud: VILARA, 2006, p.67).

Ainda no início do Clube da Esquina, um jovem Fernando Brant já se atentou para o fato de que a memória não é apenas algo estanque, cristalizada em livros de história e bustos de generais. Um dos mais fecundos legados da memória da humanidade está na oralidade, nas histórias passadas de geração por geração oralmente. Tanto é que mesmo culturas que não se amparam tanto na escrita quanto outras culturas ditas “civilizadas” tem também seu lastro de memória.

Um narrador de esquinas

Dentro do Clube da Esquina, acredito que as letras de Brant foram as que mais se propuseram ao dever de erigir mitos e documentos de seu universo (Minas Gerais). Ele acabou por encarnar o mesmo arquétipo de “narrador” que enxergara em Seu Francisco, personagem principal de “Sentinela”. Através do suporte da letra de canção popular, Brant se propôs a legar para as futuras gerações uma série de dados culturais de Minas Gerais que não poderiam se perder no tempo.

Essa figura do narrador foi muito bem descrita por Walter Benjamin, em seu ensaio Experiência e Pobreza:
“Sabia-se exatamente o significado da experiência: ela sempre fora comunicada aos jovens. De forma concisa, com a autoridade da velhice, em provérbios; de forma prolixa, com a sua loquacidade, em histórias; muitas vezes com narrativas de países longínquos, diante da lareira, contadas a pais e netos. Que foi feito de tudo isso? Quem encontra ainda pessoas que saibam contar histórias como elas devem ser contadas? Que moribundos dizem hoje palavras tão duráveis que possam ser transmitidas como um anel, de geração em geração? Quem é ajudado, hoje, por um provérbio oportuno? Quem tentará, sequer, lidar com a juventude invocando sua experiência?” (BENJAMIN, 1993, p.114).

Documentos poéticos
Fernando Brant
Em 2008, quando entrei no mestrado em letras disposto a pesquisar as canções do Clube da Esquina, encontrei nas letras de Brant toda a profundidade que eu precisava. Como o mestrado da UFSJ se pautava pelo campo teórico conhecido como Estudos Culturais – que tratam de temas relacionados a memória, identidade, colonialismo, multiculturalismo, gêneros, etc. – , pude assim encontrar um viés bem adequado com a metodologia que iria aplicar.

Se fizermos um recorte das letras escritas por Fernando Brant, diversas delas apresentam um aspecto de narrativa, e, mesmo quando tratam de utopia, sempre partem do real (passado ou presente). Essa veia de “documentarista-poético” dos contextos vividos ou ouvidos guarda uma relação com o papel de um diretor de cinema, como nos relata o próprio Brant:
“Lembro-me que toda vez que saía de casa para ir a Biblioteca Pública, na praça da Liberdade, eu descia a Aimorés e subia a Brasil fazendo filmes, enquadrando tudo o que via. Meus olhos eram uma câmera. Na verdade, eu não tinha olhos, carregava o tempo todo uma câmera no rosto (BRANT, Fernando. In: VILARA, Paulo. Op.cit. pág.37).

Guardião da memória
O Clube da Esquina em Diamantina.
Da esq para a dir.: Lo Borges, Fernando Brant,
Juscelino Kubitschek, Márcio Borges
e Milton Nascimento.
O caminho estético que marcou Fernando Brant no Clube da Esquina teve similares na literatura. De acordo com Wander Melo Miranda, diversos escritores de Minas Gerais – como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes ou Pedro Nava – produziram textos memorialistas no período da ditadura militar. Sua intenção era a de evidenciar alguns traços valiosos da cultura que ameaçavam ser extintos através do projeto modernizador dos militares.

Diversas letras de Brant funcionam como rochas líricas que guardam estes monumentos perdidos da identidade mineira. Em Beco do Mota, ele fala de uma rua boêmia de Diamantina, e utiliza o fim dessa zona como metáfora para a repressão da ditadura.

Em Aqui Óh, ele fala dos nostálgicos “namorinhos de portão”, ao mesmo tempo em que discute também o caráter desconfiado e esquivo dos mineiros.

Em Nos Bailes da Vida, podemos sentir toda a emoção e a sinestesia da sofrida vida dos músicos que cumprem sua vocação, mesmo em condições pouco glamorosas.

Em Ponta de Areia, ele transforma em letra de canção uma matéria que fez quando era repórter da revista O Cruzeiro, sobre uma linha de trem que ligava os estados de Minas Gerais e Bahia. Em todo o circuito percorrido pelo trem, ele elenca diversos traços culturais que ameaçavam se perder em meio ao propósito militar (a começar pelo próprio transporte ferroviário).

Em Maria Maria, ele nos mostra a doída beleza da mulher humilde, da face feminina de um Brasil trabalhador, maternal, forjado na simplicidade.

Um sentinela no interior do Clube
É importante aqui pensar no que significa as letras de Fernando Brant dentro do Clube da Esquina. Se pegarmos o movimento como um todo, é possível notar um enfoque mais introspectivo da lírica geral. Há sempre um eu-lírico em primeira pessoa, que observa não só os fenômenos a seu redor, mas também narra seus próprios devaneios e utopias. As letras de Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Murilo Antunes e outros se beneficiam bastante desse tipo de perspectiva. São fluidas, subjetivas, misteriosas.

O estilo de Brant guarda algumas diferenças com seus parceiros. É essa diversidade de panoramas (apesar de um ângulo lírico comum) que sedimentou a assinatura e a glória do Clube da Esquina. Porém, enquanto os outros letristas caminhavam de olho em nuvens ciganas, nascentes, ou mesmo girassóis da cor de cabelos, Brant mantinha o foco no chão.
Arriscando aqui um exercício metafórico, se eu fosse compor a paisagem lírica do Clube da Esquina, pensaria em Ronaldo Bastos como o vento, Márcio Borges como a água, e Fernando Brant como a pedra (não a toa, seu nome completo é Fernando Rocha Brant). É este último o mais atento na dimensão palpável e concreta do seu entorno.


Pedra mineira
Remetendo a Drummond, a letra de “Itamarandiba” (do disco de Milton Nascimento Sentinela (1980), diz: “No meio do meu caminho / sempre haverá uma pedra / Plantarei a minha casa / numa cidade de pedra”.

Ao buscar guardar a memória de Minas Gerais através das letras, Brant empreendeu um mergulho raical na própria essência desse alicerce cultural. Nesse movimento, creio que ele acabou se deparando com o universo da infância, com os valores primordiais da criança, sempre abertas para a amizade e o amor.

O próprio ethos do Clube da Esquina, já a partir do nome do movimento, trata exatamente desse encontro descompromissado da juventude, dessa amizade que não pede nada em troca, que apenas celebra a vida de maneira pura e jovial.

Se Fernando Brant era um alquimista da pedra filosofal da mineiridade, ele encontraria nos vestígios moleculares dessa rocha algumas verdades fundamentais. Ali, ele pôde ler que um amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves. Ou que o medo de amar é o medo de ser livre.

O Brant que conheci
Pude perceber, no breve contato pessoal que tive com Fernando Brant, que seu compromisso com a amizade era não só um pressuposto de estilo de escrita, mas também uma ética de vida.

Entrei em contato com ele em meados de 2010, depois de saber que ele se interessou em ler minha dissertação de mestrado. Ao enviar meu trabalho, perguntei se ele teria disponibilidade e interesse em redigir um prefácio para um futuro livro que eu cogitava publicar.

Ele não só escreveu um texto fantástico para o livro, como compareceu pessoalmente ao lançamento, que aconteceria em 2013. Foi uma surpresa vê-lo entrar na Livraria Quixote, em BH, com seu jeito discreto e simples.

No alto de tudo que aquele homem representa para a cultura brasileira, fiquei muito honrado e admirado de perceber que ele se encontrava aberto para comungar seu saber com um jovem pesquisador que lançava seu primeiro livro. A coerência entre a vida e a obra de Brant é um valioso ensinamento que levo comigo.
Eu e minha família transbordando de alegria ao encontrar Fernando Brant. 2013.
O menino
Em 2004, falecia o escritor mineiro Fernando Sabino, que deixara instruções para o epitáfio escrito em sua lápide: “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino”. Dentre as coincidências que ligam os Fernandos Sabino e Brant (ambos mineiros, artistas, e morreram de câncer de fígado), há também o olhar especial para a infância em suas obras.

Porém, diferente de Sabino, que alega ter rejuvenescido ao longo de toda a vida (para então constatar sua “meninice” apenas nos anos derradeiros), acho que Fernando Brant nunca deixou de preservar seu feitio de criança, no melhor sentido do termo.

Desde a primeira vez em que bati o olho numa foto do compositor do Clube da Esquina, pensei comigo que ele tinha cara de menino. Diversas letras suas tratam do universo infantil: Bola de Meia, Bola de Gude é, talvez, a mais famosa delas.

Em entrevista ao jornalista Paulo Vilara, Brant dissertou sobre a importância de se observar com os olhos da criança que foi. Para ele, o adulto deveria honrar a criança que foi um dia.
Nesse momento de tristeza, quando nos deparamos com a “travessia” final desse ser humano cuja obra é tão importante para tanta gente, acredito que seu objetivo se cumpriu de maneira exemplar. Os que ficam são capazes de enxergar na figura de Fernando Brant a criança, e também o sentinela. Diante desse nosso irmão que que já se vai, revemos nessa hora tudo que ocorreu, com a certeza de que a memória não morrerá.

Referências
BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1993.
VILARA, Paulo. Palavras Musicais – Letras, processo de criação, visão de mundo de 4 compositores brasileiros: Fernando Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes, Chico Amaral. Belo Horizonte: S.ed., 2006.

(*) Rafael Senra é natural de Congonhas (MG) e atualmente em São João Del Rei (MG). Graduado em Letras e mestre em Letras pela UFSJ (Universidade Federal de São João del Rei); doutorando em Letras pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Atualmente, além da tese, desenvolve artigos e ministra cursos e palestras. Também se dedica à literatura (contos, romances, poemas), ilustrações e quadrinhos, composições musicais e gravações.

Fonte: http://rafaelsenra.com/fernando-brant-o-menino-sentinela-das-esquinas/

sexta-feira, 12 de junho de 2015

TRIBUTO A MILTON NASCIMENTO

por Marcelo Costa, editor do site Scream & Yell

 

Carioca de certidão, mineiro de coração, Milton Nascimento integra o primeiro escalão dos nomes mais importantes da história da música brasileira. Seu disco de estreia, “Travessia”, foi lançado em 1967, um período de mudanças intensas (sociais, culturais e politicas). De cabeça aberta para o mundo, Milton experimentava. Se o primeiro disco trazia a bossa nova do Tamba Trio e no segundo, “Courage” (1968), os arranjos eram de Eumir Deodato e havia participação de Herbie Hancock, o quarto, “Milton” (1970), tinha acompanhamento do progressivo Som Imaginário (Wagner Tiso, Tavito, Zé Rodrix). O quinto disco foi lançado em 1972, dividido com Lô Borges, e recebeu o nome de “Clube da Esquina”.

“Era um coletivo, uma organização com cara da época. Eu vejo muito Beatles, rock progressivo, Crosby, Stills, Nash & Young naquele som. Mas é muito brasileiro e mineiro também”, resume Samuel Rosa, convidado a escrever sobre o Clube da Esquina para um especial sobre a história do rock brasileiro pela Superinteressante anos atrás. “Era uma molecada muito nova, sintonizada com o mundo. Vejo assuntos muito urbanos, como a solidão do garoto de rua, a repressão policial, a alienação das drogas. Era transgressor na atitude, mas era musicalmente radical também. Não era um tipo de música fácil. As guitarras tinham arestas, as harmonias eram difíceis. Era violão, mas era rock’n’roll”, ele resume.

Milton Nascimento seguiu produzindo clássicos nas décadas seguintes, e muitas dessas canções estão presentes no tributo duplo “Mil Tom”, que o Scream & Yell finalmente libera para audição online e download gratuito. Com produção assinada por Pedro Ferreira, “Mil Tom” traz artistas da nova geração da música brasileira recriando canções de vários períodos do repertório do Bituca. Dividido em duas partes, “Mil Tom” tem seu primeiro volume liberado no dia 10/06 e o segundo agendado para lançamento no dia 17/06. Há mais de cinco décadas, Milton encanta a todos com uma obra repleta de poesia e riqueza melódica, e “Mil Tom” é nossa forma de retribuir acompanhados do grande trabalho de artistas de 11 estados brasileiros.

Das 30 canções que compõe este tributo, nove são do “Clube da Esquina” (1972) e seis do “Clube da Esquina 2” (1978). “Minas”, de 1975, aparece com quatro canções. Do disco de estreia de 1967 saíram duas canções, assim como de “Caçador de Mim”, álbum de 1981. A canção mais recente é “Sereia”, parceria de Milton com Caetano, presente na trilha do filme “O Coronel e o Lobisomem”, de 2005. Há ainda faixas dos álbuns “Courage” (1968), “Milton” (1970) “Encontros e Despedidas” (1985), “A Barca dos Amantes” (1986), “Milton Nascimento” (1997) além de “Caxangá”, registrada no “Ao Vivo” de 1983, mas gravada por Elis Regina no álbum “Elis”, de 1977. Ouça o “Volume 1” abaixo ou baixe em MP3. Semana que vem tem mais!

Fonte: http://screamyell.com.br/site/2015/06/10/download-tributo-a-milton-nascimento/

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FAÇA O DOWNLOAD GRATUITO DE “MIL TOM - VOL 1” AQUI

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FAÇA O DOWNLOAD GRATUITO DE “MIL TOM - VOL 2” AQUI

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MÚSICA NAS ESQUINAS E NAS PRAÇAS


Há exatamente dez anos, o poeta e cronista Fernando Brant escrevia esta crônica citando a participação do Coral Vozes das Veredas no 2º Festival de Corais de Belo Horizonte/2004. Esta crônica, que reproduzo abaixo, com certeza contribuiu imensamente para dar visibilidade ao trabalho junto à Adecave e abriu novas possibilidades para o coral de Veredinha. Confira:

MÚSICA NAS ESQUINAS E NAS PRAÇAS(*)
Por Fernando Brant

"As vozes de Três Corações, Itabirito, Uberaba, Veredinha, Belo Horizonte e do grupo Equale, do Rio de Janeiro, soaram em várias praças de nossa cidade"

A cidade foi invadida por vozes de meninos e meninas, de moças e rapazes, homens e mulheres. É só questão de idade e sexo, pois eu poderia dizer, e estaria certo, que Belo Horizonte foi possuída pelo canto de brasileiros vindos do interior, de fora de Minas e da capital. Pelo segundo ano seguido, os corais tomaram conta de nossas praças e espalharam harmonia, melodia e poesia por nosso novembro. Não sei se os meios de comunicação se interessaram, como deveriam, pelo acontecimento, mas quem soube, e apareceu para ver e ouvir, teve a oportunidade de se emocionar com a diversidade e beleza do canto coletivo.

O canto que bateu aqui veio de lugares distantes; de Veredinha, por exemplo. Mais de 30 crianças, a maioria meninas, colocaram em estado de graça o público que assistiu ao som e aos gestos de sua apresentação. Não sei se vocês sabem de Veredinha. É uma pequena cidade fincada no meio do Vale do Jequitinhonha, que tem Diamantina como porta de entrada e desfila povoações com nomes singelos como Capelinha, Minas Novas, Turmalina e Carbonita. Pois foi de lá, do fundo mais fundo do vale, pobre materialmente e rico em cultura, que o maestro Tadeu Oliveira trouxe o sublime cantar de suas meninas e meninos. Ouvir Itamarandiba, minha e do Milton Nascimento, cantada e interpretada por pequenos anjos negros, foi de arrepiar.


São coisas de responsabilidade do maestro Lindomar Gomes, um singelo encantador de notas musicais e de pessoas, que leva a vida sonhando e realizando sonhos. As idéias, sempre boas, surgem em sua cabeça, ele se entusiasma e logo sai à luta para torná-las fatos concretos. Não é de hoje que ele espalha música popular brasileira pelas igrejas de Minas. Diante do altar da religiosidade, as pessoas simples do povo ouvem com devoção as canções dos criadores populares de sua terra. O lugar de orar vira o lugar de cantar e essa é uma reza que sabemos fazer muito bem.


Tem asas o nosso maestro. O engraçado é que sua calma e sua voz mansa não parecem combinar com o empreendedor que ele é. É que nos acostumamos a encontrar, no mundo amalucado em que vivemos, a competência empresarial ser associada a pessoas que berram, atropelam os semelhantes e desrespeitam todas as normas mínimas de educação. Lindomar é da delicadeza e da eficiência. Rege sua turma com a fineza do maestro que é. Sua equipe de produção funciona como um naipe de vozes afinadas. Por ser tranqüilo e por liderar com sabedoria, os moços e moças que trabalham ao seu redor estão sempre alegres, dispostos e, por isso, belos.

As vozes de Três Corações, Itabirito, Uberaba, Veredinha, Belo Horizonte e do grupo Equale, do Rio de Janeiro, soaram em várias praças de nossa cidade, no último fim de semana. A beleza vale a pena. Ano que vem tem mais.

(*) Fonte: Esta crônica foi originalmente publicada no caderno EM Cultura do Jornal Estado de Minas do dia 01/12/2004. 
Também o integra o livro "Casa Aberta", que reúne diversas crônicas de Fernando Brant, publicado pela Editora Edubolsinho, Sabará-MG, 2012.

Leia também: 

O CANTO QUE VEIO DO FUNDO MAIS FUNDO DO VALE

ARTIGO: MÚSICA E MINEIRIDADE (1ª PARTE)


ARTIGO: MÚSICA E MINEIRIDADE (2ª PARTE)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

MÚSICOS DE CAPELINHA ACOMPANHAM O CORAL VOZES DAS VEREDAS


Capelinha marcará presença no show AS ONHAS DO JEQUI 30 ANOS, oferecendo os seus excelentes músicos para acompanhar o Coral Vozes das Veredas. Estarão conosco no palco Carlos Geovane, Jonh Luiz e César Loredo.

Carlos Geovane, conhecido como Dudu, é integrante da Banda Números onde comanda as guitarras. O Jonh Luiz, conhecido por Jony, é um dos líderes e fundadores da Banca de rock Seu Aurélio. Dudu e Jony comandam os violões. César Loredo se encarrega da percussão e acompanha o Coral desde os primeiros shows.

Ainda faz parte desse time o veredinhense Vitor Oliveira no contra-baixo. Vitor é músico da Corporação Musical Manoel Alecrim, a banda de música de Veredinha, e toca violão para os corais que abrilhantam as missas da paróquia daquela cidade.

Dudu

Jonh

Vitor


César Loredo

SHOW ONHAS DO JEQUI MARCA A ESTREIA DA PARCERIA TADEU & ALÉXIS COMO COMPOSITORES

Aléxis e Tadeu, em 2000
Quando fomos convidados para participar do show AS ONHAS DO JEQUI 30 ANOS, a produção nos informou que cantaremos uma música de cada compositor do Vale. Na ocasião do convite, ainda não estava decidida a participação de Tadeu Franco. Assim, o Coral Vozes das Veredas não terá em seu repertório canção desse artista.

O nosso repertório compõe-se das seguintes canções:

1 – Cantiga pra Lira (Rubinho do Vale)
2 – Vale Encantado (Gonzaga Medeiros)
3 – Tropeiro de Cantigas (Paulinho Pedra Azul)
4 – Gira a o Coco (Saulo Laranjeira / Tuca Graça)
5 – Beira Mar Novo (Domínio Público, adap. Frei Chico e Lira Marques)
6 – A Viola e o Rio (Tadeu Oliveira / Aléxis Eleutério)

A música A Viola e o Rio é uma música inédita e foi composta por mim e pelo meu parceiro Aléxis Eleutério. Os arranjos vocais foram feitos por mim. Confira abaixo a letra da música:

A VIOLA E O RIO

Tadeu Oliveira  / Aléxis Eleutério
Eu ouvi o meu amor cantando
Na beira das águas do rio
Eu senti o meu amor chamando
Das barrancas desse rio

As águas da correnteza
Descem tangendo tão sonoras
Como cordas de viola
Nos dedos das pedras do rio
Somente quem é violeiro
Consegue ouvir o canto das águas
E entender as minhas mágoas

Eu ponteio a minha viola
Revelando assim meus caprichos
O vento traz uma voz que consola
Ao conversar na língua dos bichos

Cai a noite, os peixes sobre as águas
Saltam pra beijar a lua
E um rastro de luz que brilha e rasga o céu
Iluminando casas, clareando ruas
Lá no cais do porto
Onde o meu amor vem me esperar
Adormece e sonha:  Jequitinhonha


Aléxis Eleutério
Eu e Aléxis começamos a compor em 2000 e da nossa primeira parceria frutificou “Lua Ocidental”. Depois vieram outras como: Boi Mineiro, Cupido, Canção para Cláudia, Terreiro e outras mais. Aléxis Eleutério é natural de São Pedro dos Ferros e morou em Capelinha até 2003. A sua experiência musical se resume na participação em diversos festivais da canção na década de 1980 na Zona da Mata, tendo sido premiado em festivais.

ONTEM E HOJE: UM SHOW EMBLEMÁTICO NA MINHA VIDA


Em 1982, saí de Corinto tomando o rumo de Belo Horizonte. Como todo jovem do interior daquela época, levei na bagagem muitos sonhos: estudar, progredir na minha carreira na MinasCaixa e quem sabe conseguir um emprego melhor através de concursos.

Logo quando cheguei, fui lotado numa agência recém-inaugurada que se localizava na avenida Getúlio Vargas esquina com a rua Rio Grande do Norte, no bairro Funcionários, bem pertinho da Savassi. Por ser uma agência recém-inaugurada, a Getúlio Vagas acolheu todos os funcionários do interior que haviam pedido transferência para a capital. Havia também alguns pouquíssimos funcionários de Bh. Até os vigilantes eram do interior.

E por haver pessoas de todas as regiões mineiras, logo a diversidade cultural se fez latente. Na agência Getúlio Vargas estava explícita as muitas Minas em uma só, como escreveu Guimarães Rosa. Sotaques e gostos musicais diferentes, preferências culinárias variadas e muita coisa em comum: futebol, causos sempre tomando uma gelada nos fins de tarde.

Tão logo cheguei, fui enturmando com o pessoal que tinha vindo dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. E com eles fui conhecendo e tomando gosto pela cultura e, principalmente, pela música do Vale do Jequitinhonha.

E foi com esta turma que tomei o caminho do Palácio das Artes, em 1984, para assistir ao show “AS ONHAS DO JEQUI” no dia 26 ou 27 de março. Naquele dia, fui arrebatado pela força e energia emanadas do mais profundo do Vale do Jequitinhonha.  Ao sair do teatro tinha a convicção de havia encontrado os meus pares e que um dia haveria de morar nesse lugar.

Passado algum tempo, após viver os desígnios comuns a qualquer pessoa que sonha ser feliz, eis que a vida resolveu me tanger para o Vale do Jequitinhonha. E não demorou para que logo eu me visse entranhado junto ao povo desse lugar colecionando amizades, realizando sonhos e dividindo esperanças.

Trinta anos passados, eis que sou convidado a participar junto com o Coral Vozes das Veredas do show “As Onhas do Jequi”, a se realizar no dia 12 de abril/2014, no Minascentro, em BH. O show contará com a participação de Saulo Laranjeira, Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, Gonzaga Medeiros, Frei Chico e Lira Marques.

Participar desse show, além de emblemático será também uma honra. Afinal, poder dividir o palco com esses artistas, principalmente com Rubinho Do Vale e Gonzaga Medeiros, pessoas que estreitei laços e construí amizades, é um regozijo. Porque mudar da condição de espectador, fã e admirador para a condição de coadjuvante só pode ser mesmo um presente de Deus.


terça-feira, 25 de março de 2014

CORAL DE VEREDINHA É CONVIDADO ESPECIAL DO SHOW "AS ONHAS DO JEQUI"



No dia 23 de fevereiro, quando se realizou o Seminário "Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural" na cidade de Araçuaí, o diretor executivo do ValeMais - Instituto Sociocultural do Jequitinhonha, Guilardo Veloso e o poeta e compositor Gonzaga Medeiros oficializaram convite para o Coral Vozes das Veredas participar do show "As Onhas do Jequi - 30 anos", dentro do projeto "Quando o Jequitinhonha Canta e Dança". 

Segundo Guilardo Veloso, o Coral de Veredinha foi escolhido "por ser um trabalho considerado pela crítica especializada muito importante de cultura e inclusão social, envolvendo jovens do Jequitinhonha, mas também pela dedicação, competência e seriedade da pessoa do coordenador e regente, Professor Tadeu Oliveira."

Criado em agosto de 2001 pela Associação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente de Veredinha – ADECAVE, o Coral Vozes das Veredas foi o primeiro trabalho de conto coral realizado por mim. Além do coral de Veredinha, trabalhei com o Coral Mali Martin na cidade de Itamarandiba, com o Coral Zabelê na cidade de Turmalina e com o Coral Plantar na cidade de Curvelo.

Depois de se apresentar nas cidades de Capelinha, Turmalina, Minas Novas, arbonita, Francisco Badaró, Berilo, Itamarandiba, Diamantina, Couto Magalhães de Minas, Angelândia e Araçuaí,  todas no Vale do Jequitinhonha, e nas cidades de Corinto e Itabira, em 2004 o Coral participou do 2.º Festival de Corais de Belo Horizonte, atualmente conhecido como FIC – Festival Internacional de Corais,  evento que faz parte do calendário cultural oficial do estado e que homenageou o Clube da Esquina, cantando para um público estimado em mais de 10 mil, tornando-se a grande atração do evento. A partir daí, o Coral sempre se fez presente nas edições seguintes do FIC – Festival Internacional de Corais de Belo Horizonte.

Em 2005, o Coral gravou o seu primeiro CD, intitulado “Um Canto Novo Num Cantinho do Vale” através de recursos subsidiados pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas.

Em 2006, participou do show Vozes do Vale, dentro do projeto Vale: Vozes e Visões, A Arte Universal do Jequitinhonha realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, junto com Rubinho do Vale, Pereira da Viola, Dea Trancoso, Josino Medina,  Zé Padre, Coral da Lavadeiras de Almenara e Coral Araras Grandes.

Em 2007, o coral participou do projeto Quatro Cantos – Coral na Praça, realizado pelo BDMG Cultural, se apresentando na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e em 2008, juntamente com Rubinho do Vale, cantou em solenidade do Programa de Combate à Pobreza Rural – PCPR, no Palácio da Liberdade. Antes, participou em 2006 do show Vozes do Vale, dentro do projeto Vale: Vozes e Visões, A Arte Universal do Jequitinhonha realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais.

Dentre várias publicações na imprensa, há de se destacar a crônica escrita por Fernando Brant no caderno de Cultura do Jornal Estado de Minas, datado de 1.º de dezembro de 2004 e republicada no livro Casa Aberta (Editora Dubolsinho, 2012) onde o poeta e compositor reuniu várias de suas crônicas originalmente publicadas no jornal mineiro.

A partir de 2006, o Coral inicia sua emancipação da ADECAVE e passa, no inicio de 2007, a contar com a colaboração de um grupo de pessoas de Belo Horizonte simpáticas ao trabalho ao meu trabalho. Na tentativa de buscar sobrevivência para o Coral, já considerado importante referência para a comunidade local, os pais fundam em 2008 a Associação Coral Vozes das Veredas e desde então vem buscando apoios diversos para sua manutenção.

Atualmente o Coral é formado por 23 integrantes com idade entre 12 e 23 anos, oriundos em sua maioria, de famílias carentes. O Coral Vozes das Veredas tem como premissa básica a coleta e registro de cânticos regionais do Vale subsidiados através da pesquisa junto a familiares e comunidades rurais.

Por onde o Coral Vozes das Veredas passa o público se emociona diante de sua Simplicidade e singeleza despertando a atenção de artistas como Rubinho do Vale, Fernando Brant e Tavinho Moura pelo belo trabalho desenvolvido pelo regente Tadeu Oliveira. O repertório é composto de músicas da MPB, folclóricas e regionais com uma pitada lírica, fundamentando a personalidade sonora do coral por toda a região do Vale do Jequitinhonha.

Clique nos links abaixo para ler artigo de Fernando Brant sobre a música mineira, onde cita o Coral Vozes das Veredas como uma das gratas surpresas do canto de Minas:

http://cantaminas.blogspot.com.br/2012/10/artigo-musica-e-mineiridade-1-parte.html

http://cantaminas.blogspot.com.br/2012/10/artigo-musica-e-mineiridade-2-parte.html (O autor cita o coral ao final do artigo)