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Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O CANTO QUE VEIO DO FUNDO MAIS FUNDO DO VALE

"Ao perguntar ao maestro Lindomar Gomes o que o levou a apostar num coral desconhecido a ponto de convidá-lo para um evento tão grandioso tendo como referência apenas uma singela página de internet criada por mim, respondeu: 'a simplicidade e pureza'. E ao perguntá-lo novamente se isso por si só isso já seria suficiente para emocionar as pessoas a ponto de levá-las ao choro, ele novamente me respondeu:
'o coral de Veredinha toca o coração das pessoas porque canta com o fogo do amor'”.


 O coral em sua primeira apresentação no Museu Abílio Barreto/Bh em 2004.
Foto: Arquivo Canta Minas

Por Tadeu Oliveira

“Assim, se passaram dez anos”. Mas parece que foi ontem. Outro dia mesmo, o Coral Vozes das Veredas, dava os seus primeiros passos para cantar em outras plagas. Após três anos da sua fundação, eis que surgia uma oportunidade ímpar de participar do 2º Festival de Corais de Belo Horizonte, nos dias 26, 27 e 28 de novembro 2004, que homenageava o Clube da Esquina. O convite fora feito pelo idealizador e realizador do evento, o maestro Lindomar Gomes muito bem definido pelo poeta Fernando Brant como “um singelo encantador de notas musicais e de pessoas, que leva a vida sonhando e realizando sonhos”. O convite veio a calhar e nós audaciosa e despretensiosamente aceitamos. Afinal, desde a sua criação pela Adecave – Associação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente de Veredinha – em agosto de 2001, que o Coral cantava e encantava o Médio Jequitinhonha. As cidades de Capelinha, Turmalina, Minas Novas, Berilo e Francisco Badaró já haviam se embevecido com as melodias e harmonias emanadas pelas vozes de Veredinha.

A euforia e a ansiedade tomavam conta de nós naqueles dias. Eu e Mirinha, uma das coordenadoras do projeto da Adecave, cuidávamos dos preparativos para o grande evento buscando apoio e recursos para logística, escolhendo repertório, convidando músicos para acompanhar o coral, organizando ensaios e realizando oficinas com abordagens comportamentais e relações interpessoais com a psicóloga Lílian Murta. Até que chegou o dia de tomarmos o rumo da capital mineira para lá cantarmos pela primeira vez. Se para mim que apesar de já ter morado em Belo Horizonte nos anos de 1980 sentia-me como estivesse entrando num território desconhecido, imagine o que aquilo tudo poderia representar para aquelas crianças com idade entre sete e dez anos que mal conheciam os arredores de Veredinha!

A nossa primeira participação aconteceu na noite do dia 26 de novembro de 2004, sexta-feira, no museu Abílio Barreto após percorrermos por um dia inteiro os quase 500 km que separa Veredinha de Bh. Assim que chegamos com aquele bando de crianças com roupas em algodão cru, Mirinha e eu nos entreolhamos e sussurrei entredentes: – “Meu Deus do céu! O que viemos fazer aqui?” – acompanhado de um enorme frio na barriga e um aperto no coração. Mirinha corroborou meus sentimentos acrescentando que devíamos nos manter serenos para não transparecer qualquer insegurança. Não saberia precisar quanto tempo passou desde nossa chegada até a hora de nos apresentar. Foram momentos tensos e aflitivos. O ambiente tornara-se contraditoriamente inóspito apesar da beleza do Museu Abílio Barreto com seu casarão colonial e da recepção carinhosa e calorosa do maestro Lindomar Gomes e sua equipe. Nosso figurino, confeccionado em tecido próprios para sacos e com detalhes em chita colorida e totalmente diferente dos padrões adotados pelos corais que se via por ali, nos expunha ainda mais aos olhares curiosos. Outro fator altamente inibidor era o público presente, bem diferente daquele os quais já havíamos apresentado.

Logo que subimos ao palco, como um coro de anjos mestiços, o sublime cantar das meninas de Veredinha enfeitiçou os presentes.  Iniciamos com dois cânones que sempre abrem nossas apresentações: “Oração Indígena” e “Saudação Africana”. Como fumaça, os receios se dissiparam e logo seguida a gente cantou “Cantiga pra Lira” de Rubinho do Vale. Faltava ainda cantar uma música do Clube da Esquina e quando o coral cantou “Itamarandiba” de Milton Nascimento e Fernando Brant, a plateia já nos ovacionava. Plateia esta que contava com a presença do poeta e compositor Fernando Brant que naquela semana, mais precisamente no dia primeiro de dezembro de 2004, escreveria muitos elogios ao Coral de Veredinha na sua crônica semanal no jornal Estado de Minas, intitulada “Música nas esquinas e nas praças”, que mais tarde integraria o livro “Casa Aberta” pela editora Dubolsinho.

Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes e Toninho Horta
Vivenciamos ainda muitas outras emoções. Eu e o músico Fábio Cordeiro assistimos a um animado bate papo sobre o Clube da Esquina com Toninho Horta, Fernando Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes, integrantes do movimento, no Espaço Cultural Phoenix da Universidade Fumec. E na companhia dos músicos Toninho Iglésias e César Loredo nos inebriamos aos sons do grupo carioca Equale, Affonsinho, Tavito, Telo Borges, Toninho Horta, 14Bis e Trio Amaranto na praça de Santa Tereza e na praça em frente a igrejinha da Pampulha.

Aliás, estas duas praças nos reservaram momentos jubilosos e extasiantes. Durante o dia, só se ouvia falar do coral e várias pessoas nos acompanhavam por onde fôssemos cantar. Na noite do dia de 27 de novembro o enorme público na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza, foi ao delírio na apresentação do Coral Vozes das Veredas. E lá, nos despedimos do Festival e agradecemos o carinho do público e dos organizadores, pois no dia seguinte o coral participaria do programa televisivo Dedo de Prosa, do capelinhense Juninho Elisiário, e faríamos um passeio com as meninas num shopping acatando sugestão de Rubinho do Vale. Para nossa surpresa, mal o programa terminou duas belas moças da organização do festival nos esperava e nos “intimou” a comparecer à praça da igrejinha da Pampulha por ordem do público presente. Não é preciso dizer que as crianças rejeitaram a ideia. Ao argumentar que, se nos propusemos a participar do Festival, deveríamos acatar o pedido, meu argumento as levou a irredutibilidade. Então, tive que apelar para os versos do poeta que diz que “todo artista tem de ir aonde o povo está”.

Cantando na Pampulha
Mal descemos do ônibus na Pampulha e ouvimos o locutor anunciar entusiasticamente: “acaba de adentrar a praça o coral de Veredinha”. A praça foi ao delírio transformando as expressões carrancudas dos rostos infantis em largos sorrisos. Após o desfile de inúmeros corais pelo palco, antes do 14Bis fechar as cortinas do 2º Festival de Corais, as Vozes das Veredas incendiou o público. Surgia assim, para o cenário do canto coral de Minas Gerais, um canto novo do cantinho mais fundo do fundo do Vale do Jequitinhonha. 

Fernando Brant, Tadeu Oliveira e
o maestro Lindomar Gomes
Primeiro coral do Vale a cantar nesse evento, a história das Vozes das Veredas se entrelaçou à história do Festival de Corais de Belo Horizonte que se transformou no FIC - Festival Internacional de Corais. E minha trajetória pessoal no canto coral ganhou novos caminhos e experiências. Um dia, ao perguntar ao maestro Lindomar Gomes o que o levou a apostar num coral desconhecido a ponto de convidá-lo para um evento tão grandioso tendo como referência apenas uma singela página de internet criada por mim, respondeu: “a simplicidade e pureza”. E ao perguntá-lo novamente se isso por si só já seria suficiente para emocionar as pessoas a ponto de levá-las ao choro, ele novamente me respondeu: “o coral de Veredinha toca o coração das pessoas porque canta com o fogo do amor”. Isso explica a minha grande paixão por este grupo de meninas, pela cidade de Veredinha e pelo Vale do Jequitinhonha. E para finalizar, assim como iniciei esse texto com o primeiro verso de uma versão de Lourival Faissal para a composição de Rafael Hernández cantada pela baiana Gal Costa, encerro com o último verso da mesma canção: “E o resto desse romance só sabe Deus”.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

RODA PIÃO, BAMBEIA PIÃO


Fernando Brant

Estou na cozinha da casa de Vera Brant, cercado, como é de hábito, por gente sensível, inteligente e criativa. Lá fora, na noite, o flamboyant impera. Tenho ao meu lado, no melhor lugar de todas as casas, o maestro Jobim e Gonzaguinha. Diante de quem tem o que dizer, e pensa com profundidade mesmo as coisas do cotidiano, prefiro falar pouco e ouvir.

A cerveja molha as gargantas e os bolinhos de feijão nos alimentam. A música, a poesia, as pessoas e o mundo eram nossos assuntos e o tempo parecia não existir. Mas estou agora ouvindo uma seresta à frente de nossa casa, em Caldas, Minas Gerais, na véspera do dia em que meu pai, juiz da comarca, se despedia da cidade para assumir o mesmo cargo em Diamantina. As imagens são nubladas quando me lembro do ocorrido. Não tinha completado 5 anos. Ficaram os sons da saudade dos que ficavam e da gratidão dos que partiam.

E agora estou, de calças curtas e mirando o presente, pisando nas pedras capistranas do Tijuco com minhas sandálias de sola de pneu, que nunca acabam. Vou comprar a revista O Cruzeiro para meus pais e aproveito e adquiro o primeiro exemplar brasileiro da Luluzinha e sua turma.

O Zé Aparecido me leva para jantar com ele no Palácio dos Buritis. Eu e o Hildebrando Pontes nos surpreendemos com a presença iluminada e bem-humorada do Oscar Niemeyer. Foi uma alegria sem precedentes, dessas que só o Zé tinha capacidade e generosidade de oferecer aos amigos.

No Bar Scotelaro, em Belo Horizonte, rompo a madrugada bebendo cerveja com Dedé, Caetano Veloso e minhas irmãs Vina e Ana. Ali mesmo iniciara, numa noite de novembro, a comemoração pelo nascimento de minha primeira filha e, mais tarde, da segunda.

Com paletó do Toninho Horta, calça preta minha e gravata borboleta de não sei quem, subo ao palco do Maracanãzinho entupido de gente para, a seu lado, assistir ao meu parceiro, Milton Bituca do Nascimento, cantar a nossa Travessia, que abria todos os horizontes para nós.

No meio de todo esse rodopio temporal e geográfico, a memória me leva e traz pelos caminhos de minha existência. Não me lembro como começou nem sei como se encerrará. Mas aprendi muito, disso tenho certeza. Quando olho para os que me cercam, a vontade que tenho é de gritar ao mundo que é com afeto, compreensão, carinho que seremos saudáveis parceiros na construção de um mundo mais justo.

A consciência de que podemos conviver em harmonia e a sede de beleza que só a amizade, o amor e a cultura podem nos ofertar me embala a fazer rodar o pião que vai encantar as crianças do mundo.

Fonte: EM Cultura - Jornal Estado de Minas, 12/12/2012

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ESCRITORA TURMALINENSE TOMA POSSA EM ACADEMIA DE ARTES NO RJ


Poeta e contista, Janeuce vai tomar posse como membro correspondente da ARTPOP


Janeuce durante lançamento do livro de memórias “Joia de Família”



A poeta e contista Janeuce Cordeiro Maciel, que está completando mais um ano de vida nesta quarta-feira (10/10), vai tomar posse, em novembro, como membro correspondente da Academia de Artes de Cabo Frio (ARTPOP).

A cerimônia será no Teatro Municipal Inah de Azevedo Murad, em Cabo Frio (RJ), durante evento acadêmico e cultural em que, além da posse dos novos acadêmicos, haverá entrega de diplomas e medalhas, apresentação artística e coquetel de confraternização.

Janeuce, que é natural de Turmalina, cidade localizada no Vale do Jequitinhonha, foi indicada para a ARTPOP pelo poeta, jornalista e acadêmico A. Zarfeg, que conhece os trabalhos literários da poeta mineira há algum tempo.


Janeuce é autora de “Joia de família”, livro em que narra as reminiscências de sua família, e “Olho Turmalina, vejo sua gente”, um relato poético feito a quatro mãos com a amiga e parceira Gilda Gomes de Macedo.

Além dos livros publicados, ela é autora de contos e artigos, alguns dos quais publicados em jornais e revistas de Minas Gerais. Isso, evidentemente, sem contar os poemas inéditos. Essa produção, aliás, valeu à poeta a indicação para a Academia de Letras de Teófilo Otoni (ALTO), da qual Janeuce se tornou membro correspondente em 2011. 

“Se não bastasse o talento literário, Janeuce tem serviços relevantes prestados ao povo de Turmalina, seja como educadora ou garimpeira dos costumes e tipos locais”, afirmou A. Zarfeg.

Como membro correspondente da ARTPOP, Janeuce terá mais um canal para propagar a boa arte que vem das Gerais, especialmente do Vale do Jequitinhonha, celeiro de diversas manifestações culturais, como a música, a dança, a culinária e, também, a literatura.

“Será um prazer tê-la como confreira, Janeuce. Seja muito bem-vinda”, afirmou Vanessa Rodrigues, secretária-geral da ARTPOP.

Fonte: Flecha News



quarta-feira, 16 de maio de 2012

UM LUGAR PARA VIVER


Belo Horizonte vista do alto: você se sente em casa nesta cidade?


João Paulo

O recente resultado da eleição para a Presidência da França, com a vitória de Hollande, mostrou, entre outras coisas, que há um ideal de insatisfação com os consensos pessimistas em relação à política e à administração pública. Independentemente dos méritos do novo presidente, a noção de uma certa inevitabilidade da condução conservadora em razão das crises – como se fosse sempre melhor manter que modificar (ou modificar para manter), que é o cerne do conservadorismo – se mostrou incapaz de mobilizar a maioria dos franceses. O retorno às propostas socialistas, desta vez atravessadas pela ideia de crescimento, é prova que existe um potencial de politização ainda a ser resgatado.

Nas últimas décadas, numa reação que respondia à desmobilização individualista da pós-modernidade, os projetos coletivos entraram em coma induzido. A ideologia foi trocada pelas técnicas de administração e as utopias deram lugar ao fim da história. A tradução em termos políticos foi a superação das chamadas “grandes narrativas” em favor de uma lógica da condução dos negócios públicos, quase sempre a partir da inspiração do mercado. A política entrou em baixa para ser substituída por uma visão pragmática tanto em termos administrativos (como se tudo fosse uma questão técnica) como de poder (em vez do debate em torno de propostas, o jogo das alianças para conquistar e manter posições). 

Não é um acaso ou escolha semântica, por exemplo, o nome dado ao novo locus do Poder Executivo em Minas Gerais: Cidade Administrativa. A concepção de um espaço esvaziado de discussão política em nome da racionalidade técnica é um ideal inalcançável – e inviável. Assumir que a cidadela do Bairro Serra Verde é política deveria ser um mérito, não um negaceio de seu destino. Política é algo importante demais para ficar na mão de burocratas. Ao retirar o sítio da política dos interstícios da cidade, o que se comprova, além de sua ineficácia, é que precisamos recuperar nosso destino de animais políticos, sob o risco de nos tornarmos apenas animais.

O desafio que se aproxima para a cidadania brasileira é a eleição de prefeitos. É um dos momentos privilegiados para voltar a fazer política. No entanto, o que se acompanha em Belo Horizonte – e não é muito diferente da maioria das cidades – é uma inversão de foco. O que deveria alimentar as discussões são as diferentes opções para a condução dos vários campos que compõem a vida da cidade. No entanto, o que se observa são debates sempre marcados pela sopa de letrinhas das siglas partidárias, pela viabilidade eleitoral de nomes carimbados, pelas alianças estratégicas (em nome de votos, não de projetos), pela capacidade de financiamento das campanhas. Ficam de fora as propostas para a cidade. Fica de fora a política.

Em 1989, na primeira disputa eleitoral direta para a presidência depois da ditadura militar, uma peça publicitária da campanha do candidato Lula foi um símbolo do que se perdeu. O candidato mostrava uma sala onde várias pessoas reunidas pareciam elaborar um plano de governo. Lula então apresentava as pessoas e dizia que eram os responsáveis pelas propostas nas áreas de saúde, educação, cultura, habitação, segurança etc. O que a imagem afirmava é que havia um projeto coletivo de mudança, que vinha sendo gestado havia muito tempo pela inteligência brasileira (alguns rostos eram reconhecíveis), que se propunha a disputar a hegemonia com o projeto vigente de poder da sociedade brasileira. 

Aquela propaganda, com todos os desvios morais que a publicidade envolve, deixava entrever que havia pelo menos dois projetos na arena. Que existia uma forma de pensar a saúde e a educação, por exemplo, que era completamente diferente do que se fazia então. Não se tratava apenas de quem chegaria ao poder, mas que políticas públicas seriam exercidas em nome do poder conferido precariamente aos novos governantes. Se eles fracassassem em seus propósitos, além da oposição popular durante o governo, seriam afastados do poder no pleito seguinte. 

Há uma política de saúde privatista, concentradora em termos de atenção, individualista, cara e discriminadora; há uma política de saúde pública, descentralizada, universal e inclusiva. Há uma educação pública que atende às exigências de mercado, que julga, exclui, reprova e emite visões de mundo competitivas e discriminadoras. Há uma educação pública que responde por valores humanos e democráticos, que insere, valoriza as diferenças e amplia o debate entre pessoas livres. E por aí vai. Para cada setor da vida humana, em sua tradução política, há formas diferenciadas de exercer o poder do Estado. Cada um dos lados tem seus formuladores, seus seguidores e defensores. A eleição deveria ser o momento em que essas ideias deixam a arena exclusiva do saber técnico para ganhar dimensão política.

Sem humanismo 
Os exemplos da saúde e educação não são gratuitos. As duas mais importantes áreas sociais são campos de batalha de visões de mundo. Na área da saúde, a criação e implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) vem mostrando que há uma oposição poderosa, liderada pelo setor privado e pelos detentores da tecnologia para solapar as bases solidárias e modernas do sistema público de saúde. Em alguns setores, avanços inegáveis como a humanização do atendimento ao portador de sofrimento mental, são hoje questionados em nome da retomada do asilamento e do uso intensivo de medicamentos. Hoje, a internação e até o uso do eletrochoque vêm sendo defendidos abertamente, num atentado não apenas ao saber como à memória de um passado de horror. Ficou para saúde pública apenas o que não dá lucro. “Louco” dá lucro: fica muito tempo internado e o remédio é caro: para o mercado, o melhor dos dois mundos.

No campo da educação, as políticas de inclusão e equidade, como as cotas e a quebra da obrigatoriedade do boletim e da reprovação, todos eles signos de humanização, também sofrem hoje uma saraivada de críticas, quase sempre de fundo autoritário. Com isso, corre-se o risco de se perder um trabalho de fixação dos jovens à escola, em nome de uma competição desabrida, que se esconde sob o álibi da meritocracia. Em vez de ser lugar de inclusão e da diminuição das desigualdades artificiais (ou alguém acha que os “ricos” são mais inteligentes?), a escola passa a ser arena de julgamento e separação de habilidades valorizadas socialmente, quase sempre de acordo com as regras do mercado. Por isso as crianças hoje não falam mais em vocação, mas em melhores oportunidades de emprego e salários. Ninguém quer ser astronauta ou bailarina, os meninos querem ser Neymar e Eike Batista.

Belo Horizonte vem perdendo nos últimos anos alguns avanços que foram construídos coletivamente, como os citados acima. Passou a patrol sobre o SUS e a Escola Plural. Além disso, outras práticas administrativas e políticas foram sendo esvaziadas até perder a efetividade. É o caso do Orçamento Participativo, hoje uma sombra do que representou, que sobrevive como migalha, mais para efeito de marketing (o risco da desativação) do que de correção de rumo dos investimentos definidos de forma centralizada. Outro déficit democrático é vivenciado nos conselhos, que deixaram de ter participação expressiva e foram sucateados e desrespeitados, como se viu na posse do Conselho Municipal de Cultura. A democracia não acaba na eleição, precisa começar por ela.

O que se vê hoje, ano de eleição, é um debate em torno de nomes e partidos. A cidade hoje é muito mais que uma instância de poder. No contexto contemporâneo, ela é o lugar que precisa recuperar a dimensão da convivência com as exigências postas pela diferença. Se há um lugar em que a individualidade toca a coletividade é exatamente na cidade. O separatismo do mercado e as usanças do egoísmo podem nos levar à paralisação. O nó que o trânsito arma a cada fim de tarde deixou de ser uma metáfora para ser uma ameaça real. O que isso tem a ver com eleição? Tudo.

 jpaulocunha.mg@ diariosassociados.com.br



Fonte: Coluna Olhar - Caderno Pensar - Jornal Estado de Minas, Publicação: 12/05/2012

sábado, 29 de outubro de 2011

MINAS NOVAS REALIZARÁ "FESTIVAL VALE CANTAR" EM JANEIRO/2012


Minas Novas é uma cidade do Vale do Jequitinhonha que tem por tradição revelar grandes talentos para a música mineira. Os irmãos Arnô e Arlindo Maciel, Mark Gladston, Pedro Morais são alguns nomes que marcam o cenário cultural sem contar a nova safra de artistas como o violeiro Osmar Lins, Alisson Zêra, Gleissinho e Raphaela dentre outros.

Mantendo a tradição de celeiro artístico, a Pau a pique Produções acaba de criar o Festival Vale Cantar,  um evento voltado para novos composições da música popular brasileira. O  objetivo do Festival é promover o intercâmbio de experiências entre músicos, compositores, intérpretes e artistas que venham valorizar a produção cultural de Minas Novas e região, estimulando o interesse da população pela música.

Segundo o Blog do Jequi, o Festival surgiu da realização de "algumas festas no solar da Tia Auta, tradicional sobrado de Minas Novas, com grande sucesso, perceberam que a festa poderia ganhar um rumo mais abrangente e se tornar um festival que abrilhante as férias em Minas Novas e que dê a oportunidades dos Músicos da região possam manifestar a sua musicalidade."

Para saber mais sobre o regulamento a inscrição, visite os seguintes links:

Regulamento: http://radiobomsucesso.com.br/valecantar/arquivos/Regulamento%20vers%e3o%20final.pdf

Ficha de inscrição: http://radiobomsucesso.com.br/valecantar/arquivos/FICHA%20DE%20INSCRI%c7%c3O%20Vale%20Cantar.pdf
Saiba mais sobre o festival visitando o Blog do Jequi:blogdojequi.blogspot.com/


sexta-feira, 4 de março de 2011

ZÉ RAMALHO NO VALE DO JEQUITINHONHA EM ABRIL

Notícias me chegam de amigos e amigas lá da cidade de Jequitinhonha MG e me dão conta de que o Festivale desse ano acontecerá naquela belíssima cidade encravada nas margens do rio de mesmo nome.

Estive em Jequitinhonha em julho de 2004, quando tive a oportunidade de atender ao convite dos freis Antônio e Donizete Afonso, da paróquia de São Miguel, uma Oficina de Sensibilização Musical no V Seminário de Alfabetização de Adolescentes, Jovens e Adultos do Projeto REVEJA.
Fonte da foto: www.ferias.tur.br/

A cidade é encantadora e vale a pena conhecê-la, tanto pelas suas belezas naturais quanto pela sua arquitetura a exemplo das praias na beira do rio Jequitinhonha e da belíssima igreja Matriz de São Miguel. Além disso, a cidade, como acontece em quase todo Vale do Jequitinhonha conta com excelentes artesãos. Ao passar pela cidade, não deixe de conhecer o trabalho e arte em couro de Renatinho, do barro com Dona Elza Có e seus filhos e de outros artesãos.

A feira livre também é uma grande atração, lugar onde moradores da zona rural expõem seus produtos, como: mandioca, farinha, goma, milho, doces, hortaliças, verduras, frutas e produtos artesanais: panela e potes de barro, colher de pau, peneira, cestos.

A cidade de Jequitinhonha também é muito conhecida por ter o melhor e mais tradicional carnaval da região.

Jequitinhonha é a terra de um grande poeta do Vale, o meu companheiro na militância cultural Cláudio Bento, que a melhor define através da poesia: “Jequitinhonha, cidade do sol e da lua e das estrelas cadentes. Cidade carnaval onde um rio é um fio de esperança correndo em busca do mar. Cidade das praias de areia sem fim, cidade dos seixos e das pedrinhas miúdas. Cidade dos jenipapeiros, das mangueiras, das serigueleiras, do juá, da pitanga e dos ingás. Cidade dos peixes e do céu ardendo em azul”.


Fonte da foto: Site oficial do artista

No embalo do carnaval e visando esquentar os preparativos para o Festivale, nada melhor que curtir um show de uma das grandes estrelas da música brasileira. A Prefeitura Municipal de Jequitinhonha realizará, no dia 02 de abril de 2011, sábado, show com Zé Ramalho. O evento acontecerá na Praça de Eventos da cidade, a partir das 23 horas e fará parte das comemorações do bicentenário do município. 

Antes, Zé Ramalho fará um show na cidade de Araçuaí, no dia 1º de abril, no Planalto Tênis Clube, com produção de Jackson Martins, com apoio da prefeitura municipal. Prestigie e divulgue o show entre os seus conhecidos!

Cláudio Bento, Eliene, Nádia e Silene que me aguardem para o Festivale em julho desse ano. Quem sabe o Coral Vozes das Veredas também possa dar o ar da graça de poder cantar nesta cidade que é uma das referências da cultura popular do Vale do Jequitinhonha.