Seja bem vindo(a)!!!





Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O CANTO QUE VEIO DO FUNDO MAIS FUNDO DO VALE

"Ao perguntar ao maestro Lindomar Gomes o que o levou a apostar num coral desconhecido a ponto de convidá-lo para um evento tão grandioso tendo como referência apenas uma singela página de internet criada por mim, respondeu: 'a simplicidade e pureza'. E ao perguntá-lo novamente se isso por si só isso já seria suficiente para emocionar as pessoas a ponto de levá-las ao choro, ele novamente me respondeu:
'o coral de Veredinha toca o coração das pessoas porque canta com o fogo do amor'”.


 O coral em sua primeira apresentação no Museu Abílio Barreto/Bh em 2004.
Foto: Arquivo Canta Minas

Por Tadeu Oliveira

Assim, se passaram dez anos”. Mas parece que foi ontem. Outro dia mesmo, o Coral Vozes das Veredas, dava os seus primeiros passos para cantar em outras plagas. Após três anos da sua fundação, eis que surgia uma oportunidade ímpar de participar do 2º Festival de Corais de Belo Horizonte, nos dias 26, 27 e 28 de novembro 2004, que homenageava o Clube da Esquina. O convite fora feito pelo idealizador e realizador do evento, o maestro Lindomar Gomes muito bem definido pelo poeta Fernando Brant como “um singelo encantador de notas musicais e de pessoas, que leva a vida sonhando e realizando sonhos”. O convite veio a calhar e nós audaciosa e despretensiosamente aceitamos. Afinal, desde a sua criação pela Adecave – Associação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente de Veredinha – em agosto de 2001, que o Coral cantava e encantava o Médio Jequitinhonha. As cidades de Capelinha, Turmalina, Minas Novas, Berilo e Francisco Badaró já haviam se embevecido com as melodias e harmonias emanadas pelas vozes de Veredinha.

A euforia e a ansiedade tomavam conta de nós naqueles dias. Eu e Mirinha, uma das coordenadoras do projeto da Adecave, cuidávamos dos preparativos para o grande evento buscando apoio e recursos para logística, escolhendo repertório, convidando músicos para acompanhar o coral, organizando ensaios e realizando oficinas com abordagens comportamentais e relações interpessoais com a psicóloga Lílian Murta. Até que chegou o dia de tomarmos o rumo da capital mineira para lá cantarmos pela primeira vez. Se para mim que apesar de já ter morado em Belo Horizonte nos anos de 1980 sentia-me como estivesse entrando num território desconhecido, imagine o que aquilo tudo poderia representar para aquelas crianças com idade entre sete e dez anos que mal conheciam os arredores de Veredinha!

A nossa primeira participação aconteceu na noite do dia 26 de novembro de 2004, sexta-feira, no museu Abílio Barreto após percorrermos por um dia inteiro os quase 500 km que separa Veredinha de Bh. Assim que chegamos com aquele bando de crianças com roupas em algodão cru, Mirinha e eu nos entreolhamos e sussurrei entredentes: – “Meu Deus do céu! O que viemos fazer aqui?” – acompanhado de um enorme frio na barriga e um aperto no coração. Mirinha corroborou meus sentimentos acrescentando que devíamos nos manter serenos para não transparecer qualquer insegurança. Não saberia precisar quanto tempo passou desde nossa chegada até a hora de nos apresentar. Foram momentos tensos e aflitivos. O ambiente tornara-se contraditoriamente inóspito apesar da beleza do Museu Abílio Barreto com seu casarão colonial e da recepção carinhosa e calorosa do maestro Lindomar Gomes e sua equipe. Nosso figurino, confeccionado em tecido próprios para sacos e com detalhes em chita colorida e totalmente diferente dos padrões adotados pelos corais que se via por ali, nos expunha ainda mais aos olhares curiosos. Outro fator altamente inibidor era o público presente, bem diferente daquele os quais já havíamos apresentado.

Logo que subimos ao palco, como um coro de anjos mestiços, o sublime cantar das meninas de Veredinha enfeitiçou os presentes.  Iniciamos com dois cânones que sempre abrem nossas apresentações: “Oração Indígena” e “Saudação Africana”. Como fumaça, os receios se dissiparam e logo seguida a gente cantou “Cantiga pra Lira” de Rubinho do Vale. Faltava ainda cantar uma música do Clube da Esquina e quando o coral cantou “Itamarandiba” de Milton Nascimento e Fernando Brant, a plateia já nos ovacionava. Plateia esta que contava com a presença do poeta e compositor Fernando Brant que naquela semana, mais precisamente no dia primeiro de dezembro de 2004, escreveria muitos elogios ao Coral de Veredinha na sua crônica semanal no jornal Estado de Minas, intitulada “Música nas esquinas e nas praças”, que mais tarde integraria o livro “Casa Aberta” pela editora Dubolsinho.

Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes e Toninho Horta
Vivenciamos ainda muitas outras emoções. Eu e o músico Fábio Cordeiro assistimos a um animado bate papo sobre o Clube da Esquina com Toninho Horta, Fernando Brant, Márcio Borges, Murilo Antunes, integrantes do movimento, no Espaço Cultural Phoenix da Universidade Fumec. E na companhia dos músicos Toninho Iglésias e César Loredo nos inebriamos aos sons do grupo carioca Equale, Affonsinho, Tavito, Telo Borges, Toninho Horta, 14Bis e Trio Amaranto na praça de Santa Tereza e na praça em frente a igrejinha da Pampulha.

Aliás, estas duas praças nos reservaram momentos jubilosos e extasiantes. Durante o dia, só se ouvia falar do coral e várias pessoas nos acompanhavam por onde fôssemos cantar. Na noite do dia de 27 de novembro o enorme público na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza, foi ao delírio na apresentação do Coral Vozes das Veredas. E lá, nos despedimos do Festival e agradecemos o carinho do público e dos organizadores, pois no dia seguinte o coral participaria do programa televisivo Dedo de Prosa, do capelinhense Juninho Elisiário, e faríamos um passeio com as meninas num shopping acatando sugestão de Rubinho do Vale. Para nossa surpresa, mal o programa terminou duas belas moças da organização do festival nos esperava e nos “intimou” a comparecer à praça da igrejinha da Pampulha por ordem do público presente. Não é preciso dizer que as crianças rejeitaram a ideia. Ao argumentar que, se nos propusemos a participar do Festival, deveríamos acatar o pedido, meu argumento as levou a irredutibilidade. Então, tive que apelar para os versos do poeta que diz que “todo artista tem de ir aonde o povo está”.

Cantando na Pampulha
Mal descemos do ônibus na Pampulha e ouvimos o locutor anunciar entusiasticamente: “acaba de adentrar a praça o coral de Veredinha”. A praça foi ao delírio transformando as expressões carrancudas dos rostos infantis em largos sorrisos. Após o desfile de inúmeros corais pelo palco, antes do 14Bis fechar as cortinas do 2º Festival de Corais, as Vozes das Veredas incendiou o público. Surgia assim, para o cenário do canto coral de Minas Gerais, um canto novo do cantinho mais fundo do fundo do Vale do Jequitinhonha. 

Fernando Brant, Tadeu Oliveira e
o maestro Lindomar Gomes
Primeiro coral do Vale a cantar nesse evento, a história das Vozes das Veredas se entrelaçou à história do Festival de Corais de Belo Horizonte que se transformou no FIC - Festival Internacional de Corais. E minha trajetória pessoal no canto coral ganhou novos caminhos e experiências. Um dia, ao perguntar ao maestro Lindomar Gomes o que o levou a apostar num coral desconhecido a ponto de convidá-lo para um evento tão grandioso tendo como referência apenas uma singela página de internet criada por mim, respondeu: “a simplicidade e pureza”. E ao perguntá-lo novamente se isso por si só já seria suficiente para emocionar as pessoas a ponto de levá-las ao choro, ele novamente me respondeu: “o coral de Veredinha toca o coração das pessoas porque canta com o fogo do amor”. Isso explica a minha grande paixão por este grupo de meninas, pela cidade de Veredinha e pelo Vale do Jequitinhonha. E para finalizar, assim como iniciei esse texto com o primeiro verso de uma versão de Lourival Faissal para a composição de Rafael Hernández cantada pela baiana Gal Costa, encerro com o último verso da mesma canção: “E o resto desse romance só sabe Deus”.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

MÚSICOS DE CAPELINHA ACOMPANHAM O CORAL VOZES DAS VEREDAS


Capelinha marcará presença no show AS ONHAS DO JEQUI 30 ANOS, oferecendo os seus excelentes músicos para acompanhar o Coral Vozes das Veredas. Estarão conosco no palco Carlos Geovane, Jonh Luiz e César Loredo.

Carlos Geovane, conhecido como Dudu, é integrante da Banda Números onde comanda as guitarras. O Jonh Luiz, conhecido por Jony, é um dos líderes e fundadores da Banca de rock Seu Aurélio. Dudu e Jony comandam os violões. César Loredo se encarrega da percussão e acompanha o Coral desde os primeiros shows.

Ainda faz parte desse time o veredinhense Vitor Oliveira no contra-baixo. Vitor é músico da Corporação Musical Manoel Alecrim, a banda de música de Veredinha, e toca violão para os corais que abrilhantam as missas da paróquia daquela cidade.

Dudu

Jonh

Vitor


César Loredo

SHOW ONHAS DO JEQUI MARCA A ESTREIA DA PARCERIA TADEU & ALÉXIS COMO COMPOSITORES

Aléxis e Tadeu, em 2000
Quando fomos convidados para participar do show AS ONHAS DO JEQUI 30 ANOS, a produção nos informou que cantaremos uma música de cada compositor do Vale. Na ocasião do convite, ainda não estava decidida a participação de Tadeu Franco. Assim, o Coral Vozes das Veredas não terá em seu repertório canção desse artista.

O nosso repertório compõe-se das seguintes canções:

1 – Cantiga pra Lira (Rubinho do Vale)
2 – Vale Encantado (Gonzaga Medeiros)
3 – Tropeiro de Cantigas (Paulinho Pedra Azul)
4 – Gira a o Coco (Saulo Laranjeira / Tuca Graça)
5 – Beira Mar Novo (Domínio Público, adap. Frei Chico e Lira Marques)
6 – A Viola e o Rio (Tadeu Oliveira / Aléxis Eleutério)

A música A Viola e o Rio é uma música inédita e foi composta por mim e pelo meu parceiro Aléxis Eleutério. Os arranjos vocais foram feitos por mim. Confira abaixo a letra da música:

A VIOLA E O RIO

Tadeu Oliveira  / Aléxis Eleutério
Eu ouvi o meu amor cantando
Na beira das águas do rio
Eu senti o meu amor chamando
Das barrancas desse rio

As águas da correnteza
Descem tangendo tão sonoras
Como cordas de viola
Nos dedos das pedras do rio
Somente quem é violeiro
Consegue ouvir o canto das águas
E entender as minhas mágoas

Eu ponteio a minha viola
Revelando assim meus caprichos
O vento traz uma voz que consola
Ao conversar na língua dos bichos

Cai a noite, os peixes sobre as águas
Saltam pra beijar a lua
E um rastro de luz que brilha e rasga o céu
Iluminando casas, clareando ruas
Lá no cais do porto
Onde o meu amor vem me esperar
Adormece e sonha:  Jequitinhonha


Aléxis Eleutério
Eu e Aléxis começamos a compor em 2000 e da nossa primeira parceria frutificou “Lua Ocidental”. Depois vieram outras como: Boi Mineiro, Cupido, Canção para Cláudia, Terreiro e outras mais. Aléxis Eleutério é natural de São Pedro dos Ferros e morou em Capelinha até 2003. A sua experiência musical se resume na participação em diversos festivais da canção na década de 1980 na Zona da Mata, tendo sido premiado em festivais.

ONTEM E HOJE: UM SHOW EMBLEMÁTICO NA MINHA VIDA


Em 1982, saí de Corinto tomando o rumo de Belo Horizonte. Como todo jovem do interior daquela época, levei na bagagem muitos sonhos: estudar, progredir na minha carreira na MinasCaixa e quem sabe conseguir um emprego melhor através de concursos.

Logo quando cheguei, fui lotado numa agência recém-inaugurada que se localizava na avenida Getúlio Vargas esquina com a rua Rio Grande do Norte, no bairro Funcionários, bem pertinho da Savassi. Por ser uma agência recém-inaugurada, a Getúlio Vagas acolheu todos os funcionários do interior que haviam pedido transferência para a capital. Havia também alguns pouquíssimos funcionários de Bh. Até os vigilantes eram do interior.

E por haver pessoas de todas as regiões mineiras, logo a diversidade cultural se fez latente. Na agência Getúlio Vargas estava explícita as muitas Minas em uma só, como escreveu Guimarães Rosa. Sotaques e gostos musicais diferentes, preferências culinárias variadas e muita coisa em comum: futebol, causos sempre tomando uma gelada nos fins de tarde.

Tão logo cheguei, fui enturmando com o pessoal que tinha vindo dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. E com eles fui conhecendo e tomando gosto pela cultura e, principalmente, pela música do Vale do Jequitinhonha.

E foi com esta turma que tomei o caminho do Palácio das Artes, em 1984, para assistir ao show “AS ONHAS DO JEQUI” no dia 26 ou 27 de março. Naquele dia, fui arrebatado pela força e energia emanadas do mais profundo do Vale do Jequitinhonha.  Ao sair do teatro tinha a convicção de havia encontrado os meus pares e que um dia haveria de morar nesse lugar.

Passado algum tempo, após viver os desígnios comuns a qualquer pessoa que sonha ser feliz, eis que a vida resolveu me tanger para o Vale do Jequitinhonha. E não demorou para que logo eu me visse entranhado junto ao povo desse lugar colecionando amizades, realizando sonhos e dividindo esperanças.

Trinta anos passados, eis que sou convidado a participar junto com o Coral Vozes das Veredas do show “As Onhas do Jequi”, a se realizar no dia 12 de abril/2014, no Minascentro, em BH. O show contará com a participação de Saulo Laranjeira, Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, Gonzaga Medeiros, Frei Chico e Lira Marques.

Participar desse show, além de emblemático será também uma honra. Afinal, poder dividir o palco com esses artistas, principalmente com Rubinho Do Vale e Gonzaga Medeiros, pessoas que estreitei laços e construí amizades, é um regozijo. Porque mudar da condição de espectador, fã e admirador para a condição de coadjuvante só pode ser mesmo um presente de Deus.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

QUANDO O JEQUITINHONHA CANTA E DANÇA

Em 1984, eu morava em BH e tive o privilégio de assistir ao show “AS ONHAS DO JEQUI” no dia 26 ou 27 de março, no Palácio das Artes. Naquele dia, a força e a energia das canções emanadas do mais profundo do Vale do Jequitinhonha mexeram muito comigo. Me senti arrebatado de tal forma a ponto de prenunciar àqueles que me acompanhavam que um dia haveria de morar nesse lugar encantador. 

Passado algum tempo, após viver os desígnios comuns a qualquer pessoa que sonha ser feliz, eis que a vida resolveu me tanger para o Vale do Jequitinhonha. Não demorou e logo me vi entranhado junto ao povo desse lugar. Colecionei amizades, realizei sonhos e dividi esperanças. 

Para minha grande alegria, acabo de receber um presente maravilhoso. Eu e o Coral Vozes das Veredas fomos convidados para participar do projeto “Quando o Jequitinhonha Canta e Dança” como convidados especiais do show “As Onhas do Jequi”, a se realizar no dia 12 de abril/2014, no Minascentro, em BH. O show contará com a participação de Saulo Laranjeira, Paulinho Pedra Azul, Rubinho do Vale, Gonzaga Medeiros, Frei Chico e Lira Marques. Em breve deverá ser oficializado pela Vale Mais que inclusive divulgará as informações com maiores detalhes. O convite foi oficializado pela VALE MAIS - Instituto Sociocultural do Jequitinhonha no Seminário “Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural”, realizado nesse fim de semana, em Araçuaí. 

Participar desse show, além de emblemático será também uma honra. Afinal, poder dividir o palco com esses artistas, principalmente com Rubinho Do Vale e Gonzaga Medeiros, pessoas que estreitei laços e construí amizades, é um regozijo. Porque mudar da condição de espectador, fã e admirador para a condição de coadjuvante só pode ser mesmo um presente de Deus. 

Muito obrigado à Vale Mais, Carlinhos Ferreira, Gonzaga Medeiros e Guilardo Veloso.

sábado, 8 de outubro de 2011

ÍCAROS DO VALE COMEMORA 15 ANOS COM FESTIVAL DE TEATRO

Ícaros do Vale - Cia. de Teatro de Araçuaí comemora 15 anos de existência com oficinas, apresentações teatrais com diversos grupos e muitos shows musicais com corais e artistas regionais. Coral Vozes das Veredas será uma das atrações.


Em outubro, o teatro invadirá as ruas e praças de Araçuaí. A companhia de teatro Ícaros do Vale comemora os seus 15 anos de existência realizando o primeiro festival de teatro de rua, entre os dias 8 e 12 de outubro, na cidade de Araçuaí.

O festival contará com oficinas, apresentações teatrais com diversos grupos e muitos shows musicais com corais e artistas regionais.

Hoje, os grupos teatrais de Araçuaí são apontados como os melhores existentes no Vale do Jequitinhonha. O grupo Vozes, o primeiro grupo teatral de Araçuaí, já fez muito sucesso e, juntamente com o Ícaros, tiveram várias peças premiadas e já viajaram por diversas regiões de Minas de do Brasil.

Em 2004, em visita à cidade de Araçuaí Zé Pereira, conhecido agente cultural local, me informou que os pioneiros do teatro em Araçuaí se inspiraram no Grupo de Teatro de Capelinha. Segundo ele, os integrantes do grupo de Capelinha tinham gabarito para se tornarem profissionais de TV e do teatro brasileiro, chegando a citar os nomes do professor Joaquim, Preta Vieira, Marlene Mendes dentre outros.

Coincidentemente, em 2001 eu faria o caminho inverso, indo beber na fonte dos corais de Araçuaí para poder aperfeiçoar o meu trabalho à frente do coral Vozes das Veredas, que naquele momento estava apenas começando.

Falando no Coral de Veredinha, o mesmo será uma das atrações na Festa de 15 anos do Ícaros do Vale – Cia. de Teatro. Confira a programação mais abaixo.


HISTÓRICO DO ÍCAROS DO VALE

Fundado no dia 12 de novembro de 1996, o "Ícaros do Vale" - Companhia de Teatro - é composto por  jovens  que vem se apresentando com ótimos trabalhos marcados pelo modo diferente de fazer teatro.

 
Em 1997, foi realizado o primeiro espetáculo - "A filha que bateu na mãe, sexta-feira da paixão e virou cachorra" -  e, com ele, a divulgação do trabalho e o início de uma grande caminhada.

 
Em 1998, veio a peça "Os Olhos Mansos" e os prêmios de melhor espetáculo de rua, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante, atriz revelação e melhor direção na 15.ª Mostra de Teatro realizada na cidade de Pompéu-MG.

Em 2000, a primeira parceria e o amadurecimento de um trabalho bem montado, com "Causos" de Virgínia Chaves e trilha sonora do compositor Josino Medina: "No Caroço do Juá". Esta peça veio consolidar o Ícaros do Vale no cenário cultural do teatro mineiro.
Em fevereiro de 2001, o grupo foi convidado pelo Projeto Pró-Água para montar um espetáculo baseado no diagnóstico rápido-participativo realizado em 23 comunidades da bacia do rio Calhauzinho. Desse convite nasceu o espetáculo "De Mala e Cuia", que se apresentou em várias cidades do Vale do Jequitinhonha.   Participou ainda do 1º Encontro Cultural de Capelinha em setembro desse mesmo ano.

Em setembro de 2002, depois de brilhante participação no 21.º FESTIVALE na cidade de Pedra Azul-MG, o Ícaros do Vale foi a grande atração das comemorações da Semana da Pátria da cidade de Corinto-MG quando foi encenada em praça pública a peça "No Caroço do Juá", por indicação desse blogueiro à Secretária Municipal de Educação de Corinto, a saudosa sra. Vera Pimenta.

Daí para cá, o grupo foi se consolidando cada vez mais como grande referência do melhor teatro do Vale do Jequitinhonha, participando de diversos eventos e apresentando inúmeras peças.

Seus integrantes preferem a rua ao palco porque, segundo os seus membros, o contato do público faz com que a troca de energia e calor humano os envolvam numa aura criativa e participativa. Cantando, dançando, sorrindo e fazendo sorrir, essa generosa gente que não poupa o contentamento, o gesto livre e doce que o Ícaros vai encarnando e levando pela rua afora o teatro a cumprir esta digna missão da arte.
 

PROGRAMAÇÃO:

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

VEM AÍ O FESTIVAL INTERNACIONAL DE CORAIS EM BH

O maior festival de corais da América Latina homenageia Gonzagão & Gonzaguinha,  de 16 a 25 de setembro de 2011, em BH e várias cidades mineiras


Começa nessa sexta-feira, dia 16, em Belo Horizonte e cidades próximas um dos eventos mais esperados pelo público: o “Festival Internacional de Corais - FIC”, que este ano homenageia dois dos mais importantes nomes da música brasileira: GONZAGUINHA E GONZAGÃO.
Todos os corais e grupo corais que participarão do festival interpretarão uma ou duas músicas de autoria ou interpretada pelos cantores e compositores Gonzagão ou Gonzaguinha. Em sua nona edição, o FIC 2011 confirma a participação de 140 corais nacionais e internacionais. Mais de cinco mil coralistas, entre, crianças, jovens, adultos e idosos, ao lado artistas renomados estarão se apresentando em 70 locais e em 15 cidades. A expectativa da organização é que cerca de 100.000 pessoas assistam aos espetáculos. Todas as apresentações são gratuitas.

9º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CORAIS - FIC

O FIC - Festival Internacional de Corais tem como um dos principais objetivos proporcionar o intercâmbio cultural entre público, corais regionais, nacionais e internacionais, - corais e grupos vocais amadores e profissionais de empresas, instituições de ensino e comunidades – em atividades culturais que objetivam: a troca de informações e o aprimoramento artístico dos participantes.

Desde 2003, ininterruptamente, são realizadas apresentações de corais e shows de renomados artistas, tendo sempre como tema musical Movimentos e Ícones da Música Brasileira, além de estender as atividades por meio da realização de oficinas de canto e técnica vocal, regência e educação musical. O Festival Internacional de Corais (FIC) é um evento produzido pela Maestria Arte & Cultura Ltda., sob a coordenação do maestro Lindomar Gomes.

O canto coral é uma das mais remotas formas de integração social e marca a história da humanidade como prática constante e engendrada de socialização. É capaz de integrar pessoas de diferentes segmentos da sociedade, que se reúnem com um fim comum: a realização cultural. Seja como coralista ou ouvinte, a apreciação da modalidade artística sobrevive ao tempo, sendo sempre consagrada pelo interesse e forte atuação das novas gerações. Neste sentido, Minas Gerais recebe há nove anos consecutivos o Festival Internacional de Corais, que busca a valorização dessa arte, proporcionando o acesso e intercâmbio cultural entre pessoas de diversas regiões do país e do mundo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

TERCEIRA NOITE DO GALPÃO TEM CANTO CORAL E FÁTIMA NEVES & FILHOS

Na sua terceira noite, o Galpão Cultural Dete Sampaio, espaço alternativo que a cada ano se torna uma atração à parte dentro da Festa do Capelinhense Ausente, já está pronto para receber as atrações de hoje, segunda-feira, dia 18. Depois de passar pelos palcos, o samba, a música sertaneja, a viola caipira e muita MPB agora será a vez do canto coral e da música jovem.

O CORAL VOZES DAS VEREDAS – VEREDINHA MG


O Coral Vozes das Veredas foi fundado em agosto de 2001, pela Associação de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente de Veredinha - ADECAVE, conveniada com o Fundo Cristão para Crianças – FCC.

Depois de algum tempo se apresentando em diversas cidades da região, em 2004, o Coral participou do 2.º Festival de Corais de Belo Horizonte, evento que faz parte do calendário cultural oficial do estado e que homenageou o Clube da Esquina, cantando para um público estimado em mais de 10 mil, tornando-se a grande atração do evento.

Em 2005, 2007 e 2010, o coral novamente se fez presente nos 3.º, 5.º e 8º Festivais de Corais de Belo Horizonte, que passou a se chamar Festival Internacional de Corais.

Participou do Programa “Dedo de Prosa”, apresentado pelo apresentador Juarez Elisiário e transmitido pela TV Horizonte e já foi matéria do programa Terra de Minas, da Rede Globo Minas.

Em 2006, participou do show Vozes do Vale, dentro do projeto Vale: Vozes e Visões, A Arte Universal do Jequitinhonha realizado pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais e em 2007, o coral participou do projeto Quatro Cantos – Coral na Praça, realizado pelo BDMG Cultural, se apresentando na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. No ano seguinte o coral, juntamente com Rubinho do Vale, cantou para o governador de Minas em solenidade do Programa de Combate à Pobreza Rural – PCPR, no Palácio da Liberdade.

Dentre várias publicações na imprensa, há de se destacar a crônica escrita por Fernando Brant no caderno de Cultura do Jornal Estado de Minas, datado de 1.º de dezembro de 2004.

Em 2005, o Coral gravou o seu primeiro CD, intitulado “Um Canto Novo Num Cantinho do Vale” através de recursos subsidiados pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas.

Por onde o Coral Vozes das Veredas passa o público se emociona diante de sua simplicidade e singeleza e tem despertado a atenção de artistas de renome como Rubinho do Vale, Fernando Brant e Tavinho Moura pelo belo trabalho desenvolvido pelo regente Tadeu Oliveira.

O repertório é composto de músicas da MPB, folclóricas e regionais com uma pitada lírica, fundamentando a personalidade sonora do coral por toda a região do Vale do Jequitinhonha.

Recentemente o Coral tornou-se uma Associação Comunitária e é formado por 32 integrantes com idade entre 07 e 20 anos. Porém, no show dessa noite o Coral se apresentará num formação reduzida com apenas 12 integrantes, cantando um repertório variado da MPB.

FÁTIMA NEVES CANTA COM OS FILHOS LUCAS E MATEUS

Lucas e Mateus com os seus pais Fátima Neves e Roberval Iglésias

Quem também marca presença no Galpão Cultural é a cantora capelinhense Fátima Neves acompanhada de seus filhos Lucas e Mateus Neves Iglésias.

Fátima Neves traz toda experiência adquirida nas suas participações na Semana da Cultura de Capelinha e nas cidades da região. Ela também cantou no Bar Onhas do Jequi, ponto de referência cultural dos jequitinhonhenses em Belo Horizonte, na década de 1980.

Fátima Neves foi casada com o músico e cantor corintiano Roberval Iglésias, com quem dividiu muitos duetos pelos palcos de barzinhos, festivais e no próprio Galpão Cultural, onde sempre contou com a participação de Toninho Iglésias, irmão mais velho de Roberval.

Lucas e Mateus são frutos desse casamento e como não poderia deixar de ser, herdaram também os talento artístico dos seus pais. Ambos já esbanjaram seus talentos no palco do Galpão Cultural junto de seus pais, familiares e amigos.

O filho mais novo, Mateus, está frequentando o Conservatório de Música em Diamantina e a cada dia tem se aprimorado mais como instrumentista. Além de violão, ele também toca baixo elétrico enquanto o seu irmão Lucas se dedica à guitarra e violão.

O repertório da família é composto por MPB e música jovem, com prioridade para o pop rock.

Serviço:
Shows com Coral Vozes das Veredas e com Fátima Neves e os filhos Lucas e Mateus
Data: 18/07/2011
Hora: 22h00
Local: Galpão Cultural Maria Odeth Sampaio, anexo ao Parque de Exposições no bairro das Acácias, em Capelinha MG.
XXV Festa do Capelinhense Ausente, com entrada franca

Fotos: Roberto Magalhães (Coral) e Tadeu Oliveira (Família Neves Iglésias)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

ANTES QUE A FESTA COMECE...

....JUNHO SE FOI LEVANDO ALEGRIAS E TRISTEZAS

Antes de entrar de cabeça na Festa do Capelinhense Ausente e no Galpão Cultural, não poderia deixar de registrar alguns momentos vividos no final do mês de junho.

O primeiro deles, foi a visita feita no dia 22 de junho por algumas turmas dos ciclos iniciais do ensino fundamental da E.E. Cel. Coelho, de Capelinha, à cidade Veredinha. O objetivo da visita das turmas das professoras Nádia Chácara, Geiza Sampaio e Inês Carvalho, coordenadas pela supervisora Thaísa Fernandes, era complementar os estudos sobre “A Cultura de Minas Gerais”, conteúdo da disciplina de História.

A criançada visitou a Santinha que fica logo na chegada da cidade e depois se dirigiram ao Centro Cultural para ouvir uma palestra sobre a cultura do Vale do Jequitinhonha quanto aos corais, feita por mim. Além de falar da cultura do Vale e explanar sobre a origem da palavra “Jequitinhonha, ainda houve tempo para contar um pouco da história do Coral Vozes das Veredas.

Em seguida, dona Maria das Graças, bordadeira da Associação de Artesãos de Veredinha-ARTVER, explanou sobre os processos pelos quais passa o algodão desde a fiação até o bordado.

Além disso, o Coral e Banda de Música local fizeram apresentações musicais para os alunos para logo depois ser oferecido um delicioso almoço.

Há de se destacar o carinho a receptividade tanto dos alunos  da E.E. Antônio Fernandes de Oliveira quanto das demais instituições e até mesmo dos moradores de Veredinha.

Em breve, a E.E. Cel. Coelho receberá os alunos de Veredinha para uma visita em Capelinha.

Maurício Tizumba, Tadeu Oliveira e Pedro Morais
Outro momento marcante no mês de junho foi acompanhar a Festa de Nossa Senhora do Rosário em Minas Novas. Tive a oportunidade de reencontrar vários amigos como Dalton Magalhães, pai do cantor e compositor Pedro Morais. Falando no Pedro, ele também esteve por lá e fez um show belíssimo.

Rubinho do Vale e mestre Antônio Bastião
Arlindo Maciel, Maurício Tizumba e Rubinho do Vale também marcaram presença e tive a oportunidade de colocar a prosa em dia. Tizumba me deu uma aula sobre congado que jamais esquecerei. Outra figura ímpar da cultura local, o mestre dos tambores Antônio Bastião, também estava lá com a turma do Congado de São Benedito.

No dia 24 de junho, dia de São João Batista e dia do cortejo do Rei, o coral Vozes das Veredas estava lá a convite do festeiro José Pinheiro Torres Neto. Porém, um fato muito triste aconteceu justamente no momento em que o coral se preparava para receber o cortejo cantando. A mãe do festeiro, dona Maria Floraci Maciel Pinheiro, veio a falecer minutos antes, deixando todos muito consternados e muito tristes.

José Pinheiro Torres Neto e sua esposa Flávia Mota
Ainda assim, naquele momento de dor pungente, a família optou por dar continuidade à programação prevista para aquele dia. Confesso que foi um dos momentos mais difíceis que passei junto com o Coral Vozes das Veredas, pois nunca havíamos cantado num ambiente em que a tristeza se fazia presente. Diante de tamanha dignidade do festeiro e de seus familiares, o Coral Vozes das Veredas subiu ao palco e prestou uma belíssima homenagem a dona Maria Floraci.

Aproveito uma vez mais para deixar o meu abraço e as minhas condolências a minha querida amiga Cibele Maciel e ao José  Pinheiro, rogando a Deus que dê a todas família Maciel Pinheiro a força necessária para superar tão doloroso acontecimento.

Não podia deixar de registrar a generosidade do violeiro Osmar Lins que, gentil e amavelmente, abriu as portas de sua casa para que eu pudesse me hospedar.

E para finalizar, nos dias 29 e 30 de junho, participei da  Conferência Regional de Segurança Alimentar e Nutricional Sutentável de Minas Gerais, realizada no Hotel Aranãs, em Capelinha, a convite do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Capelinha e Angelândia. Além de ter tido a oportunidade de conhecer e aprender um pouco mais sobre temas importantes para a vida, também foi um momento de reencontro. Nesse evento, tive o prazer de reencontrar com Mártin Kuhne, o alemão mais brasileiro que já conheci e que reside num paraíso chamado São Gonçalo do Rio das Pedras, após 21 anos de tê-lo conhecido.

Conversar com Mártin é um prazer incomensurável. Com ele aprendi muita coisa apenas numa pequena frase que me disse quando o vi, há 21 anos, molhando um enorme jardim com uma canequinha, indo e voltando. Eu questioná-lo porque não pegava uma vasilha maior, um balde ou um regador ele me respondeu: "Eu não tenho regras". Esta frase e sua atitude ecoou dentro de mim por todos esses anos. Mas isso é uma longa história.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

PROGRAMAÇÃO CULTURAL DA FESTA DO ROSÁRIO-2011 EM MINAS NOVAS

Dia 18/06
21h00 – Show Causos e Violas, apresentado pelo poeta, contador de causos e cordelista TADEU MARTINS com a participação de vários violeiros mineiros e de Minas Novas;



Dia 23/06
9h00 – Durante a buscada da Nossa Senhora no Rio Fanado haverá plantio de sementes, patrocinado pela  Associação de Proteção Ambiental de Minas Novas -ARPA;
12h00 – Meio dia festivo: Chegada da Nossa Senhora na Igreja. Participação do povo, grupos folclóricos;
21h00 – Logo após o mastro:
Show abertura: Grande violeiro de Minas Novas, OSMAR LINS;
Show: RUBINHO DO VALE - Grande Forró em homenagem a Festa do Rosário;



Dia 24/06
8h30 – Cortejo Real -  Saída da histórica igreja de São Gonçalo. O cortejo deste ano  contará a história do folclore da festa do rosário dos negros em Minas Novas, com a participação da Comunidade da Barra e São Gonçalo e o povo negro de Minas Novas;  
Foto: Roberto Magalhães

12h00 – Logo após a Missa solene, haverá distribuição de doces e cestinhas da festa com  participação do Coral “VOZES DAS VEREDAS” de Veredinha;
Apresentação dos Grupos Folclóricos do Município de Minas Novas e grupos convidados;

21h00 – Show de prestar muita atenção pela grandiosidade das canções Êh! Nossa  Senhora,  ARLINDO MACIEL;


Show Devoção à Nossa Senhora, no Mercado, com o  multiartista, ator, músico, congadeiro, cantor MAURÍCIO TIZUMBA; 

Dia 25/06- Logo após a procissão e coroação.
Show Abertura: GLEICINHO E RAFAELA
Show Sob o Sol: PEDRO MORAES E BANDA;


Nos dias que antecedem a festa acontecerão lançamentos de livros e CD's de vários artistas e escritores, dentre os quais: Gonzaga Medeiros, Cláudio Bento, livros do escritor Carlos Mota; livro em homenagem às Quitandeiras e Doceiras, Palestras, Painéis entre outras atrações.

Fonte: José Pinheiro Torres Neto - Juiz Maior da Irmandade do Rosário 2011

domingo, 3 de abril de 2011

A CANÇÃO QUE MARCA

A CANÇÃO QUE MARCA(*)

Tadeu Oliveira

“No meio do meu caminho sempre haverá uma pedra, plantarei a minha casa numa cidade de pedra”. Enquanto Valério arrancava os acordes do violão eu, Chiquinho Papão e Dalton esmerávamos nos vocais: “pedra miúda rolando sem vida”. Talvez daí tenha surgido minha primeira identificação com o Vale do Jequitinhonha

Fotografia de Roberto Rocha de pintura feita por
Yara Tupinambá(**)
A primeira vez que ouvi “Itamarandiba”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, já se vão 27 anos. Foi lá em Corinto, quando ensaiava os primeiros vôos de liberdade para todas as direções da vida no frescor da juventude, junto de outros companheiros da turma da pracinha. Nas rodas de violão, no banco da praça, ou nas rodas de cerveja, na esquina do bar de Luiz-meu-boi, ela sempre era solicitada. Tié, com seu porte altivo de príncipe africano, incorporava o seu ídolo Bituca e puxava: “No meio do meu caminho sempre haverá uma pedra, plantarei a minha casa numa cidade de pedra”. Enquanto Valério arrancava os acordes do violão eu, Chiquinho Papão e Dalton esmerávamos nos vocais: “pedra miúda rolando sem vida”. Talvez daí tenha surgido minha primeira identificação com o Vale do Jequitinhonha. “No caminho dessa cidade passarás por Turmalina, sonharás com Pedra Azul, viverás em Diamantina”.

Por essa época, já me aventurava pelo Vale. Primeiro a terra de JK, quando os festivais de inverno nos atraíam, ainda que não fôssemos estudantes universitários. Turmalina conheci por intermédio do seu filho Afonso Orsine, então subgerente da Minas Caixa em Corinto, num tempo em que o FESTUR - Festival da Canção de Turmalina – preparava-se para dar seu primeiros passos. Pedra Azul, essa ainda não conheci a não ser pelo talento dos seus ilustres filhos Saulo Laranjeira e Paulinho Pedra Azul. Itamarandiba, a cidade que empresta o nome para a música a qual me refiro, conheci, por acaso, em 81, quando eu e outros jovens corintianos resolvemos nos inscrever num concurso público para o Banco do Brasil, em Capelinha. Na ocasião, dizia-se que a concorrência era menor no Vale do Jequitinhonha. Afinal, pensava-se, quem gostaria de se estabelecer em lugares em que a vida era “miúda e quase sem brilho”?

Quando, em 1982, fui tentar a sorte em BH, a paixão pelo Vale se consolidou ao assistir no Palácio das Artes o show “Onhas do Jequi” a ponto de eu profetizar que um dia haveria de morar nesse lugar onde “as mulheres são morenas” e “os homens serão felizes como se fossem meninos”. Esse desejo ficou hibernado até 1997, ano em que me mudei para Capelinha. E aqui se deu o início da minha simbiose cultural que se intensificaria a partir de 2001, ao iniciar o trabalho com o coral Vozes das Veredas, de Veredinha. Foi lá, que num dia qualquer, irrompeu da minha letárgica memória musical a música “Itamarandiba”. Não sei ao certo o que fez com que as meninas de Veredinha se apaixonassem e incorporassem a música para si. Quem sabe não seria o fato de o rio homônimo cortar o município de Veredinha e algumas delas terem se banhado no manancial cristalino ou se estirado ao sol sobre as pedras esculpidas pelas águas? Ou quem sabe ouviram dos mais velhos, velhas cantorias e histórias cantadas e contadas na beira do rio?

Dia chegou em que o coral foi cantar pela primeira vez na capital mineira. Era o 2º Festival de Corais de Belo Horizonte, que prestava homenagem ao Clube da Esquina e é claro que “Itamarandiba” estava no nosso repertório. Corria o mês de novembro de 2004 e a nossa estréia se deu no museu Abílio Barreto, um lugar que por si só já nos dava um frio na barriga e, principalmente, porque ali se encontravam corais de vários estilos e diferentes do nosso. Quando as meninas, sob o meu comando, cantaram “Itamarandiba” jamais imaginávamos que a platéia nos ovacionaria e que entre os assistentes estaria um dos autores da música. Após nossa apresentação o coordenador do Festival maestro Lindomar Gomes nos apresentou ao Fernando Brant. Entre uma e outra fotografia, não perdi tempo. Solicitei-lhe a cessão dos direitos autorais da música para gravarmos num provável CD que não passava ainda de um sonho. Surpresa maior que ter o mestre Fernando Brant nos ouvindo foi sermos citados, cinco dias depois, em sua crônica semanal no jornal Estado de Minas.

No ano seguinte, a oportunidade de gravar o primeiro CD do Coral de Veredinha se concretizou e Fernando Brant nos honrou com sua promessa cedendo não só a música “Itamarandiba”, como também “Gente que vem de Lisboa/Peixinhos do Mar”, adaptação dele e Tavinho Moura. Além de nos ceder os direitos, intermediou junto a Milton Nascimento e Tavinho Moura a liberação de suas partes.

Nossa gratidão por ele não tem limites. E a única forma de agradecê-lo é cantá-la sempre em nossas apresentações. Em qualquer lugar que o Coral Vozes das Veredas cante há sempre uma voz que lá do meio da multidão grita: “Itamarandibaaa!!!” Os olhos das meninas brilham e se expandem em alegria e, enquanto nos recônditos da minh’alma me reporto à turma da pracinha, sentimos que a vida já não é tão “miúda e quase sem brilho”.

Dessa história toda, o mais interessante de tudo é que agora estou aqui, na alvorada do século XXI, cabelos grisalhos nas têmporas, cantando “Itamarandiba”, na cidade que empresta o nome à canção, rodeado de meninas louras, mulatas e morenas que integram um outro coral, o Mali Martin. Meninas que sequer haviam nascido quando a vida me tangeu para o Jequitinhonha. Enquanto aguardo o prenúncio de novas primaveras, vou tocando o meu violão e cantando com elas, sentindo brotar uma forte emoção em meu peito. Uma felicidade própria dos homens que habitam o Vale e que bem diz a canção do Milton e do Brant. Cá estou, feliz “como se eu fosse um menino”.

(*) Texto escrito em julho de 2007 e publicado no site do Museu Clube da Esquina. Tadeu Oliveira comandou o Coral Mali Martin, do Centro Social Mali Martin da cidade de Itamarandiba, de maio de 2005 até dezembro de 2008.

(**) Fotografia feita por Roberto Rocha, do quadro em óleo sobre tela (0,95 x 1,00 m) de autoria da artista plástica Yara Tupinambá, intitulado "Itamarandiba", feito exclusivamente para integrar a exposição em comemoração aos "40 anos de Travessia", com curadoria de Thelmo Lins e realização da Copasa, exposta na Galeria de Arte Copasa no período de 17 de novembro de 2007 a 06 de janeiro de 2008, reproduzida do caderno especial da exposição.