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Há mais 26 anos , apresento um programa de rádio intitulado "Canta Minas", na rádio Aranãs FM, de Capelinha MG, com enfoque para a música mineira em todas suas vertentes. Sempre fui apaixonado por música e rádio. Assim sendo, tomei a iniciativa de criar este blog com a finalidade de divagar um pouco sobre as minhas impressões durante os mais de 20 anos de programa. Além da música também sou apaixonado por História e Literatura. Aqui, publicarei crônicas, causos e outras lorotas a respeito de tudo que tenho vivido nesse pedaço de chão que é o Vale do Jequitinhonha. E como não pode deixar de ser, também escrevo sobre a minha querida terra natal, Corinto, e outras vivências pelo mundo afora que me ajudaram a construir uma história de gente comum, sem heroísmos, no entanto carregada pelos "sinais de humanidade"!!! Abraços Gerais!!!

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domingo, 12 de junho de 2016

ESCRITOR DE TURMALINA LANÇA LIVRO NO SEMINÁRIO VISÕES DO VALE X

O multifacetado artista Gilmar Souza lançará do livro “Entre a arte e a peleja”  
em Belo Horizonte


Gilmar Souza e o seu livro
Mais um grande momento na vida de arte e de peleja de Gilmar Souza. A sua grande façanha dessa vez, será no Seminário Visões do Vale X, nos dias 13 e 14 de junho, cujo tema definido para o evento deste ano é “Vale do Jequitinhonha: Desafios da urbanização”, realização do Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha. 

Na oportunidade, o multifacetado artista Gilmar Souza lançará o livro "Entre a Arte e a Peleja". Esta sessão está prevista para o dia 14 de junho, às 11 horas, no auditório 1 da Faculdade de Ciências Econômicas (FACE), no Campus Pampulha.

Nascido em no Distrito de São Sebastião de Boa Vista, município de Chapada do Norte, esse trovador e contador de prosas e lorotas não falava nem andava até os cinco anos de idade. Diziam os curiosos que ele estava era inventando na surdina para soltar a língua mais tarde.

Professor de Ensino Religioso, Literatura E História, lecionou nas Escola Estadual Américo Antunes de Oliveira, CEART, EFAT e na Escola Municipal São João Batista.

Radialista, poeta cordelista, trovador, ator, estre de Folia de Reis, membro da Marujada de Nossa Senhora do Rosário Gilmar Souza é também apresentador de eventos e voluntário nos movimentos culturais e em várias instituições que prestam serviços socais.



Gilmar Souza com a lamparina na abertura das OlimPiadas
Espirituoso, Gilmar Souza tem passado a lamparina por algumas cidades do Vale do Jequitinhonha, uma vez que a tocha olímpica não alcançou alguns rincões. Ele diz que a cidade que quiser receber as "OlimPiadas" pode requisitar a passagem da lamparina.

Quando se vai a Turmalina não é difícil destacá-lo: sempre com seu chapéu na cabeça e o embornal do lado, ele vai ganhando o mundo com suas boas conversas, sempre levando, nas suas lorotas e prosas bem contadas, o nome da cidade de Turmalina. Afinal, segundo a escritora turmalinense Janeuce Cordeiro, um contador de prosas é sempre um ladrão de sorrisos, uma sementeira de alegria.


O LIVRO "ENTRE A ARTE E A PELEJA

Prefaciado pelo turmalinense Dr. João Valdir Alves de Souza, Professor Associado de Sociologia da Educação na UFMG e Vice-Diretor da Faculdade de Educação (FAE-UFMG), o livro de Gilmar Souza é recheado de prosas, trovas e potocas, folguedos e fanfarras. Gilmar também não se descuida do pedacinho do sertões que cruzou e nem da sua Turmalina, Turmalinda. Tradição, fé e religiosidade popular que permeia o Vale do Jequitinhonha que vale a pena viver e conhecer também são muito bem retratados por este poeta popular que nunca deixa de voltar às suas raízes. 


Se Gilmar Souza abusa das estórias hilárias que compõe o imaginário popular e de personagens singulares do Vale do Jequitinhonha, ele também nos leva a reflexões sobre temas como meio ambiente, inclusão social, a luta do dia-a-dia empreendida pelo povo da sua terra e da influência tecnológica sobre a cultura popular.

Dr. João Valdir diz que Entre a Arte e a Peleja, mais que o vocativo próprio de um título, traz duas palavras que suscitam ampla reflexão. Uma dela é a arte, que como muitas outras, é uma palavra polissêmica. De muitos significados e de variadas formas de combinação de seus usos, desde seu entendimento como travessura e traquinagem de meninos desinibidos até as mais elaboradas criações de profissionais que se dedicam, como artistas, a dar forma ao que há de mais sofisticado no pensamento humano.

Por outro lado, a palavra peleja, que deriva de pêlo, é uma palavra que remete a batalha, combate, contenda, labuta. Labutar é produzir arte com o próprio suor, mediante sacrifício, expondo a pele, o pêlo e o couro. E isso é o que faz Gilmar Souza na vida e no seu belo livro que ele passa a dividir agora com todos nós.

Outras informações sobre o evento estão disponíveis em nosso portal: www.ufmg.br/polojequitinhonha.
Solicitamos confirmar presença pelo e-mail:
polojequitinhonhaufmg@gmail.com

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FOLCLORE DE CAPELINHA: A LENDA DA MULHER GIGANTE

No próximo dia 22 de agosto, sexta-feira, comemora-se o Dia do Folclore. E para comemorarmos, esta semana eu publicarei diversos causos e lendas da cidade de Capelinha. Vai aí o primeiro causo: 


A LENDA DA MULHER GIGANTE

Conta-se que, há muitos anos, em uma noite, a lua iluminava francamente as desertas ruas de Capelinha, quando uma viúva andava com suas três filhas,voltando de uma visita a um doente. Já passava da meia-noite. Iam em direção à sua casa, que ficava na rua Dr. Juscelino Barbosa, defronte onde é hoje o salão paroquial.

Andavam apressadas, pois já era muito tarde.

A noite estava fria e muitas corujas piavam lá pelas bandas da várzea, que é como se chamava a rua Governador Valadares. As mulheres andavam juntas uma às outras e, no meio da noite, ouvia-se o toc... toc... toc... dos seus sapatos de encontro às pedras do caminho.

Estavam já próximas à casa onde moravam. Passavam agora diante de uma rua bem estreita e sombreada pelas árvores que se balançavam ao sopro gelado do vento. Ao lado, ficava uma casa muito antiga, hoje reconstruída, onde mora o Sr. Gerson Martins.

A noite ia alta. De repente, a viúva e suas filhas ouviram um forte ruído: chep... chep... chep... 

Que barulho seria aquele?

Nossa! Próximo à casa antiga, estava o vulto de uma mulher enorme, de aproximadamente dois metros de altura, saia até os pés,lenço branco na cabeça e braços cruzados sobre o peito. Andava vagarosamente. Tomou a direção do beco e agora passava pelas árvores.

As mulheres, pasmadas pelo medo, perderam a voz. Agarravam-se umas às outras, com espanto e, trêmulas, apontavam para o vulto que desaparecia na imensidão da noite.

Hoje, pergunta-se de onde teria saído aquela Mulher Gigante, que vagava pela noite a dentro e enchera de terror a viúva e as filhas?

Fonte: Setor de Patrimônio Cultural de Capelinha.